Aprendendo a aprender

No primeiro texto depois que voltei a escrever no blog eu disse que escrever é um talento que se desenvolve através da prática, e que existe técnica envolvida. Quando disse aquilo não o disse por ser uma expert no assunto e ganhar dinheiro dando aulas disso por aí; simplesmente concluí que, como toda atividade e talento que parece inato, escrever é, antes, uma habilidade que se desenvolve.

Ainda que eu não esteja colocando aqui o resultado desses meus treinos, tenho escrito muito. Em quinze dias foram oitenta e sete páginas de um caderninho que uso para anotações, devaneios, estudos… enfim, qualquer coisa em que eu estiver pensando no momento. Escrevo todos os dias, e quando não estou escrevendo, penso no que poderia escrever. Todo esse treino tem rendido bons frutos, mas o principal deles é que finalmente entendi como funciona o processo através do qual adquiro um conhecimento ou habilidade.

OK, não. O que compreendi na verdade é a forma pela qual eu NÃO aprendo alguma coisa. E, sendo sincera, é algo que eu já sabia o tempo todo.

Explico: minha forma de aprender não pode envolver qualquer tipo de regra. Eu nunca aprendi direito, por exemplo, a regra da crase. Sempre que digo isso aparece alguma bem intencionada criatura para dizer que “ah, mas é simples, quer ver só?”, e me explicar novamente a tal da regra da crase, ignorando totalmente meus protestos dizendo que assim não vou aprender nunca, e achando que é total falta de vontade de minha parte*. Eu nunca vou aprender isso na minha vida, não desse jeito.

Porém, eu sei — e sei que sei — um milhão de outras regras que nunca me esforcei para aprender porque adquiri esse conhecimento de forma muito natural: vendo aquelas palavras passarem diante dos meus olhos incontáveis vezes e notando os padrões. Foi assim que aprendi inglês**, é assim que quero aprender (de verdade, e não esse portunhol sem vergonha que todo brasileiro acha que sabe) espanhol. É por isso que gosto tanto de História, Literatura e narrativas em geral; aquele emaranhado de fios que posso ir desfazendo os nós e tecendo significado. Foi por causa disso que as Ciências Exatas se tornaram um completo enigma para mim*** e, obviamente, o motivo pelo qual me tornei essa esponja de assuntos aparentemente desconexos que os mais espertos chamam de interdisciplinaridade.

Talvez isso seja um tipo de inteligência — ou um tipo muito grave de deficiência de raciocínio abstrato. Mas entendendo como eu aprendo as coisas, fica muito mais fácil aprender qualquer coisa. Inclusive Matemática.


*Porque parece mesmo. E talvez seja.

**Não sou fluente porque tropeço nas regras. Sempre tem uma delas para atrapalhar meu caminho…

***A Física, em compensação, eu entendo melhor. Deve ser porque ela tem “porquês” que a Matemática propriamente dita não tem.

Pense diferente

Recebi a newsletter semanal da Apple e a atirei direto no lixo.

E ainda tem o feature de não funcionar com pulsos tatuados.

E ainda tem o feature de não funcionar com pulsos tatuados.

Lembro de quando me mudei para Curitiba, dez anos atrás. Era uma capirona crente e assustada com a baita diferença social que me separava dos meus colegas de faculdade. A gente sabe que existe gente inimaginavelmente muito mais rica, mas é como o caviar: se você for pobre, dificilmente vai passar perto de uma coisa dessas. Mas eu tinha praticamente ganhado na loteria e estudava em uma das melhores (e mais caras) universidades particulares do estado, quiçá do Brasil, graças a um programa do governo que à época ninguém sabia direito como funcionava, e que mais tarde catapultou as participações no Exame Nacional do Ensino Médio — que agora servia para alguma coisa.

Na universidade tive acesso a um milhar de equipamentos e infraestrutura que jamais seria possível de outra forma e com os parcos rendimentos da minha família. Essa consciência tão palpável de diferença me fez desistir de sequer aprender a manusear uma câmera fotográfica de forma apropriada já no primeiro ano de curso pelo simples fato de que, pelo menos a médio prazo, eu jamais seria capaz de comprar uma daquelas, nem das mais simplezinhas. E eu nunca pensei muito no futuro; o futuro estava longe demais, e o que seria de mim depois de pegar o canudo era uma incognita tão grande que eu mal conseguia fazer planos.

No segundo ano de curso fiz estágio em um dos laboratórios da universidade, onde tive acesso irrestrito a computadores da Apple. Em sua maioria eram daqueles iMacs do começo dos anos 2000, aqueles G3 Indigo. Logo a instituição começou a trocar as máquinas, e então chegaram os primeiros iMacs daquela primeira geração que era feita de policarbonato branco. Eu era fascinada por tudo aquilo. Mesmo. No sentido de ter me imergido tanto nessa coisa que se a menor chance me fosse dada eu só falaria daquilo. Para ter uma noção, a coisa era patética a ponto de eu passar minhas férias dentro daquele laboratório porque não tinha amigos nem nada melhor pra fazer*. Eu disse que era muito caipira.

