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	<title>Megalopolis &#187; mundo estranho</title>
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	<description>O Primeiro Blogazine Brasileiro do Universo</description>
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		<title>Grandes Desculpas Esfarrapadas da Humanidade</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:18:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[Hipátia de Alexandria foi uma das grandes mentes de seu tempo. Matemática e filósofa, lecionava na Academia Neoplatônica de Atenas, vivendo rodeada de estudantes e sábios que nunca se decepcionavam ao tirar suas dúvidas com ela. Porém, em 415 D.C., &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/grandes-desculpas-esfarrapadas-da-humanidade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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		<div style="clear:both;"></div><p><img src="http://fabianelima.com/blog/wp-content/uploads/hipatia_150512.jpg"></p>
<p>Hipátia de Alexandria foi uma das grandes mentes de seu tempo. Matemática e filósofa, lecionava na Academia Neoplatônica de Atenas, vivendo rodeada de estudantes e sábios que nunca se decepcionavam ao tirar suas dúvidas com ela. Porém, em 415 D.C., quando tinha aproximadamente 45 anos, Hipátia foi atacada na rua, e ferozmente assassinada. Motivo: o Cristianismo precisava ser fortalecido, e a ciência ensinada por ela era uma manifestação pagã. Hipátia foi assassinada em nome de Deus.</p>
<p><strong>Fonte:</strong> SAGAN, Carl. O Mundo Assombrado Pelos Demônios: a ciência como uma vela no escuro. 2002.</p>
<p><em>Publicado originalmente em 7 de dezembro de 2008.</em></p>
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		<title>Estupro? Ela pediu!</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Feb 2011 15:16:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ontem me chegou a notícia de que uma repórter americana a serviço da CBS no Egito, Lara Logan, foi cercada por uma turba de 200 animais (porque não dá pra chamar de gente) e brutalmente agredida e estuprada. Logan cobria &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/estupro-ela-pediu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Festupro-ela-pediu%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
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						data-text="Estupro? Ela pediu!" data-url="http://fabianelima.com/blog/estupro-ela-pediu/" 
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		<div style="clear:both;"></div><p>Ontem me chegou <a href="http://www1.folha.uol.com.br/mundo/876227-correspondente-da-cbs-foi-estuprada-na-praca-tahrir-no-egito.shtml">a notícia</a> de que uma repórter americana a serviço da CBS no Egito, Lara Logan, foi cercada por uma turba de 200 animais (porque não dá pra chamar de gente) e brutalmente agredida e estuprada. Logan cobria a revolução egípcia e estava na praça Tahrir, no centro da cidade do Cairo, quando tudo aconteceu.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" width="640" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/BixK7Met588" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>É interessante pensar que há quem diga que nós, ocidentais, somos muito mais civilizados que esse grupinho que habita essa distante parte do planeta, que aqui os direitos femininos, de gênero e raça são muito bem respeitados sim senhor, e que quem reclama quer só chamar a atenção, é feminazi e se faz de vítima. Esperar o quê de gente que é desde pequeno educado a pensar que, se uma mulher é abusada sexualmente, <a href="http://www.watchtower.org/t/my/article_20.htm">a culpa é dela</a>, ela que fez alguma coisa errada?</p>
<p><iframe title="YouTube video player" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/NTxUWQ2IE6s" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Basta fazer uma busca rápida por &#8220;Lara Logan culpa&#8221; pra ver o pessoal destilando toda a sua humanidade e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, dizendo coisas como (todas elas achadas em <a href="http://forum.esporte.uol.com.br/jornalista-americana-sofre-estupro-no-egito_t_1340134?&#038;page=1">um único fórum</a>):</p>
<blockquote><p>Quem pode culpar os caras&#8230;<br />
tambem, olha a jornalista q mandam pro meio daquele inferno<br />
Sofreria estupro em qualquer lugar perigoso.<br />
Também, olha essa mulher, quem não estupraria?<br />
Tá certo os caras, eu faria o mesmo<br />
Eu não estupraria, eu chamaria pra sair, daí sim, em caso de recusa&#8230;<br />
gata assim, no meio de um país só com mulhe feia e peluda, numa revolução, praticamente pedindo para ser estuprada&#8230;.<br />
EU FARIA O MESMO KKK<br />
MULHER BURRA, FALO MERMO.<br />
ELA DEVIA SABER QUE ELA FOI ENVIADA JUSTAMENTE POR ISSO, PRA BAUDUCAREM OS CARAS.<br />
QUEM EM SÃ CONSCIÊNCIA ENVIARIA UMA MULHER DESSA EM UM MOMENTO DE TENSÃO SOCIAL, DE BARBÁRIE??</p></blockquote>
<p>Brincadeira ou não, não tem a menor graça. Pode ter pra quem não é mulher nem tem medo de andar por aí sozinha de noite sem medo de ser agredida. Ah, mas é óbvio, né? Ela <em>pediu</em> por isso, deu mole, sabe que mulher tem que ter mais cuidado, etc. Pois eu digo somente: <strong>ninguém deveria ter medo de sair na rua por simplesmente ser quem é</strong>.</p>
<p>O dia em que piadinhas machistas, homofóbicas e racistas perderem a graça, aí sim poderemos falar em igualdade.</p>
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		<title>Amigos</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Jan 2011 20:48:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Famigos%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
						scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:px; height:27px;" allowTransparency="true"></iframe></div><div class="really_simple_share_twitter" style="width:100px;"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-count="horizontal" 
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		<div style="clear:both;"></div><p><img src="http://fabianelima.com/blog/wp-content/uploads/tit_09012011.png"></p>
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		<title>Reality Show</title>
		<link>http://fabianelima.com/blog/reality-show/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 16:26:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante um fim de semana extremamente quente e cansativo de faxina, eu e o namorado começamos a conversar sobre aqueles países em que, de tão ricos e igualitários, não existe o conceito de empregada doméstica, onde cada um tem que &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/reality-show/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Freality-show%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
