Teoria do Design 2

Profª Fabiane Lima
fabianelim@gmail.com

Universidade Tecnológica Federal do Paraná — 2017

Unilabor &
Geraldo de Barros

Política e Design para superar a alienação do trabalho

Elabore um resumo com as ideias principais do texto e comente como alguns aspectos do mundo do trabalho atual — considerando o aumento da automação e dos empregos white collar, onde a atuação profissional do designer muitas vezes acontece — estão relacionados à alienação.

A presença na aula de hoje é condicionada a essa entrega.

O Kitsch

"Kitsch"

Usado para designar o mau gosto artístico e produções de qualidade inferior, com conteúdo considerado sentimental e dramático, exagerado, popular, questionável. Ocorre no design, arquitetura, cinema, música, etc.

"O kitsch é essencialmente democrático: é a arte do aceitável, aquilo que não choca nosso espírito por uma transcendência fora da vida cotidiana, nem por um esforço que nos ultrapassa [...] O kitsch está ao alcance do homem, ao passo que a arte está fora de seu alcance, o kitsch dilui a originalidade em medida suficiente para que seja aceita por todos."
(MOLES, 1994. p.32)

Aparece no vocabulário dos artistas e colecionadores de arte em Munique (entre 1860 e 1870), com base em kitschen, atravancar, e verkitschen, trapacear (vender outra coisa no lugar do objeto combinado).

Romantismo: ênfase na expressão dos sentimentos e das emoções; na literatura toma forma do melodrama.

A pujança do kitsch coincide com a expansão do mercado e a emergência da sociedade de massa que impõem normas à produção artística ditadas pela difusão e possibilidades de aquisição de produtos artísticos — de modo geral, reproduções e cópias - em função dos baixos preços. (MOLES, 1994)

Definição

  • Pelas propriedades formais dos objetos ou dos elementos do ambiente
  • Pelas relações específicas que as pessoas mantém com os objetos
O kitsch nos convida a uma discussão sobre a relação entre “o ser e as coisas, um novo sistema estético ligado à emergência da classe média, e da civilização de massa que somente reforça os traços dessa classe.”
(MOLES, 1994. p.29)

Valores Kitsch

  • Segurança diante das eventualidades do mundo exterior, proposta como um valor ideal
  • Afirmação de si próprio: jamais se coloca em questão um modo de vida ou um sistema econômico baseados na acumulação criadora e na conservação, seja de capital, mercadorias, lojas ou objetos
  • Sistema possessivo como valor essencial onde o ser é o que ele parece através de suas posses
  • Gemütlichkeit: Conforto do coração, intimidade agradável e afetuosa, sentir-se à vontade
  • Ritual de um estilo de vida: regras de recepção, o chá, ritos transmitidos pela burguesia e difundidos para outras classes; sedução para este estilo de vida

Oposições

  • Sagrado x profano
  • Erótico x familiar
  • Futurista x tradicional

Tipologia

Grupos de objetos

  • Empilhamento sem pena: conjunto kitsch constituído por objetos diversificados empilhados em um volume de espaço com superfície restrita (como lareira, mesa, parede).
  • Heterogeneidade: objetos agrupados não possuem relação direta uns com os outros; surrealismo combinatório inconsciente
  • Antifuncionalidade: distinção entre a série funcional e o agrupamento espontâneo
  • Autenticidade: corresponde à ideia de sedimentação. Objetos kitsch não são intencionais, mas são fruto de lento desenvolvimento

Princípios

  • Inadequação: desvio em qualquer aspecto ou objeto em relação à função suposta que deveria cumprir ou em relação ao realismo no caso de figuração artística
  • Acumulação: ideia de atravancamento ou frenesi; acumulação da religião e do heroísmo, do erotismo e exotismo, estimulando sensibilidade
  • Percepção sinestésica: vinculado à acumulação, consiste em assaltar o máximo de canais sensoriais simultaneamente ou por justaposição
  • Meio-termo: é pelo meio-termo que os produtos atingem o autenticamente falso
  • Conforto: aceitação fácil e espontaneidade perceptiva.

Antítese do "bom design"

Bom gosto × mal gosto

Uma construção em comparação com o modernismo, com o racionalismo e com a ideia de função. O kitsch está presente no cotidiano, que faz parte de nossas criações e expressões; é mais amplo e escapa às classificações fundamentadas no gosto.

Kitsch é a antítese do modernismo e da vanguarda moderna: fundamento na noção de gosto, que remete à noção de classe, status, arte popular e de elite.

“O funcionalismo constitui-se através de todas as contradições de uma gênese atormentada, enquanto componente necessário de qualquer forma estética ou técnica. Constitui, pois, um fator essencial da vida cotidiana, embora seu próprio sucesso tenha engendrado esta crise. Seu princípio básico estabelece que os objetos devem ser rigorosamente determinados por sua função. Introduz uma idéia de rigor, de disciplina, e por esta via, de ascetismo [...]. Uma de suas conseqüências traduz-se pela luta sistemática contra toda e qualquer irracionalidade, contra tudo que parece excrescente à função, inclusive a decoração.”
(MOLES, 1994, p. 167)

Na decoração

o kitsch é um componente importante na satisfação de desejos e na construção de um ideal de felicidade. É no espaço doméstico, segundo Moles (1994, p. 189), que o indivíduo pode “constituir seu micro-universo, a concha personalizada onde passa a maior parte de sua vida independente e sobre a qual exerce seu império: seu apartamento”.

Referência

  • MOLES, Abraham. Kitsch: a arte da felicidade. São Paulo: Perspectiva, 1994.
  • ULIANA, Nuria. "Dom de garimpar". Casa e Jardim. São Paulo: Editora Globo, ano 56, n.653, p.66-75, jun. 2009.