Anos depois consegui meu primeiro computador Apple, uso um iMac de 17″ no trabalho, dois iPods touch**, um iPod shuffle da primeira geração e um iPod nano da segunda já passaram pela minha mão. Sequer lembro como se usa Windows ou aquele amálgama que chamam de sistema operacional e que atende pelo nome de Linux. De fato gosto muito dos produtos, mas aquele encantamento deslumbrado obviamente passou. A gente cresce e amadurece — no meu caso, de uma forma bastante tardia em relação às pessoas da minha faixa etária devido ao meu isolamento social —, e vê que a vida adulta é sim ter o poder de escolher almoçar sorvete e não precisar encher o saco dos pais para ter um carregamento de Chamyto na geladeira, mas também é pagar seu próprio aluguel e se dar conta de que alguns produtos jamais vão estar na sua prateleira a menos que se financie em incontáveis prestações. Se meu Mac mini começar a pedir água logo, meu próximo computador infelizmente não será um Apple***.

Como disse lá no início, recebi a newsletter semanal da Apple e a atirei direto no lixo. Eu não faço parte desse mundo.


*Na minha época, as leis que regulavam estágio eram muito mais duras. Hoje estagiário tem até férias remuneradas, algo impensável até 2009.

**Preciso um dia contar a história de como escrevi pelo menos dois terços da minha dissertação usando meu iPod, o Google Drive, e um tecladinho bluetooth da Clone.

***Mas pode ser um Hackintosh.

Breve história do Gênero

Olá, meu nome é Fabiane, e vou guiá-la/o agora através de uma curta mas informativa jornada sobre a origem e os usos do termo “gênero”. Tentei ser o mais clara e o menos acadêmica possível, mas se dúvidas surgirem é só usar os comentários. :)

A palavra “gênero”, originalmente, designa um sistema de classificação nominal das línguas, que atua sobre substantivos, adjetivos etc, e é mais ou menos arbitrário. Em geral ele se relaciona ao sexo biológico, mas isso não necessariamente acontece em todos os idiomas. Nos idiomas indoeuropeus há essa relação com o sexo biológico, e geralmente existem três gêneros: masculino, feminino e neutro. Em português, o gênero neutro também existe, e é flexionado no masculino. Isso é tema para outro texto — e definitivamente não é o maior dos nosso problemas.

Por em geral se relacionar ao sexo dos indivíduos aos quais se refere em determinado idioma, o termo foi emprestado da linguística para a medicina por John Money, que passou a utilizá-lo entre os anos 1950 e 1960, também arbitrariamente, para diferenciar aspectos sócio-culturais de comportamento entre homens e mulheres. Ele defendia que tais comportamentos — surgidos, propagados e reforçados no interior da cultura — eram inatos: ou seja, mulheres e homens agem de tal e tal forma pois são “programados” para agir assim. Money também fez experimentos eticamente duvidosos em crianças, intersexuais e homossexuais, pois para ele quem não se conformava ao seu “gênero” só podia ser doente e necessitado de tratamento*. Se o termo “cura gay” passou pela sua cabeça neste momento, não é por acaso.

Na teoria feminista, o termo “gênero” foi popularizado pela antropóloga Gayle Rubin em 1975 no artigo “The Traffic in Women: Notes on the ‘Political Economy’ of Sex” [em português, “O trafico de mulheres: notas sobre a ‘economia política’ do sexo”]. O artigo é muito bem estruturado e o argumento de Rubin, muito bem desenvolvido. Mas tudo o que ela escreveu neste ensaio poderia ter sido escrito sem o termo “gênero” como mediador, porque só descreve a velha relação de exploração que tem como base o sexo biológico, infligida às mulheres pelos homens. Resumindo: “gênero” é um eufemismo que esconde a dinâmica dessa relação. E não que eu queira envenenar o poço, mas quase dez anos mais tarde, Gayle Rubin escreveu um artigo onde advoga abertura para se lidar e pensar o que ela chama de “cross-generational encounters“**. Sim, é exatamente isso que você está pensando.

Por causa desse artigo divisor de águas na história da teoria feminista, o termo “gênero” passou a ser utilizado largamente*** e, desde então, já sofreu modificações bastante drásticas em seu conceito e significado. Hoje se diz nos círculos acadêmicos que gênero é uma identificação com os signos usados socialmente para demarcar os territórios masculinos e femininos, e diferenciar homens e mulheres — saltos para restringir nossos movimentos, maquiagem como forma de dizer que o que importa é nossa aparência e que nunca seremos boas o suficiente nem nisso, implicações a respeito de uma suposta inferioridade intelectual das mulheres em relação aos homens como desculpa para nos manter longe da educação formal… a lista é imensa —, e que o ser mulher ou homem não é uma característica dada**** e independente de vontade individual, como o é a cor da pele ou a nacionalidade, mas uma identidade. É quase como dizer que os escravos romanos se identificavam com seus grilhões e gostavam muito de usá-los. Quase.