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		<div style="clear:both;"></div><p>Durante um fim de semana extremamente quente e cansativo de faxina, eu e o <a href="http://blog.naftali.com.br/">namorado</a> começamos a conversar sobre aqueles países em que, de tão ricos e igualitários, não existe o conceito de empregada doméstica, onde cada um tem que lavar sua própria privada e faxineiros e médicos têm salários equiparados. E ele começou a imaginar um reality show onde ricaços do nível de Eike Batista e Narcisa Tamborindeguy teriam de fazer exatamente aquilo que fazemos sempre: matar um leão por dia.</p>
<p><img src="http://fabianelima.com/blog/wp-content/uploads/il_21122010.png"></p>
<p>Dez participantes especialmente selecionados por suas características peculiares e incomuns &#8211; uma conta bancária (ou mais) recheada de dinheiro e muitos bens em seus nomes &#8211; confinados e monitorados 24 horas por dia em uma casa de classe média de pouco mais de setenta metros quadrados. Sem luxos ou confortos, apenas uma casa comum como a de qualquer brasileiro. Talvez um carro na garagem, mas apenas um, popular, sem ar condicionado, insulfilm ou direção hidráulica.</p>
<p>Além disso, os participantes do reality terão de limpar a própria casa, lavar roupa, fazer compras, desentupir encanamentos, etc, tudo isso sendo constantemente vigiados e com transmissão em tempo integral. A única coisa que poderão levar para a casa são três mudas de roupa para os primeiros dias, mas logo terão de apertar seu orçamento para realizar os gastos necessários. E para isso, terão de mudar de hábitos.</p>
<p>Durante dois meses e meio, os participantes terão de trabalhar em empregos comuns com salários cujos valores podem variar de setecentos a mil e quinhentos reais, mas nada além disso. Terão de batalhar pelos seus empregos para serem verdadeiramente merecedores do salário, e poderão sofrer penalidades caso não estejam agindo de acordo.</p>
<p>Devem organizar seu orçamento em conjunto, de modo a não se endividarem, e pagar suas contas em dia. E de tempos em tempos, a produção danificará propositadamente algum móvel ou eletrodoméstico, obrigando os moradores da casa a se apertarem economicamente para ajeitarem sua situação.</p>
<p>A cada semana, um participante será eliminado por voto popular. Conforme cada participante é eliminado, a situação dos restantes piora, uma vez que o orçamento doméstico não mais contará com o salário daquele integrante da &#8220;família&#8221;. Conflitos de alto teor dramático podem ser gerados a partir daí, levando o público a loucura, e revelando aspectos da personalidade dos participantes anteriormente desconhecidos, uma vez que o conforto e o dinheiro não permitiam que fossem revelados.</p>
<p>Se algum ricaço irá topar participar desse reality show, aí já é outra história. Pelo menos haverá a oportunidade de mostrar ao mundo se o dinheiro traz mesmo felicidade ou não. Se ninguém topar, a resposta já está dada.</p>
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		<title>Meninos e Meninas</title>
		<link>http://fabianelima.com/blog/meninos-e-meninas/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 18:58:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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		<category><![CDATA[identidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Minha mãe fez de tudo para eu virar mulherzinha. Como toda mãe normal, ela me comprou roupas rosas, me deu bonecas, brinquedos &#8220;de menina&#8221; e me encheu o cabelo de cachinhos e lacinhos. Minha irmã caçula, quase dois anos mais &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/meninos-e-meninas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Fmeninos-e-meninas%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
						scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:px; height:27px;" allowTransparency="true"></iframe></div><div class="really_simple_share_twitter" style="width:100px;"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-count="horizontal" 
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		<div style="clear:both;"></div><p>Minha mãe fez de tudo para eu virar mulherzinha. Como toda mãe <i>normal</i>, ela me comprou roupas rosas, me deu bonecas, brinquedos &#8220;de menina&#8221; e me encheu o cabelo de cachinhos e lacinhos. Minha irmã caçula, quase dois anos mais nova, era tratada igual pela pouca diferença de idade: mesmas roupas, mesmos brinquedos, mesmos cachinhos no cabelo. Éramos gêmeas em termos práticos, e tudo isso era feito para evitar o conflito entre irmãs, de modo que uma nunca tivesse motivos para invejar a outra.</p>
<p>Funcionou: éramos parceiras, raramente brigávamos, repartíamos tudo e, caso houvesse alguma disparidade, era oferecida a nossa irmã mais velha, oito anos adiante de mim, ideal mágico de boa moça e filha exemplar a ser alcançado. Havia, porém, um problema.</p>
<p>Apesar de ser menina, eu era um moleque. Preferia brincar com os meninos, correr, subir em árvores, andar a cavalo, me sujar de barro, jogar bola, etc. Odiava coisas de menininha, me sentia ridícula, não me sentia eu. Minha gêmea, ao contrário, nunca fazia Educação Física para não suar nem cansar, por mais que eu a arrastasse pras &#8220;artes&#8221; que eu e meus primos aprontávamos, geralmente ia a contragosto, e continuou preferindo rosa e cachinhos no cabelo depois que a infância passou.</p>
<p>Eu sempre fui a filha estranha, e isso era um problema para os meus pais. Viviam me advertindo quanto ao meu modo de vestir, falar, agir. Ouvia com freqüência que eu deveria ser &#8220;mais feminina&#8221;, cruzar as pernas, usar saias, fazer movimentos graciosos.</p>
<p>Agora você, caro leitor, pergunta: &#8220;Caso clássico de transtorno de gênero? Meu deus, Fabi, você é transsexual?&#8221;</p>
<p>Não, e não. Apesar de ter tido experiências que pessoas com transtorno de gênero geralmente têm, não é o meu caso. Nunca me senti mal por ter o que tenho no meio das pernas &#8211; a não ser, claro, naqueles dias sombrios. Um pouco deslocada perto de tudo o que querem, esperam e exigem de um ser com sexo feminino, mas nunca, nunca me senti &#8220;no corpo errado&#8221;. </p>
<p>Eu sou uma menina, mas para ser menina <i>de verdade</i> é preciso ser tudo isso? E se eu não for terei de ir contra mim mesma para me ajustar? Ora, não é algo natural?</p>
