Teoria do Design 2

Profª Fabiane Lima
fabianelim@gmail.com

Universidade Tecnológica Federal do Paraná — 2016

Atividade

Cultura material e história dos artefatos

O Design nos anos 1930-60

O Modernismo na Europa

Desde o final da década de 20, designers e arquitetos, ligados ao Modernismo Europeu, vinham buscando soluções formais “internacionais”.

Eles buscavam substituir as formas vernáculas, ligadas a um passado arcaico de regionalismos e nacionalismos por formas universais.

Arquitetura Jugendstil, Letônia

Peça de prata, vidro e ametista projetada por Carl Stock — Alemanha, 1910

A idéia de buscar soluções universais ganha maior notoriedade com a exposição A Moradia [Die Wohnung], organizada por Mies Van Der Rohe em 1927.

“De modo muito geral, a ideologia do Estilo Internacional se baseava na ideia de que a criação de formas universais reduziria as desigualdades e promoveria uma sociedade mais justa.”
(CARDOSO, 2004)

"Equipamento de habitação", Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand — 1929

Poltrona Barcelona, Mies van der Rohe — 1929

Vila Savoye, Le Corbusier — 1931

O Estilo Internacional

Os ideais modernistas de igualdade através da uniformidade do consumo e do trabalho foram ganhando força durante a década de 1930, até que a partir do fim da Segunda Guerra Mundial passaram a repercutir com mais visibilidade.

Designers alemães emigrados para os EUA por causa da guerra — Walter Gropius e Mies van der Roeh, por exemplo — acabaram trazendo suas influências para o continente americano.

Farnsworth House, Mies van der Rohe — 1951

Farnsworth House, Mies van der Rohe — 1951

Exposições no MoMA

Entre os períodos de 1932 e 1939, e 1950 e 1955, uma série de exposições promovidas pelo Museu de Arte Moderna de Nova York contribuiu para a divulgação dessas tendências.

Exposição International Style: Architecture since 1922 — 1932

Edifício Seagram, Philip Johnson — 1958

O Estilo Internacional nas Artes Gráficas

Influenciados por tendências da tipografia produzida em Bauhaus e da Nova Tipografia de Jan Tschichold, surgiu o Estilo Tipográfico Internacional nas escolas suiças de design.

Herbert Bayer

Essa tendência trazia para o Design Gráfico características do movimento que a abrangia, como a simplicidade formal, a abolição de adornos, a estrutura em grid e a tentativa de atingir ideais de neutralidade e racionalidade.

"A Nova Tipografia", Jan Tschichold

A superfamília Univers, de Adrian Frutiger — 1928

Tipografia "Frutiger" criada para a sinalização do Aeroporto Charles de Gaulle, de Adrian Frutiger — 1928

Akzidenz Grotesk, que inspirou a criação da Helvetica, em 1957 — 1896

Trailer de "Helvetica: the movie", 2007

Cartaz para a peça "Giselle", Armin Hoffmann — 1960

Capa para a Berlin-Layout, Anton Stankowski — 1971

Swiss in CSS

Swiss in CSS is a homage to the International Typographic Style and the designers that pioneered the ideas behind the influential design movement.
Swiss in CSS

Good Design

A partir dos anos 1950, sob a visão modernista do que é "bom design", surgiu o prêmio Good Design, que atribuía etiquetas e selos de qualidade a peças que estivessem de acordo com os princípios dessa tendência.

Para alguns críticos, o good design nada mais é do que uma forma de impor padrões de gosto elitistas ao consumidor através de um discurso de bom senso e eficiência.

Ou seja, pode ser visto como um novo cânone de gosto no design, derivado, na sua origem, dos preceitos funcionalistas genericamente associados à Bauhaus [...]

(CARDOSO, 2004)

A contribuição americana

Nos EUA, a cultura corporativa reconheceu no design funcionalista vindo dos imigrantes europeus valores irresistíveis: austeridade, segurança, estabilidade, neutralidade, disciplina, todas qualidades que qualquer empresa multinacional desejava transmitir para os seus clientes e funcionários.

Rohe, Gropius, Breuer e Moholy-Nagy

“A grande ironia histórica com relação à preponderância do Estilo Internacional durante as décadas de 1950 e 1960 está no fato de ter-se tornado não um estilo de massa ou mesmo de contestação da ordem capitalista mas, muito pelo contrário, de ter sido adotado como o estilo comunicacional e arquitetônico preferido de nove entre dez grandes corporações multinacionais”
(CARDOSO, 2004)

Sofá, Florence Knoll — 1954

Escritório da rede de TV CBS, Florence Knoll — 1964

Logotipos de Paul Rand

Capas de livros de Rudolph de Harak

Para a próxima aula:

Ler o texto "Utilidade e Significado", de John Heskett, disponível neste link — página 33 a 46 do PDF.

Referência

  • CARDOSO, Rafael. Uma Introdução à História do Design. São Paulo: Blucher, 2004.
  • MEGGS, Philip. Historia del Diseño Gráfico. México: Trillas, 2010.