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Com essa breve história do gênero, eu queria apenas esclarecer e pedir encarecidamente a todas e todos que fazem uso desse conceito para que, se o forem utilizar, não o façam desinformados. E lembrar que não precisamos dele para teorizar sobre o patriarcado.


*Na mesma época em que foi feita a primeira cirurgia transsexualizante, Alan Turing foi condenado a tomar os mesmos hormônios utilizados no tratamento de mudança de sexo para que abandonasse a homossexualidade. Tendo estudado esse assunto à fundo, eu não acredito que isso seja mera coincidência.

**”[…] cross-generational encounters are still viewed as unmodulated horrors incapable of involving affection, love, free choice, kindness, or transcendence.” (RUBIN, 1984. p. 153)

***Já em 1975, quando “gênero” ainda não era popular e Gayle Rubin estava rascunhando sua obra mais famosa, uma publicação feminista fez uma crítica e um apelo para que se parasse de usar o eufemismo “sex role” em artigos feministas.

****Existe toda uma discussão a respeito da construção social da sexualidade, e eu não de todo discordo dela. Não vou abordá-la aqui para não me estender muito, mas deixo alguns exemplos: nós construímos nossos hábitos sexuais socialmente quando tomamos pílula e quando, enquanto sociedade, condenamos a promiscuidade nas mulheres. Isso não significa, porém, que machos e fêmeas deixam de existir. Pelo contrário: as relações humanas são bastante marcadas por essa característica biológica.

Triplog #4

3 de abril de 2015, 8:20 (hora local)
Nos levantamos às cinco e pouco da manhã, carregados o carro e, assim que a chuva deu uma trégua, caímos na estrada. Não sei se é efeito dessas estradas horrorosas do Mato Grosso, mas meu pai, o melhor motorista que eu conheço, parece ter ficado mais imprudente com a idade.

3 de abril de 2015, 9:44 (hora local)
Passando por Sinop. Finalmente uma rodovia duplicada.

3 de abril de 2015, 11:04 (hora local)
Entrando em Lucas do Rio Verde. O que eu escrevi sobre rodovia duplicada na entrada anterior foi uma mera ilusão: só tem rodovia duplicada na entrada dessas cidades maiores como Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde.

3 de abril de 2015, 16:44 (hora local)
Saindo de Cuiabá. Pelo tamanho do aeroporto que serve a região, eu achava que a cidade era bem menor. Pista dupla somente entre alguns poucos trechos entre Diamantina e Cuiabá. Tivemos sorte de pegar chuva no trecho do calcário.

3 de abril de 2015, 20:04 (hora local)
Acabamos de passar a divisa entre os Mato Grossos.

4 de abril de 2015, 10:47 (hora local)
Passando por Campo Grande. Ontem dormimos num ótimo hotelzinho em Sonora-MS. O WiFi estava tão bom que aproveitei pra tirar o atraso de Mad Men e vi 274685 episódios. Deu trabalho pra levantar hoje cedo.

4 de abril de 2015, 13:41 (hora local)
Queria entender como surgiu esse código visual usado nas estradas. Não o código das placas, o das estradas mesmo. Essa coisa de branco como sinal de que as faixas pertencem ao mesmo sentido, amarelo separando faixas de sentidos diferentes; de faixa contínua assinalando ultrapassagem proibida, faixa tracejada indicando ultrapassagem permitida. Quem bolou isso tudo? Como isso se estabeleceu como código internacional? Houveram objeções? Que livro será que posso consultar pra descobrir?

4 de abril de 2015, 17:02 (horário de Brasília)
Acabei de atravessar a ponte sobre o rio Paraná. A caminho de Presidente Prudente.

4 de abril de 2015, 19:47 (horário de Brasília)
Chegando em Maringá. Detesto. Odeio. Eu nasci nesse maldito lugar.

6 de abril de 2015, 3:39 (horário de Brasília)
Estou na casa de um primo meu em Maringá lutando pra tentar dormir e está impossível. Estou morta de cansaço, pensando em fazer um pacto e vender minha alma para o primeiro demônio que aparecer na minha frente prometendo que vai me fazer dormir.

Fui com alguns amigos no cinema e vi um filme em que a Julianne Moore sofre de Alzheimer e saí de lá em pânico achando que estou numa situação muito pior que a da protagonista, porque certamente meu cérebro está ordens de magnitude mais deteriorado que o dela; fiquei achando que breve é o dia em que vou mijar nas calças porque me esqueci onde é o banheiro. O primo disse que provavelmente não tenho doença degenerativa alguma, que é estresse e que eu deveria tratar a causa dele.