<p>E eu cresci, simbolicamente castrada pela religião, culturalmente limitada pela binaridade de gêneros. Se só havia duas possibilidades, eu deveria me encaixar em uma delas e pronto. &#8220;Se quer ser uma mulher, ao menos se pareça com uma&#8221; &#8211; não é isso que vivem dizendo aos travestis? Não há meio termo, garota! Você nasceu menina, haja como uma!</p>
<p>Meu namorado uma vez me disse que uma das minhas melhores qualidades era não ser uma mulherzinha fresca que dá chilique por qualquer coisa, que é cheia de não-me-toques e acha que mulher tem direito de ser chata só por ser mulher. E que todo mundo tinha que ter uma namorada assim. Meu namorado é um cara inteligente que, inclusive, me ajudou a descobrir que eu também gosto de meninas. Eu perguntei: &#8220;Então por que todo mundo fica querendo que a gente seja de outro jeito, porque se não for não é mulher?&#8221;</p>
<p><b>O que uma mulher deve fazer para ser uma mulher?</b></p>
<p>Essa pergunta me corrói. Eu tentava (e ainda tento imbecilmente) me encaixar, mas é difícil. Não entendo porque mulheres devem ser assim ou assado. Por que eu não sou como todo mundo? Minha vida é muito difícil sendo quem eu sou! Se é algo tão natural, por que a gente tem que seguir essas regras?</p>
<p>A resposta é, na verdade, muito simples: não tem. Não há regras quando se fala de masculino e feminino, tudo o que se vê são meras construções culturais. A cultura nem sempre está certa (geralmente não está), ela pode ser transformada ou simplesmente ignorada. A genitália pode determinar muita coisa em sua vida. Como disse o Luis Fernando Verissimo em um contexto bem diferente e mais jocoso, você é o seu sexo. Mas nascer de um jeito ou de outro não exige que se sigam regras a partir da fôrma de onde você foi feito.</p>
<p>Exigem o tempo todo de nós, crianças que nada entendem da vida, jovens de caráter em formação, adultos cheios de responsabilidades e velhos com uma reputação a zelar, que sigamos um padrão. Ai do pai de família que resolve experimentar a cinta-liga da mulher, do garoto que é confundido constantemente com uma menina, da moça que toma hormônios esperando a barba crescer, da garota traquinas que sobe em árvore e joga futebol com os meninos, mas namora ambos. Credo, esses são os esquisitos! Os desajustados!</p>
<p>Não importa muito se eles são &#8220;contra o seu sexo natural&#8221; ou não. Pergunte ao <a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2009/07/18/o-que-eu-mais-gosto-no-buck-angel/">Buck Angel</a>, nascida moça que virou moço mas gosta de moços e tem uma vagina, se ele sofre menos preconceito por gostar de seu &#8220;sexo natural&#8221;? </p>
<p>O problema mesmo está em ser diferente. Ser diferente deixa o pessoal que vigia pela moral, tradição, família e bons costumes em polvorosa, porque para eles menina usa rosa e menino azul. Quem faz diferente é errado, herege, mandem para a fogueira já!</p>
<p>É por isso que sinto raiva toda vez que vejo um pseudo mente aberta dizer que tem direito sim de achar ruim essa gente esquisita demonstrado afeto em público. Me sinto como eles, os esquisitos. Eu <i>sou</i> um deles! Dá vontade me intrometer na conversa (e geralmente eu faço isso) e dizer: &#8220;Ah é? E te devemos satisfação desde quando, ô babaca?&#8221;</p>
<hr/>
<h5>Leitura Recomendada</h5>
<ul>
<li><a href="http://www.vday.org/meet-vday/v-men/kimmel">How a boy learns to be a man</a></li>
<li>- <a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2009/07/07/me-ve-um-ruffles-de-menino-ou-de-menina/">Me vê um Ruffles. De menino ou de menina?</a></li>
<li>- <a href="http://ebompraquemgosta.wordpress.com/2010/11/02/dan-savage-falando-sobre-como-a-homofobia-prejudica-os-homens-heteros/">Como a homofobia prejudica os héteros</a></li>
</ul>
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		<title>Karate Kid</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Sep 2010 17:13:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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		<category><![CDATA[bullying]]></category>
		<category><![CDATA[karate kid]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[No cinema, se te enchem o saco e você não pode com eles, você vai lá, treina, se esforça, fica foda, dá um couro nos moleques e imediatamente ganha o respeito deles. Na vida, você vai embora e volta anos &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/karate-kid/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Fkarate-kid%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
						scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:px; height:27px;" allowTransparency="true"></iframe></div><div class="really_simple_share_twitter" style="width:100px;"><a href="http://twitter.com/share" class="twitter-share-button" data-count="horizontal" 
						data-text="Karate Kid" data-url="http://fabianelima.com/blog/karate-kid/" 
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		<div style="clear:both;"></div><p>No cinema, se te enchem o saco e você não pode com eles, você vai lá, treina, se esforça, fica foda, dá um couro nos moleques e imediatamente ganha o respeito deles.</p>
<p>Na vida, você vai embora e volta anos depois para sua terra natal, e descobre que aquela garota que você odiava ficou gorda, baranga e implora amor do namorado.</p>
<p>Em ambos os casos: WIN.</p>
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		<title>Religião e política se discutem sim!</title>
		<link>http://fabianelima.com/blog/religiao-e-politica/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 13:36:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[mundo estranho]]></category>
		<category><![CDATA[um delírio]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Um co-worker me enviou o seguinte vídeo, em que o Pastor Piragine, presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba, fala sobre uma campanha ecumênica que várias igrejas cristãs &#8211; católicas, protestantes, pentecostais, etc &#8211; se juntam para combater candidatos ao &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/religiao-e-politica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Freligiao-e-politica%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
