Teoria do Design 2

Profª Fabiane Lima
fabianelim@gmail.com

Universidade Tecnológica Federal do Paraná — 2017

Anti-design italiano

Introdução

O que estava acontecendo nos anos 1960-70?

Computação gráfica

Introdução do desenho auxiliado por computador no design.

Bel design

O design italiano nesta época assumia uma posição de liderança no cenário internacional.

Os designers na Itália já haviam se distanciado das restrições do modernismo, “assumiam o espírito lúdico da época e começaram a brincar com os novos temas” (TAMBINI, 1997, p. 23)


Olivetti Divisumma 18, de Mario Bellini [1972]

Olivetti Valentine, de Ettore Sottsass [1969]

Contracorrente italiana

Os designers italianos reuniram-se em grupos para discutirem propostas para o design que estivessem em sintonia com o final dos anos 1960 e início dos 1970.

A proposta modernista estava sendo substituída por outros preceitos do design, que expressassem as contradições e discussões da sociedade, na qual o modelo moderno de design já não contemplava as aspirações das pessoas.

Grupos de radical design/anti-design tentavam alterar a percepção do design através de propostas e projeções utópicas.

Foi nesse contexto que surgiu um movimento radicalmente crítico em relação ao design e suas práticas. Surgia na Itália o chamado radical design ou antidesign, que, por meio das questões propostas pelos diversos grupos formados, transformou-se em precursor do que viria a ser conhecido como o design pós-moderno.

Sendo uma crítica bom design, e desenvolvendo propostas mais teóricas/conceituais, o antidesign “encarnava a contracultura do final dos anos 60 e pretendia destruir a hegemonia da linguagem visual do movimento moderno”. (FIELL, 2006, p. 156 — grifo meu).

I Sassi, Piero Gilardi [1967]

Selene Chair, Vico Magistretti [1968]

Superstudio

1966, Florença

Formado por Adolfo Natalini e Cristiano Toraldo de Francia na cidade de Florença, questionava a validade do racionalismo no design. investigação do planejamento urbano e da atividade projetual no design, com elaboração de novas percepções para os campos.

"Arquitetura Interplanetária", 1967

Móveis Quaderna, 1970

Colagens de "Supersurface — um modelo de vida alternativo na Terra", 1972

O grupo criou projetos provocadores, como Arquitetura Interplanetária (1967) e As doze cidades ideais (1972), projeções utópicas, mas que provocavam a reflexão sobre a essência do design e da arquitetura.

Archizoom

1966, Florença

Fundado por Andrea Branzi, Paolo Deganello, Gillberto Corretti e Massimo Morozzi. O nome veio de um grupo de arquitetos ingleses, Archigram, e de uma publicação chamada Zoom. Criticavam e ironizavam o good design, geralmente realizando releituras de clássicos, como os móveis da Bauhaus.

Sofá Safari, 1968

Mies Chair, de Andrea Branzi, 1970

No Stop City, 1970

Seus integrantes elaboraram projeções utópicas na arquitetura, como No-Stop City (1970), com a finalidade de mostrar como os princípios do racionalismo, se levados ao extremo, tornar-se-iam antirracionais.

Global Tools

1973, Florença

Fundada por Alessandro Mendini. Fusão de vários grupos de radical design: Superstudio e Archizoom. Entre seus membros estava o designer italiano Gaetano Pesce, autor do sofá Tramonto a New York (1980) e da série de móveis Up.

Revista Casabella, que publicava produções do grupo

Up 5 Donna, 1969

Tramonto a New York, 1980

Promoviam a criatividade individual e coletiva através de oficinas chamadas de laboratórios, com abordagem ‘faça você mesmo’. Preocupação com materiais e questões ambientais.

Studio Alchimia

1976, Milão

Criado por Alessandro Guerriero, sua ideia inicial, de uma galeria de exposições, tornou-se o local de exposição de trabalhos experimentais, que não estavam criativamente limitados pela produção industrial.

Proust Chair, 1978

Sofá Kandissi, 1978

Cadeira Wassily, 1980

A criação do Studio Alchimia possui ligação direta com as experiências feitas pelo designer Alessandro Mendini, na década de 1970. Mendini trabalhava com a idéia do re-design, utilizando tanto os clássicos do design, aos quais ele aplicava decorações que os descaracterizavam.

Memphis

1981, Milão

Os integrantes do Memphis procuravam “um design que se apropriasse de estímulos de diversos contextos culturais, os valorizasse esteticamente e os transformasse em objetos. Uma nova sensualidade era procurada e que com sua popularidade pudesse estar presente em todos os continentes”.(BÜRDEK, 2006, p. 139 — grifo meu).

Estante Carlton, 1981

Mesa Flamingo, 1981

Estante Gritti, 1981

Memphis ajudou a promover e internacionalizar o design pós-moderno, como um movimento de transição para que as propostas do antidesign tivessem continuidade e materializassem em produtos, exposições, alcançando o público.

Referências

  • BÜRDEK, Bernhard. História, teoria e prática do design de produtos. São Paulo: Edgard Blücher, 2006.
  • CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004.
  • COELHO, Teixeira. Moderno pós-moderno. 2. ed. São Paulo: L&PM, 1990.
  • FIELL, Charlotte and Peter. El Diseño Del Siglo XXI. Icons. Itália: Taschen, 2003.
  • GARNER, Philippe. Sixties Design. Lisboa: Taschen, 2008.