Pensando bem, acho que foram muito poucos os dias em que me senti descansada desde… Desde… Acredito que desde que terminei a faculdade — e isso já fazem seis anos. Tirei três férias nesse meio tempo (esta é a terceira), e para dizer a verdade não relaxei absolutamente nada em nenhuma delas, ao ponto de pegar raiva do conceito “férias”: além de me ser um período inútil e improdutivo de tempo, não servia nem ao menos para deixar a mente mais leve.

Preciso dar um jeito nessa ansiedade.

6 de abril de 2015, 15:26 (horário de Brasília)
Finalmente conseguimos sair de Maringá. Passando por Mandaguari, uma loja de beira de estrada chamada “Loja Country Cowboy Life”. O Paraná é o Novo México do Brasil.

6 de abril de 2015, 16:16 (horário de Brasília)
O Paraná é um dos estados mais criativos quando se trata de batizar suas cidades com nomes esdrúxulos. Só o trio Rolândia, Borrazópolis e Ponta Grossa tem toda uma mística, uma mensagem subliminar, e provavelmente uma explicação bastante razoável pra homofobia generalizada dos nossos representantes estaduais no Legislativo.

6 de abril de 2015, 21:06 (horário de Brasília)
Chegamos à Curitiba. Não existem palavras para descrever o quanto eu amo essa cidade.

Triplog #3

1º de abril de 2015, 21:43 (hora local)
No log que foi apagado sem querer eu contava que experimentei carne de paca e que havia presenciado pelo menos três crimes ambientais em um único dia* — talvez comer a carne da paca seja o quarto deles, mas acredito que não: lembro da minha mãe ter dito que trata-se de uma iguaria bastante apreciada por quem tem dinheiro para pagar os cerca de 70 reais o quilo que ela custa. O gosto dela fica ali entre o sabor da carne do porco com o do peito de frango, mas eu, pessoalmente, não sou a pessoa mais indicada para avaliar carnes.

Não fiz nada de interessante hoje além de ir em uma sorveteria com o único propósito de usar a internet, e mesmo isso foi quase impossível dada a velocidade da conexão. Na mesma sorveteria havia um protótipo de Jeremias, que só faltou cantar e dizer que “o cão foi quem botou pra nóis bebê”, porque a parte de dizer que iria matar geral se mexer com ele foi dita. Mas senti falta do “mato inté o delegado se ele for abusivo”.

*Hoje comi pintado, e talvez isso possa se configurar em crime ambiental, dada a época do ano e o tamanho do pescado em questão.

2 de abril de 2015, 13:04 (hora local)
Voltando de Guarantã do Norte, onde fomos resolver burocracias e parte da revisão do carro (mudaram as regras para extintores) para a viagem de volta, que começa amanhã cedo.

Nunca deixo de me surpreender com as diferenças culturais das pessoas que vivem acima do Trópico de Capricórnio. Aqui, neste calorão, não existe a noção de “espaço pessoal” que existe no sul, aquela coisa de ficar a uma distância segura de outra pessoa e evitar contato físico desnecessário*. OK, normal: até mesmo no Paraná, quanto mais ao norte se vá, mais as pessoas se aproximam de você numa fila**, e ficam fungando no seu cangote. Mas o que realmente me surpreende é que o norte do Mato Grosso foi todo colonizado por sulistas — que têm muito entranhada em sua cultura a tal da noção de “espaço pessoal”.

*Sim, nós sulistas somos frescos. Deve ser o clima.

**Ao ponto de eu ficar imaginando que na linha do Equador as pessoas simplesmente se colem umas às outras, tentando violar alguma lei da Física.

2 de abril de 2015, 15:48 (hora local)
Mal comecei a ler o Quando as Bruxas Viajam/Witches Abroad do Pratchett e já encontrei uma referência a Ray Bradbury e outra ao Montaigne da antropologia. Chupa, NLFBR! Tive que parar porque a bateria do Kindle arregou.

2 de abril de 2015, 16:44 (hora local)
“Menino, deixei a enxada ali na roça e ela não fez foi nada!” (PAI, Meu. 2015)

2 de abril de 2015, 20:07 (hora local)
Acho tão engraçado como a imprensa insiste em falar em “trabalhador doméstico“, sendo que é um tipo de trabalho que majoritariamente é mulher quem faz… Claro que, trabalhando na imprensa, sei que insinuar que é um trabalho que só mulher faz — e que por isso mesmo demorou tanto pra que essa categoria profissional conseguisse direitos trabalhistas garantidos em lei — pegaria mal, mas que é, é.

2 de abril de 2015, 21:12 (hora local)
Diz o jornal que o piloto alemão era suicida e pesquisou na internet sobre suicídio. Este é um dado relevante porque, afinal, aparentemente suicidas não pesquisam sobre suicídio na internet.