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		<div style="clear:both;"></div><p><em>Um co-worker me enviou o seguinte vídeo, em que o Pastor Piragine, presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba, fala sobre uma campanha ecumênica que várias igrejas cristãs &#8211; católicas, protestantes, pentecostais, etc &#8211; se juntam para combater candidatos ao Legislativo e ao Executivo que sejam contra suas idéias. Antes de prosseguir, gaste alguns minutos de sua vida vendo o vídeo abaixo e, depois, leia a réplica que enviei ao meu colega:</em></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ILwU5GhY9MI?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/ILwU5GhY9MI?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Que tal olhar o outro lado um pouquinho, só pra variar?</strong></p>
<p>Essa lei que eles chamaram de &#8220;Lei da Mordaça&#8221; no vídeo é bem diferente do que eles estão pintando. O <a href="http://www.naohomofobia.com.br/lei/index.php">Projeto de Lei 122/2006</a> propõe criminalizar a homofobia, ou seja, manifestações de ódio aos membros GLBTS da sociedade, do mesmo modo que já existem leis anti racismo, discriminação religiosa, de gênero, étnica, etc, e o criminoso é sujeito a multa e prisão (do mesmo jeito que funciona nas outras leis). O PL criminaliza preconceito contra identidade de gênero, sexo e orientação sexual, o que significa que todo cidadão que sofrer esse tipo de discriminação tem direito a prestar queixa na delegacia da mesma forma que uma mulher que apanha do marido tem esse direito e é coberta por uma lei específica.</p>
<p>Como a Constituição de <strike>84</strike> 88 [<em>valeu, @raph4!</em>] prevê que TODO cidadão é igual perante a lei, isso na prática já funciona. Além disso, a Declaração Universal de Direitos Humanos também garante esse direito. Se eu sofrer algum preconceito por ser bissexual, por exemplo, já posso ir na delegacia prestar queixa. Com essa lei, vai ser uma proteção A MAIS (assim, como eu disse ali atrás, todas as outras leis complementares de combate a racismo, violência doméstica, etc etc etc), e extremamente necessária, por prever punições específicas para este tipo de crime.</p>
<p>Ao contrário do que diz esse vídeo, o PL 122/2006 NÃO restringe a liberdade de expressão. Quem acha errado o comportamento GLBTS vai poder continuar achando errado. O que o PL propõe é justamente combater manifestações violentas (verbais ou físicas), permitindo que gente que vive em guetos por medo de sair do armário tenha mais proteção da lei.</p>
<p>No vídeo, eles destacam uma frase do militante GLTBS: &#8220;NÃO VOTEM em fundamentalista RELIGIOSO&#8221;. Eles dão ênfase às palavras erradas! O cara está certo, porque fundamentalista religioso, aquele que acha que só sua fé é correta, não serve pra governar um país com tanta variedade de pensamento e comportamento como o Brasil. O Obama, declaradamente cristão, tem um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Bs0immgNJEc">discurso lindo sobre isso</a>, de que a sua visão religiosa não pode em momento algum sobrepor os direitos daqueles que não compartilham da sua crença.</p>
<p>O que a travesti Luma Andrade fala sobre a bíblia é perfeitamente aceitável, uma vez que hoje ninguém mata o próprio filho apedrejado por ser desobediente nem corta a mão dos ladrões. Por quê? Oras, porque a sociedade EVOLUIU, existem direitos humanos e punições a quem os desrespeita. Hoje, ao contrário, milhões de pessoas no mundo todo se esforçam pra tirar do corredor da morte as mulheres islâmicas condenadas pelas suas leis religiosas &#8211; leis baseadas no judaísmo e cristianismo, porque o islamismo é um verdadeiro plágio dessas duas religiões.</p>
<p>Eu aposto todas as minhas fichas que o próprio Jesus Cristo, conforme é retratado na bíblia, não permitiria esse tipo de manifestação contra GLBTS, muito pelo contrário. A sociedade e o sistema de crenças em que vivia Jesus mandava apedrejar pessoas &#8211; em tese, leis criadas e vindas da mão de seu próprio Pai celestial &#8211; e ele NEGOU TUDO o que se Pai disse. Ele disse, basicamente: &#8220;Parem de fazer essa estupidez que ninguém tem direito de julgar ou palpitar na vida de ninguém!&#8221;</p>
<p>Sobre o aborto: crime ou não, ele continua acontecendo e vai continuar acontecendo. Se a vida é tão sagrada assim, a cada vez que eu menstruo, mato uma vida em potencial &#8211; isso sem falar de quantas vidas em potencial um homem mata a cada&#8230; bem. Esse negócio de querer mandar na vida sexual e no corpo dos outros me deixa p* da vida! Carl Sagan tem um <a href="http://bulevoador.haaan.com/2010/03/09/carl-sagan-fala-sobre-aborto/">ótimo texto</a> sobre o tema.</p>
<p>Aborto autorizado até o nono mês de gestação? DE ONDE ELES TIRARAM ISSO? Ninguém recomenda isso, nem o médico mais imbecil, porque seria LOUCURA. Isso NÃO existe e nenhum dos projetos de lei encaminhados ao congresso prevê isso. Dizer isso numa igreja lotada de pessoas, muitas delas impressionáveis é, no mínimo, desonestidade intelectual. Além, é claro, do vídeo completamente sensacionalista que (teoricamente) mostra um aborto. Grito silencioso? Nessa etapa da vida aquele projeto de gente não sente nem dor, não tem consciência nenhuma, não dá nem pra dizer que é uma pessoa de fato. É, como disse, apenas um projeto de gente. Uma planta de uma casa não é uma casa. Uma imagem de um cachimbo não é um cachimbo.</p>
<p>O Piragine fala depois que se alguém votar contra os projetos do PT, ele é expulso do partido. Engraçado que ele fala isso como se fosse uma ditadura, mas na verdade isso é completamente normal em TODOS os partidos. Discorda da filosofia do partido? Cai fora, monta o seu, mas não se mantenha aqui. Isso SEMPRE foi assim e funciona assim em qualquer partido que tenha opiniões definidas sobre esses aspectos.</p>
<p>Iniqüidade, segundo o Piragine, é discordarem dele. Patético, pra dizer o mínimo.</p>
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		<title>Sobre duas rodas</title>
		<link>http://fabianelima.com/blog/sobre-duas-rodas/</link>
		<comments>http://fabianelima.com/blog/sobre-duas-rodas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 12:11:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[divagações]]></category>
		<category><![CDATA[mundo estranho]]></category>
		<category><![CDATA[bicicleta]]></category>
		<category><![CDATA[bike]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de muito tempo morrendo de vontade e medo, dei um passo ousado e comprei uma bicicleta decente. Este texto conta como foram meus primeiros dias com ela depois de mais de seis anos sem mal tocar em bicicletas, e &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/sobre-duas-rodas/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
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		<div style="clear:both;"></div><p>Depois de muito tempo morrendo de vontade e medo, dei um passo ousado e comprei uma bicicleta decente. Este texto conta como foram meus primeiros dias com ela depois de mais de seis anos sem mal tocar em bicicletas, e sem nunca antes ter enfrentado o trânsito das ruas de bike.</p>
