Ontem me chegou a notícia de que uma repórter americana a serviço da CBS no Egito, Lara Logan, foi cercada por uma turba de 200 animais (porque não dá pra chamar de gente) e brutalmente agredida e estuprada. Logan cobria a revolução egípcia e estava na praça Tahrir, no centro da cidade do Cairo, quando tudo aconteceu.
É interessante pensar que há quem diga que nós, ocidentais, somos muito mais civilizados que esse grupinho que habita essa distante parte do planeta, que aqui os direitos femininos, de gênero e raça são muito bem respeitados sim senhor, e que quem reclama quer só chamar a atenção, é feminazi e se faz de vítima. Esperar o quê de gente que é desde pequeno educado a pensar que, se uma mulher é abusada sexualmente, a culpa é dela, ela que fez alguma coisa errada?
Basta fazer uma busca rápida por “Lara Logan culpa” pra ver o pessoal destilando toda a sua humanidade e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, dizendo coisas como (todas elas achadas em um único fórum):
Quem pode culpar os caras…
tambem, olha a jornalista q mandam pro meio daquele inferno
Sofreria estupro em qualquer lugar perigoso.
Também, olha essa mulher, quem não estupraria?
Tá certo os caras, eu faria o mesmo
Eu não estupraria, eu chamaria pra sair, daí sim, em caso de recusa…
gata assim, no meio de um país só com mulhe feia e peluda, numa revolução, praticamente pedindo para ser estuprada….
EU FARIA O MESMO KKK
MULHER BURRA, FALO MERMO.
ELA DEVIA SABER QUE ELA FOI ENVIADA JUSTAMENTE POR ISSO, PRA BAUDUCAREM OS CARAS.
QUEM EM SÃ CONSCIÊNCIA ENVIARIA UMA MULHER DESSA EM UM MOMENTO DE TENSÃO SOCIAL, DE BARBÁRIE??
Brincadeira ou não, não tem a menor graça. Pode ter pra quem não é mulher nem tem medo de andar por aí sozinha de noite sem medo de ser agredida. Ah, mas é óbvio, né? Ela pediu por isso, deu mole, sabe que mulher tem que ter mais cuidado, etc. Pois eu digo somente: ninguém deveria ter medo de sair na rua por simplesmente ser quem é.
O dia em que piadinhas machistas, homofóbicas e racistas perderem a graça, aí sim poderemos falar em igualdade.