2 de abril de 2015, 22:18 (hora local)
Fazia muito tempo que eu não assistia à TV aberta. Provavelmente desde a minha infância eu não ficava diante de uma televisão vendo a programação durante tanto tempo quanto na minha estadia aqui no sítio. E nunca em toda a minha vida eu assisti tanto a programação da Record.

Hoje caiu um helicóptero com o filho do Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, dentro. E a cobertura jornalística do caso feita tanto pelo Jornal da Record quanto pelo programa do Gugu logo na sequência são dignas de Pinga Fogo*. Chamaram um tal de comandante Amilton — provavelmente a primeira pessoa a chegar no local do acidente —, que teve uma paciência de Jó** para responder as perguntas estapafúrdias do Gugu, que eram do tipo “ah, mas se um motor pára de funcionar, como fica? E se ambos os motores param? Mas e se alguém colar um chiclete na hélice do veículo? Se alguém quiser fazer xixi durante a viagem a aeronave pára?”. Repetiram à exaustão todas as informações imediatamente depois de as transmitirem, como que para informar a pessoa que, parada em um único momento do tempo, ouvisse o televisor da cozinha e fosse correndo saber o que tinha acontecido várias vezes seguidas.

Antes disso teve uma reportagem com a Andressa Urach, que passou por complicações médicas depois de um implante de hidrogel, sobreviveu e agora se converteu e virou discípula de Edir Macedo. Exploraram a vida da moça todinha, e ela própria contribuiu, dizendo que já tem contrato com uma editora e que vai lançar um daqueles livros tipo “tell all”.

A Globo empalidece na comparação.

*Falecido apresentador de um programa noticioso popular local de Maringá.

**Aproveitando a Record para usar metáforas religiosas.

Calor: diagnóstico, tratamento e prevenção

O Calor é um fenômeno que atinge a maior parte da população brasileira. Ainda que em algumas regiões ele possa ser interrompido por estações climáticas mais amenas durante alguns meses do ano, e mesmo que o indivíduo mude-se para latitudes mais favoráveis, o Calor costuma atingir todo o território nacional mais cedo ou mais tarde, e traz consigo conseqüências desastrosas. Fique atento! Você pode estar sofrendo deste mal e nem se dar conta.

O primeiro sintoma que pode indicar que uma pessoa possa estar com Calor é uma alta elevação da temperatura corporal, seguida de suor. Cuidado! A partir desse momento o corpo começa a perder muita água na tentativa de compensar o desequilíbrio térmico e pode levar à desidratação. A boca pode secar e a pele, apesar de toda a gordura exalada pelas glândulas sebáceas no processo, secar. Tenha sempre consigo uma garrafa de água, de preferência bastante gelada.

Outro sintoma que pode se manifestar ainda nos primeiros estágios do calor é a fadiga, geralmente causada por uma já esperada queda da pressão sangüínea. Em razão da dilatação dos vasos, há mais espaço para o sangue circular pelo corpo e os nutrientes são gastos mais rapidamente. O coração também começa a trabalhar em um ritmo mais lento devido ao alto fluxo que precisa bombear. Consequentemente, todo o corpo reduz a velocidade, e o paciente pode sentir tontura, moleza, sono e vontade constante e inevitável de se deitar em uma rede sob sombra.

A motivação para fazer qualquer atividade minimamente produtiva também é uma das primeiras coisas a desaparecerem quando alguém sofre de Calor. Sair de casa? Praticar atividades físicas? Trabalhar? Ler? Tudo isso fica ainda mais difícil na presença do Calor. A produtividade fica seriamente comprometida, de modo que algumas atividades podem levar até mesmo muito mais que o dobro de tempo para serem realizadas, porque para o paciente a sensação é de que a quantidade de esforço despendida para a realização da tarefa parece ter quadruplicado.

O suor, quando em excesso, pode também provocar graves desconfortos e levar à situações bastante desagradáveis e constrangedoras, principalmente quando se trata das interações sociais. Para evitar esses transtornos, mantenha a higiene corporal em dia e, se possível, leve na bolsa um desodorante, principalmente se não for possível evitar o uso do trasporte coletivo. Lembre-se também de tomar banhos com certa regularidade: pelo menos uma vez por dia. Além de prevenirem o mal odor, também ajudam a baixar a temperatura corporal e aliviar os demais sintomas.

Medidas que podem ser tomadas para prevenir e aliviar o Calor:

Evite atividades “de Calor” que são inapropriadas para tal condição: se não envolve um ambiente refrigerado, a visita a um parque aquático e o consumo incessante de bebidas geladas, não vale a pena.

Tenha em casa um sistema de ar condicionado: apesar de caro de comprar e manter — o crescimento na conta de luz é substancial —, ter um desses em casa pode salvar muitas vidas.

Tenha uma piscina: a água, seja em banhos ou ingerida, é a melhor forma de aliviar este mal que aflige tantos brasileiros. E a imersão nela ainda parece ser indiscutivelmente o melhor tratamento.