<p>Uma magrela em cima da outra. Essa frase resume em 28 caracteres o que seria eu, esta que vos escreve, andando de bicicleta. Apesar do medo de perder o equilíbrio, ser atropelada ou atropelar alguém, eu estava bem feliz na noite de 23 de julho, quando saí da agência montando minha Caloi T-Type.</p>
<p>Fazia um pouco de frio naquela noite, uma garoa quase imperceptível ameaçou embaçar meus óculos e o momento não podia ser menos apropriado para uma novata: a hora do rush.</p>
<p><img src="http://fabianelima.com/blog/wp-content/uploads/reparg.png"><br />
Avenida República Argentina. Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/eduardocoutinho/2046041818/">Eduardo Coutinho</a></p>
<p>Apesar de alguns curitibanos se sentirem muito europeus todas as vezes que tiram seus casacos do guarda-roupas ao menor sinal de frio, Curitiba está bem longe de ser uma cidade exemplar quando se trata de urbanismo. Estamos muito a frente de boa parte dos municípios brasileiros e nosso sistema de ônibus é motivo de orgulho, mas ainda há muito o que fazer em relação aos pedestres &#8211; e veículos de duas rodas não-motorizados.</p>
<p>Enquanto em alguns países, cidades incentivam o transporte com bicicletas mesmo sob um clima cinzento e nada amistoso como o de Londres, Copenhague e Haia, nossa Europa tupiniquim se parece muito mais com a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JbcH_qYkeTc">Bratislava</a> do filme Eurotrip. </p>
<p>Já andei muito à pé, sei que não é difícil só para os ciclistas. Pedestres também são vítimas do mal planejamento urbano, com cruzamentos toscos, falta de sinalização, de semáforos e transporte coletivo lotado. Um certo trecho da Avenida República Argentina, pelo qual passei à pé todos os dias nos últimos 4 meses e que agora faço de bike, daria um excelente estudo de caso para trabalhos acadêmicos de jovens universitários da Arquitetura.</p>
<p>Ainda estamos engatinhando quando se trata de bicicletas: apenas neste fim de década Curitiba começou a preparar a <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1026821">construção de ciclofaixas</a>, que só ficarão prontas em 2011, enquanto binários e binários são construídos, seguindo a tendência paulistana de tornar a cidade mais <em>car friendly</em> e, justamente por isso, menos humana.</p>
<p>Quem entende um tiquim de urbanismo sabe o quanto isso é ruim. Enfim, a esperança de que um dia a situação mude ainda existe &#8211; um tanto fraca, mas existe.</p>
<h5>Dia 1</h5>
<p>Comprei minha bike e, no mesmo dia, voltei da agência em que trabalho pedalando. Me caguei de medo nos 3,1 km que separam a agência de casa.</p>
<h5>Dia 2</h5>
<p>O medo já não era mais tão grande. Comecei a tomar gosto pela coisa e a me sentir realmente bem ao pedalar.</p>
<h5>Dia 3</h5>
<p>Na falta de ciclovias e ruas largas no caminho, experimento trafegar pela canaleta do expresso. Parece mais fácil que pela via normal.</p>
<h5>Dia 4</h5>
<p>Tenho a impressão que o número de ônibus aumentou significativamente e não me arrisco pelas canaletas. No Twitter, o ex-prefeito Beto Richa <a href="http://twitter.com/BetoRicha/status/19926040913">fala</a> das <a href="http://twitter.com/BetoRicha/status/19927103343">ciclofaixas</a>.</p>
<hr/>
<p>24,8 quilômetros percorridos<br />
576 Kcal queimadas<a href="http://www.roche.pt/emagrecer/actividadefisica/calc.cfm?peso=50&#038;tempo=20&#038;x=29&#038;y=14">*</a><br />
9,3 km/h de velocidade média</p>
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		<title>Uma leitura crítica…</title>
		<link>http://fabianelima.com/blog/uma-leitura-critica/</link>
		<comments>http://fabianelima.com/blog/uma-leitura-critica/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 01:39:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[mundo estranho]]></category>
		<category><![CDATA[método científico]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Chico Rasia Parece que tudo começou com um post da Fabiane Lima em seu blog, sobre ceticismo e reencarnação. O artigo comentava uma entrevista de Ian Stevenson, se não me engano publicada originalmente em 1972, e deflagrou uma campanha &#8230; <a href="http://fabianelima.com/blog/uma-leitura-critica/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="height:33px;" class="really_simple_share robots-nocontent snap_nopreview"><div class="really_simple_share_facebook_like" style="width:100px;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Ffabianelima.com%2Fblog%2Fuma-leitura-critica%2F&amp;layout=button_count&amp;show_faces=false&amp;width=&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;send=false&amp;height=27" 
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		<div style="clear:both;"></div><p><strong>Por Chico Rasia</strong></p>
<p>Parece que tudo começou com um post da Fabiane Lima em seu blog, sobre ceticismo e reencarnação. O artigo comentava uma entrevista de Ian Stevenson, se não me engano publicada originalmente em 1972, e deflagrou uma campanha de controvérsia e ataques pessoais à autora (<em>trollagem</em>). Não conheço a Fabiane pessoalmente, sou um dos mais de dois mil seguidores dela no twitter, mas decidi oferecer minhas considerações ao debate.</p>
<p>A discussão se polarizou como uma disputa sobre o caráter científico da reencarnação. Muitos defensores citaram Ian Stevenson como um autor significativo, cujo trabalho se destaca pela aplicação do método científico à investigação de casos de reencarnação, e que as dificuldades da autora em aceitar a teoria da reencarnação eram sintoma de sua “mente fechada”.</p>
<p>Bem, com uma atitude de mente aberta e dentro dos cânones da ciência contemporânea, me propus a analisar um artigo de Ian Stevenson. O artigo é intitulado <em>The phenomenon of claimed memories of previous lives: possible interpretations and importance</em> e foi publicado na revista Medical Hypotheses. Ele pode ser localizado através do <em>site</em> <a href="http://www.sciencedirect.com">www.sciencedirect.com</a>, e não está disponível para download – mas ele pode ser baixado gratuitamente nas bibliotecas e laboratórios universitários com acesso ao portal de periódicos da Capes. Como artigo publicado em periódico, assinado, ele atende a quase todos os requisitos para ser considerado um trabalho científico, exceto um, como será discutido.</p>
<p>Não estou aqui para defender nenhuma posição religiosa; procurei deixar minha orientação religiosa de lado e analisar o artigo como aquilo que ele é – um artigo científico – com o mesmo rigor e cuidado que eu analisaria um trabalho da minha área. Todos os trechos citados do original o serão em inglês, para evitar que o sentido seja alterado durante a tradução. Tendo em mente essas breves considerações, vamos à análise.</p>
<h2>A publicação</h2>
<p>Como coisa humana, o mundo científico espelha alguns aspectos de nossa sociedade. As publicações científicas disputam continuamente a atenção dos pesquisadores – boas publicações, com fator de impacto alto, atraem bons artigos científicos, escritos por pesquisadores renomados. Os pesquisadores guardam seus melhores trabalhos para publicação nos melhores periódicos. No Brasil, o sistema Qualis da Capes (<a href="http://qualis.capes.gov.br">qualis.capes.gov.br</a>) ranqueia as publicações nacionais e internacionais, e o Science Direct usa uma medida chamada <em>Impact Factor</em>. A revista <em>Nature</em>, sonho de todo pesquisador, tem fator de impacto 31.434; a <em>Medical Hypotheses</em> tem fator de impacto 1.416 – ou seja, os trabalhos ali publicados não são referenciados com muita frequência.</p>
<p>Dois parágrafos atrás eu escrevi que o artigo atende a <em>quase</em> todos os requisitos para que o trabalho seja considerado científico. O que quero dizer com isso? Bem, o artigo certamente está formatado corretamente: tem um título, está assinado, tem um resumo (<em>abstract</em>), foi redigido no tom correto – com certa impessoalidade –, traz um conjunto de referências bibliográficas; está dividido em introdução, desenvolvimento e discussão, nos moldes de todo artigo científico. Porém, um detalhe na descrição da revista chamou a minha atenção. Do site da editora:</p>
<blockquote><p>Medical Hypotheses takes a deliberately different approach to review: the editor sees his role as a &#8216;chooser&#8217;, not a &#8216;changer&#8217;, choosing to publish what are judged to be the best papers from those submitted. The Editor sometimes uses external referees to inform his opinion on a paper, but their role is as an information source and the Editor&#8217;s choice is final. The papers chosen may contain radical ideas, but may be judged acceptable so long as they are coherent and clearly expressed. The authors&#8217; responsibility for the integrity, precision and accuracy of their work is paramount. (<a href="http://www.elsevier.com/wps/find/journaldescription.cws_home/623059/description#description">link</a>)</p></blockquote>
<p>Em outras palavras: a revista onde o artigo foi publicado não submete os trabalhos à revisão pelos pares (<em>peer review</em>); esse processo, não muito diferente do que eu estou fazendo agora, é integral à idéia de ciência contemporânea, e tem dois objetivos primordiais: assegurar a qualidade e a clareza do que está sendo publicado (os revisores, via de regra, mandam comentários para auxiliar o autor na elaboração do artigo), e assegurar que o trabalho tem consistência, checando as teorias do autor contra as posições consensuais da área, o que Thomas Kuhn chamaria de ciência normal. Na minha opinião, ter sido submetido ao crivo da revisão é importante para que um artigo seja considerado científico.</p>
<h2>Fontes de dados</h2>
<p>Me chamou a atenção, em primeiro lugar, a quantidade de referências que o autor elencou: 66, no total. Dessas, 16 (um quarto do total) são trabalhos do próprio autor; citar excessivamente trabalhos próprios não é, em geral, considerado uma boa prática, e muitas publicações orientam os autores a não fazer isso, até mesmo como garantia de anonimato durante a revisão pelos pares.</p>
<p>O autor parte então dos casos relatados na literatura – muitos deles compilados pelo próprio autor, como se pode verificar nas referências bibliográficas – para defender sua teoria: que as memórias de vidas passadas explicariam fenômenos não explicáveis pela genética ou psicologia. O artigo é curto, com apenas oito páginas. Não se esperaria que o autor descrevesse minuciosamente cada caso relatado, mas se fossem apresentados fragmentos das citadas entrevistas com familiares certamente seria possível interpretação independente. De fato, o autor apresenta toda sua evidência de segunda mão, e dá a entender que nem mesmo o autor teve acesso em primeira mão a todos os relatos originais:</p>
<blockquote><p>The principal method of investigation is interviews, often repeated, with firsthand informants for both the child’s side of the case and that of the concerned deceased person, if one has been identified. We emphasize independent verification of the child’s statements. Written documents, such as postmortem reports, are always sought, examined, and copied when feasible (STEVENSON 2000, p. 652).</p></blockquote>
<p>Dessa maneira, é dificultada a interpretação independente dos fatos relatados; obriga-se o leitor a confiar no relato de Stevenson, e no artigo ele não faz menção à confiabilidade dos relatos. Através do Google, é possível localizar e visualizar fragmentos das publicações originais, como os seguintes:</p>
<blockquote><p>[Sobre o caso Gladys Deacon, que alegava ser a reencarnação de uma menina chamada Margaret Kempthorne] Later, in the 1970s, I attempted to trace records of Margaret Kempthorne, but, as will be seen, I did not succeed. Gladys Deacon’s mother died when she was 18 years old. The woman with whom Gladys Deacon was travelling in 1928 (who would have been a potential witness of the verification of her statements) died some years before I began my inquiries for the case. The case therefore rest entirely on the statements of Gladys Deacon (STEVENSON 2003, p. 52)
</p></blockquote>
<blockquote><p>[Sobre o caso Katherine Walls] I include this case with some hesitation. This does not arise from the failure to verify the subject’s statements, because I have published other unverified cases and this book includes several others. Nor does it arise because regrettably I have not met the subjet (&#8230;) They mainly derive, however, from the acknowledged skill of the subject in conceiving ‘stories’ that she knew were fantasies and in the telling of which her father encouraged her (STEVENSON 2003, p. 59).</p></blockquote>
<p>São apenas dois casos escolhidos a esmo, mas demonstram falta de cuidado na verificação dos dados e displicência quanto à publicação de informações não verificadas, e contradizem a afirmação do autor na página 652. No caso Gladys, todas as testemunhas e pessoas com quem ela teve contato, inclusive os comerciantes que a contaram a história de Margaret, já haviam falecido à época da entrevista com Stevenson. Pode-se supor que outros relatos de que o autor se apropriou sofram das mesmas inconsistências; mas vou dar o benefício da dúvida e tomar por verificadas as histórias que o autor usa para ilustrar sua hipótese.</p>