Seja rica/o: ar condicionado, piscina, falta de vontade de trabalhar… Se o Calor chegou a um ponto insuportável, nada melhor que ter uma renda de acordo com as necessidades de sua saúde. Sejamos sinceros: ser um pobre encalorado não é a melhor coisa que pode acontecer a alguém.

Ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado.

Triplog #2

29 de março de 2015, 22:11 (hora local)
Apaguei, sem querer, todo o log que havia escrito nos últimos dois dias. Esse Google Keep tem ícones que não fazem o menor sentido.

30 de março de 2015, 4:36 (hora local)
O dia mais quente até agora. Estou quase escrevendo meu próprio atestado de óbito. Causa mortis: fui cozida.

31 de março de 2015, 7:27 (hora local)
Acordei com uma revoada de maritacas. Aparentemente a programação para hoje inclui uma visita ao sítio de uma prima.

31 de março de 2015, 17:32 (hora local)
O sítio da prima fica num lugar ainda mais isolado que o sítio do meu pai. Ao norte de Guarantã do Norte, passamos por um trechinho da chamada Amazônia Legal, pegamos três ou quatro estradas de terra diferentes (com tipos diferentes de terra), uma poça de água onde pensei que o carro fosse atolar, até que chegamos num lugar no meio do nada cercado de pedras enormes e uma cadeiazinha de morros — algo que eu julgava quase impossível de existir no Mato Grosso.

O capim era tão alto lá que era impossível ver o que havia adiante. Para tentar chegar a um dos tanques de água onde o marido da prima cria pintados, encarei centenas de minicortes provocados pelo mato em toda a perna, mas sem reclamar pois já sabia o que me aguardava.

À tarde fui tentar adiantar minhas leituras, mas pelo menos dez porcento (não é hipérbole) do primeiro volume d’O Capital editado pela Boitempo é basicamente composto por prefácios e posfácios das inúmeras edições da obra nos mais diferentes países e idiomas, antes e depois da morte de Marx. Quando enfim consegui chegar no texto propriamente dito — pulando trechos consideráveis, que pretendo ler mais tarde —, já estávamos voltando, e não consigo ler por muito tempo no carro.

Minha perna ainda arde, mas valeu a pena ver os pintados serem alimentados, botando os bigodes para fora da água.

Triplog #1

25 de março de 2015, 22:32 (horário de Brasília)
No vôo de Cuiabá com destino a Alta Floresta no qual viajei (escrevo estas linhas a bordo de um ATR 42 — ou será um ATR 72? O cartão com instruções em caso de acidente não especifica) havia a edição de março da Azul Magazine que trazia uma entrevista com Luis Fernando Veríssimo. Nela, o escritor diz que gostaria de ter sido autor de um texto atribuído a si que circula na internet, de nome “Quase”. Não conheço ou não me lembro de ter lido. Uma vez que textos dessa natureza raramente possuem um autor identificável com nome e sobrenome, mesmo que ele aparecesse e assumisse sua autoria, jamais alguém acreditaria de fato. Mas fico aqui imaginando que tipo de satisfação pessoal esse cara (ou moça) não deve estar sentindo se tal informação chega a seus ouvidos. Eu teria enfartado na hora.

26 de março de 2015, 2:01 (horário de Brasília)
Estou em um hotelzinho no norte do Mato Grosso, insone e tentando fazer um debriefing da viagem até aqui (ela continua mais 120 km a nordeste amanhã). E então lembrei do carioca. Pois bem: no meu vôo tinha um carioca cujo acompanhante não disse uma única palavra durante todo o trajeto. Mas ele mesmo veio despejando seu monólogo olavete com pitadas de Ayn Rand sobre todos os passageiros do avião durante as quase duas horas de viagem — e era uma aeronave pequena! Como se não bastasse o papo, tinha o agravante do sotaque. Nada contra cariocas, tenho até amigos que são, mas esse sotaque, como diria minha mãe, é de lascar o cano. Fiquei durante um tempo considerável matutando sobre até que ponto uma ideia idiota pode ser levada em conta como apenas mais uma ideia e até que ponto ela pode ser sumariamente dispensada, enquanto tentava me concentrar na leitura de um trecho de “A Ideologia Alemã” em que Marx discorre sobre a ingenuidade do pensamento dos Jovens Hegelianos e Feuerbach, se é que entendi direito.

26 de março de 2015, 10:33 (horário de Brasília)
Alta Floresta é um jovem município localizado no chamado Nortão do Mato Grosso. Fica a 800 km da capital Cuiabá e seus habitantes têm o estranho hábito de mudar o sentido das ruas ao modo inglês, e é bastante provável que isso aconteça de maneira totalmente inadvertida. O comércio tem grandes extensões de calçada na frente, convertidas em estacionamento, e a cidade toda deve ter aproximadamente três semáforos. Um prato cheio para os motoristas de Hilux que habitam a região.