<h2>Casos médicos &#8220;inexplicáveis&#8221;</h2>
<p>O abstract resume muito bem a teoria que Stevenson apresenta no artigo. A ver:</p>
<blockquote><p>Several disorders or abnormalities observed in medicine and psychology are not explicable (or not fully explicable) by genetics and environmental influences, either alone or together. These include phobias and philias observed in early infancy, unusual play in childhood, homosexuality, gender identity disorder, a child’s idea of having parents other than its own, differences in temperament manifested soon after birth, unusual birthmarks and their correspondence with wounds on a deceased person, unusual birth defects, and differences (physical and behavioral) between monozygotic twins. The hypothesis of previous lives can contribute to the further understanding of these phenomena (STEVENSON 2000, p. 652)</p></blockquote>
<p>O autor oferece então explicações para cada um desses assuntos através da hipótese das vidas passadas. Stevenson afirma que 36% dos sujeitos que se lembravam de vidas passadas apresentavam algum tipo de fobia na infância, e que as fobias estariam relacionada à maneira da morte na vida passada:</p>
<blockquote><p>The phobias nearly always accorded with the mode of death in the claimed previous life. For example, a child who claimed to remember a life that ended in drowning would have a phobia of being immersed in water; one who said it remembered a life with death from a gunshot wound would have a phobia of guns (STEVENSON 2000, p. 653).</p></blockquote>
<p>Ou não se poderia analisar isso no sentido contrário, e entender que as fantasias ou sonhos das crianças são a expressão de suas fobias? <em>Post hoc ergo propter hoc</em> é uma argumentação traiçoeira. Reduzida ao absurdo, essa explicação nos levaria a dizer que uma criança com medo do escuro seria a reencarnação de outrem que morreu de escuridão? Adiante, um trecho sobre malformações congênitas:</p>
<blockquote><p>Most of the birth defects do not correspond to any recognized ‘pattern of human malformation’; instead, they correspond to sword cuts, shotgun wounds, or other modes of death (STEVENSON 2000, p. 656).</p></blockquote>
<p>O autor não expõe imagens dessas malformações, certamente por restrição de espaço. Mas as analogias baseadas em semelhança visual são, também, traiçoeiras. Nós estamos acostumados a reconhecer padrões na natureza, nossos cérebros evoluíram para isso. Se nos predispomos a enxergar padrões, essas associações ficam ainda mais frequentes. Ainda sobre os defeitos congênitos:</p>
<blockquote><p>For example, one child, born with unilateral brachydactyly of the right hand, said that he remembered the life of a child in another village who had cut off the fingers of his right hand when he accidentally put them between the blades of a fodder-chopping machine (STEVENSON 2000, p. 656).</p></blockquote>
<p>Sobre esse caso específico, o autor não diz se essa “criança da outra vila que decepou o próprios dedos na máquina” existiu ou não. É um exemplo gráfico, certamente chama a atenção, mas não há, no artigo, informações que suportem a alegação do autor.</p>
<p>Eu poderia continuar desfilando as explicações para o comportamento, rejeição dos pais, marcas de nascença, mas acho desnecessário. Todos os relatos que o autor apresenta são baseados em evidência anedótica e, como visto, não há maior cuidado na coleta de dados e na elaboração das entrevistas, e as relações causais que Stevenson oferece são pouco mais que acidentais.</p>
<h2>Uma revolução científica</h2>
<p>O artigo de Stevenson é muito bem escrito, e eu recomendo a leitura. O autor expõe seus pontos de vista de maneira clara, tentando demonstrar as relações de causa-e-efeito como mandam os preceitos da ciência contemporânea, o que é louvável; e o texto não é assolado pela confusão e o obscurantismo que tantas vezes afetam os textos “esotéricos”. O assunto é controverso, certamente empolgante, e não é supresa nenhuma que as teorias de reencarnação encontrem resistência na comunidade científica.</p>
<p>Entretanto, o corpo de evidência que o autor apresenta é muito fraco (a displicência na coleta dos dados e a impossibilidade de verificação independente são preocupantes), as relações que ele procura demonstrar são muito tácitas, podendo, sem exceção, ser explicadas pela psicanálise, pela embriologia, pela cultura, pelo imaginário, ou serem meras coincidências.</p>
<p>É claro que existem revoluções científicas de vez em quando, e é claro que, geralmente, novas teorias têm muito trabalho para serem aceitas. Não é suficiente dizer que a ciência oficial é fechada e não aceita as teorias novas; para que as teorias de Stevenson possam “entrar no clube” do pensamento científico, elas precisam passar pelo processo de discussão, angariando defensores e seguidores até que se torne a nova ciência normal, como muito bem nos ensina Kuhn (2007). Mas, ao mesmo tempo em que são necessárias evidências que suportem a nova teoria, ela deve também explicar os fatos que a teoria anterior (oficial, normal, <em>mainstream</em>&#8230;) não consegue. Ao meu entender, os problemas apresentados por Stevenson sequer são problemas de pesquisa.</p>
<h2>Referências</h2>
<p>STEVENSON, I. The phenomenon of claimed memories of previous lives: possible interpretations and importance. <em>Medical Hypotheses</em>, n. 54, p. 652-659.</p>
<p>STEVENSON, I. <em>European cases of the reincarnation type</em>. EUA: McFarland, 2003.</p>
<p>KUHN, T. S. <em>A Estrutura das Revoluções Científicas</em>. 9. Ed. São Paulo:  Perspectiva, 2007.</p>
<hr />
<p><strong>Chico Rasia</strong> (<a href="http://twitter.com/chicorasia">@chicorasia</a>), é Arquiteto Urbanista, graduado em 2003 pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e mestrando em Tecnologia pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR.</p>
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		<title>Encarnação e Ceticismo</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 00:49:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabiane Lima</dc:creator>
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<p>Em uma discussão pelo Twitter com dois ou três defensores do espiritismo &#8211; o que me supreendeu, não imaginava que tantas pessoas alfabetizadas dessem bola pra esse tipo de bobagem &#8211; um dos meus oponentes, afirmando incautamente que o fenômeno da encarnação de espíritos já havia sido pesquisado de maneira séria por um graduado cientista, disse-me para procurar saber a respeito de um senhor de nome Ian Stevenson.</p>