Nada aqui fica aberto depois da meia-noite, com exceção dos “prensadões”: banquinhas de cachorro quente e mil variações de x-salada feitas na chapa — daí o nome. Talvez a maior iguaria alimentícia do local. Recomendo muito.

26 de março de 2015, 21:03 (hora local)
Depois de um dia atravessando pelo menos 80 km de estrada de terra, pontes precárias, e uma balsa atravessando um dos principais rios do estado, e descobrindo que mercados em cidadezinhas isoladas têm frutas muito mais bonitas e baratas que os mercados do sul com os mesmos fornecedores*, finalmente cheguei ao meu destino e agora assisto ao Canal do Boi com meus pais. Antes de pensar que é uma péssima opção televisiva, há neste canal transmissões ao de leilões ao vivo em todo o território nacional de seres sencientes mas não conscientes que valem mais que todo o dinheiro que jamais vai passar pelas minhas mãos em toda a minha vida. Mas era isso ou algum televangelista neopentecostal genérico.

*Isso pôde ser verificado através de um exame atento das etiquetas de frutas como melões, melancias e maçãs.

26 de março de 2015, 23:04 (hora local)
Que motivos levaram o jovem piloto alemão a conduzir um avião com cento e cinqüenta pessoas direto para o chão? Não sei, mas um dos integrantes da dupla sertaneja Jads & Jadson — não sei se o Jads ou o Jadson — é a cara do Messi.

Ficando longe

Não sei, mas acho que as funcionárias do Cantata Café desconfiam seriamente que venho aqui apenas para usar internet. É verdade, mas também porque é um lugar confortável no centrão da cidade com boas opções para bebericar líquidos não alcoólicos, e se preciso “fazer hora” — como agora —, é o lugar perfeito para isso. O bom é que fico constrangida e sempre compro alguma coisa para compensar o uso indiscriminado do acesso gratuito à internet e das mesas e assentos acolchoados grandes e confortáveis. O ruim é que sempre ando cheia de tralhas, como livros e guarda-chuvas, e sempre acabo ocupando uma mesa inteira em que caberiam quatro ou mais pessoas.

Neste exato momento pago pelo meu acesso à internet com um café expresso pequeno, que certamente vai me provocar uma enorme azia, enquanto rabisco estas palavras no celular e alterno essa atividade com a leitura de “Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo”, de David Foster Wallace. Conheci o DFW por acaso: não lembro exatamente como veio me parar nas mãos aquele discurso de formatura que ele fez sobre os peixinhos que não enxergam a água onde estão mergulhados. Aí soube que ele cometeu suicídio na década passada e descobri que sua mais famosa obra era “Infinite Jest”, um catatau de mil páginas — sendo metade delas apenas notas de rodapé — e resolvi topar o desafio, porque se tem uma coisa que me fascina essa coisa é notas de rodapé*. Algumas semanas me debatendo com o livro foram suficientes para me fazer desistir (pelo menos por agora) da leitura do que um amigo apelidou de “Infinite Tijolo”. No canal da Tatiana Feltrin descobri que ele também escreveu contos. Era por aí que eu tinha de começar. Baixei o “Ficando Longe do Fato etc”, joguei no Kindle e estou na metade.

Gostei bastante da forma como o DFW narra as duas (por enquanto) aventuras por que passou a mando da revista Harper nos ensaios “Uma coisa supostamente divertida que eu nunca mais vou fazer” e o texto que dá nome ao livro. Se tenho alguma ambição literária, esse é o tipo de coisa que eu gostaria de escrever — incluindo aí a parte de ser paga para viajar em cruzeiros de luxo. Esse tipo de narrativa de coisas aparentemente banais com observações perspicazes sobre as mesmas** é também o tipo principal de coisa que me atrai em todos os escritores de que sou fã, de Luís Fernando Veríssimo, passando por Kurt Vonnegut, e indo até Douglas Adams. Ainda que algumas de suas observações sejam um tanto maldosas, a ponto de ofender até mesmo um amigo que tem uma fascinação suspeita por nazismo e Segunda Guerra em geral.

Agora, ainda no Cantata Café, tento: 1) escrever um parágrafo de encerramento para esse texto; 2) aplacar a vontade de esvaziar a bexiga pensando em outra coisa; 3) aplacar a azia e a queda imediata de pressão sanguínea que o expresso provocou com uma soda italiana de framboesa (não tinham xarope de tangerina); 4) ler o “Ficando Longe do Fato de etc” até atingir a marca dos 50% no Kindle e poder, portanto, registrar o progresso de leitura em meu perfil no Skoob. Meio que falho em cada uma dessas coisas e, como está dando meu horário e sou bastante paranóica com isso, resolvo pagar e ir embora. Mas não sem antes editar e publicar esse texto, torcendo pra que o aplicativo mobile do WordPress aceite tags HTML.