<p>Minhas previsões a respeito do que iria encontrar nesta pesquisa se mostraram corretas. E os resultados da busca, risíveis.</p>
<p>Entre os vários dos resultados que surgiram no Google, boa parte deles tratava de deixar bem claro que algumas personalidades notoriamente bem vistas e famosas no mundo da ciência consideravam respeitável a pesquisa do psiquiatra canadense, entre eles Arthur C. Clarke e Sam Harris. O nome mais citado entre os que teriam dado aval a estas pesquisas é, sem sombra de dúvida, Carl Sagan. Será?</p>
<p>Levantei a sobrancelha, duvidando da afirmação. Teria mesmo Carl Sagan, um homem que durante toda sua vida se esforçou para divulgar o pensamento cético, dado trela a algo tão dúbio quanto as reencarnações espíritas? Ao pesquisar por &#8220;<a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&#038;q=ian+stevenson+carl+sagan&#038;btnG=Pesquisar&#038;meta=&#038;aq=f&#038;aqi=&#038;aql=&#038;oq=&#038;gs_rfai=">Ian Stevenson Carl Sagan</a>&#8220;, descubro a resposta para o enigma: a verdade é que a opinião de Sagan a respeito de estudos na área da percepção extra-sensorial pertence ao livro &#8220;O mundo assombrado pelos demônios&#8221; (um ótimo manual cético de detecção de mentiras), foi tirada de contexto e, ao contrário de endossá-la, levanta muitas dúvidas sobre a validade dos mesmos. Reproduzo o trecho do livro abaixo:</p>
<blockquote><p>No momento em que escrevo, acho que três alegações no campo da percepção extra-sensorial (ESP) merecem estudo sério: (1) que os seres humanos conseguem (mal) influir nos geradores de números aleatórios em computadores usando apenas o pensamento; (2) que as pessoas sob privação sensorial branda conseguem receber pensamentos ou imagens que foram nelas “projetados”; e (3) que as crianças pequenas às vezes relatam detalhes de uma vida anterior que se revelam precisos ao serem verificados, e que não poderiam ser conhecidos exceto pela reencarnação. Não apresento essas afirmações por achar provável que sejam válidas (não acho), mas como exemplos de afirmações que poderiam ser verdade. Elas têm, pelo menos, um fundamento experimental, embora ainda dúbio. Claro, eu posso estar errado.</p>
<p>SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos demônios. Tradução de Rosaura Eichemberg. Companhia das Letras: São Paulo, 2006. P. 343.</p></blockquote>
<p>Não acredito que tais hipotéticos estudos a que se referem Sagan (e no livro ele não cita nenhum pesquisador em especial; talvez em algum outro documento ele tenha dado nomes aos bois) tenham realmente chegado às suas mãos para uma correta apreciação. Caso isso tenha acontecido, é muito provável que ele tenha deixado em seu escaninho para ler mais tarde e tenha se perdido em meio à papelada de seu escritório, entre tantos outros estudos mais sérios e úteis à humanidade. Se Sagan de fato leu algum estudo sério na área, não tenho pudores ao afirmar com toda certeza do mundo que este estudo não era de Ian Stevenson.</p>
<p>Apesar de achar uma grande baboseira tudo o que encontrei a respeito dos estudos do psiquiatra, um dos textos me chamou mais a atenção: <a href="http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo503.html">esta entrevista</a> que ele teria concedido em 1972 ao Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas. Recomendo a leitura, é um material de qualidade duvidosa porém de muito valor humorístico, que poderia facilmente ser utilizado como exemplo de como <strong>não</strong> se deve conduzir uma pesquisa. Para resumir, elencarei aqui alguns dos principais equívocos encontrados. Provavelmente esquecerei algum, por isso peço aos leitores deste blog que apontem o que acharem necessário.</p>
<ol>
<li>O doutor afirma que recordações de vidas passadas costumam aparecer em crianças a partir dos dois anos de idade e somem a partir dos seis. O doutor também esquece que, geralmente, esta é a idade em que as crianças não têm muita noção da realidade, inventam amigos imaginários e, claro, mentem. <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL62558-5603,00.html">Algum estudos</a> sugerem que as crianças começam a mentir por volta dos seis meses (!) de idade. É muita ingenuidade pensar que crianças são seres cândidos incapazes disso.</li>
<li>Stevenson alega a existência de casos em que o nascimento de alguém foi anunciado antes de ocorrer a gravidez. Ele cita que esses eventos teriam acontecido entre índios no Alaska, na Tailândia e no Brasil. Predizer um nascimento em alguma região afastada, numa comunidade supersticiosa, que possivelmente não faz uso de métodos contraceptivos é fácil, não?</li>
<li>Conforme os estudos conduzidos, se uma criança demonstra habilidades acima da média, ou facilidade de aprendizagem, não é porque ela tem talento, é superdotada, e muito menos fruto de seu esforço &#8211; é sinal de que ela encarnou algum espírito que foi muito inteligente em outra vida e não passa de um títere. Mesmo que ela não se recorde de vidas passadas, a presença da habilidade é considerada uma evidência disso.</li>
<li>O psiquiatra cita um caso de um casal birmanês que teve filhos com traços europeus. Segundo ele, o nome que se dá a este fenômeno é <em>reencarnação genética</em>. Eu prefiro chamar de <em>chifre</em>, mesmo.</li>
<li>Quando perguntado sobre o que considera ser uma prova científica de reencarnação, Ian Stevenson afirma que um relato de um menino é um exemplo disso. Mesmo diante da possibilidade de mentira deslavada e sem vergonha e do chamado <a href="http://bulevoador.haaan.com/2010/02/25/relato-anedotico-versus-relato-estatistico/">relato anedótico</a>. Após isso, ele é perguntado sobre o que a &#8220;ciência oficial&#8221; (preste atenção ao termo utilizado) considera como prova, e ele admite que a ciência de verdade não tem interesse no assunto, afinal cientistas de verdade devem ter coisas muito mais importantes para fazer do que ouvir historinhas inventadas por meninos do interior.</li>
</ol>
<p>Volto a afirmar: se Carl Sagan tivesse mesmo lido algum artigo produzido pelo citado estudioso, teria utilizado o papel em que o mesmo foi impresso para&#8230; bem, fins menos nobres. Alguém duvida?</p>
<p><em>Este texto também foi publicado com permissão no blog <a href="http://ceticismo.net/2010/03/29/encarnacao-e-ceticismo/">Ceticismo.net</a></em>.</p>
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