*É bastante provável que, entre minhas motivações, eu tenha embarcado nessa de carreira acadêmica apenas para satisfazer essa vontade inconsciente de colocar notas de rodapé em textos, que talvez nada mais seja que uma fuga do assunto principal em forma de pequenos adendos que, por sua vez, chegam a dar um certo alívio ao quebrar a linearidade do texto. Eu acho, pelo menos.

**A nota de rodapé dele sobre Sorrisos Profissionais (significa exatamente o que parece) e as observações sobre publicidade em geral são especialmente perspicazes. Trecho: “Serei a única pessoa certa de que o número crescente de casos em que pessoas de aparência totalmente normal de repente abrem fogo com armas automáticas dentro de shoppings centers, seguradoras, clínicas médica e McDonald’s tem relação causal com o fato de que esses locais são notórios centros de disseminação do Sorriso Profissional?”

Texto puro em eBook: um pequeno tutorial

No fim do ano passado fiz um cursinho online de Python no Coursera. Provavelmente esqueci a maior parte do que aprendi, mas pelo menos já sei mais ou menos como me guiar na linguagem caso precise fazer algo com ela. O que me motivou a fazer esse curso foram os livros. Converter um PDF de alguma edição fora de catálogo era algo próximo de viver o inferno, mas eu meio que tomei gosto pela coisa e queria arranjar formas mais eficazes de processar todo esse texto que extraía desses livros, e foi assim que surgiu este pequeno script.

E como entre alguns amigos eu virei uma espécie de referência quando se trata disso — uma atividade que eu transformei num tipo muito estranho e masoquista de hobby —, resolvi fazer aqui um tutorialzinho de como criar ebooks a partir do momento em que você já tem o texto pronto e processado, porque a parte de aprontar o texto é muito chata e ninguém em sã consciência além de mim e alguns malucos tem paciência para essa primeira parte. Talvez renda um texto futuro, mas não tenho muita certeza. Uma coisa que aprendi nos últimos vinte e sete anos e meio é que não se deve esperar muita coisa de mim.

Vamos lá. Você vai precisar de:

  • O programinha Calibre instalado em seu computador
  • Conhecimento básico em HTML e CSS

Abra o Calibre e clique em “Adicionar livros” e depois em “Adicionar um livro vazio (uma entrada de livro sem nenhum formato)”. Vai aparecer a janelinha da imagem abaixo depois, e você preenche — ou não, isso também pode ser preenchido depois — conforme a necessidade.

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O livro recém-criado vai aparecer em sua biblioteca como um livro comum, mas se você abrir ele vai estar… erm… vazio. Clique nele com o botão direito e depois em “Edit book” (sim, a tradução do Calibre é meio cagada). Uma segunda janela será aberta. Aí você pode acrescentar arquivos em html, fontes, imagens etc, no seu novo livro. Recomendo usar um arquivo HTML pra cada capítulo, e para cada elemento pré e pós-textual. E, claro, usar as tags HTML semanticamente — ou seja, direitinho: H1 pra título geral, H2 pra títulos principais, H3 pra subtítulos, P pra parágrafos etc. Você também pode definir classes e estilos em CSS pra deixar a parada mais bonita, como por exemplo formatar blocos de citação e epígrafes de capítulos.

A imagem abaixo é do arquivo da edição brasileira de “A Dialética do Sexo” que eu converti em ebook no fim do ano passado. Deu um trabalho do cão pois o texto estava com o OCR cagado e o scan não estava muito legível; fora que o programa de OCR que usei não era lá muito bom com língua portuguesa. Tive que reescrever boa parte do texto.

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A parte mais chata de transformar esses livros velhos em ebook é fazer as referências e as notas de rodapé: tem que fazer links com âncora, e se o livro tiver muita nota você pode se confundir bonito nessa parte. Quando converti o volume dois d’O Segundo Sexo em ebook cometi um erro no começo e ele foi “herdado” por boa parte do livro; tive que fazer tudo de novo, então recomendo bastante cuidado nessa parte.

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Dicas

  1. Esse livro criado do zero vai estar em formato ePub — o formato aberto aceito pelos leitores digitais em geral, inclusive o Kobo. Pra ler no Kindle, é só ir na biblioteca, clicar com o lado direito do mouse e mandar o Calibre converter o arquivo no formato mobi.
  2. Use o Word para fazer a revisão do texto: mesmo que você tenha que corrigir certos termos você mesmo — em inglês por exemplo —, ele vai marcar o que estiver estranho no texto e vai ser mais fácil de encontrar essas ocorrências e revisar.
  3. tuto-calibre-4O botãozinho “Verificar livro” no editor de livros do Calibre é mágico. Ele vai procurar incongruências no seu código e ajudar a corrigir se alguma tag HTML estiver fora do lugar.

Isto fica feliz em ser útil. Até amanhã! o/