Por cima da carne seca

Nunca entendi direito o significado do termo ofensa, ou sua variante insulto. No que constitui um insulto? O que exatamente se tem que fazer para que se possa ofender uma pessoa? Por que um punhado de palavras às vezes tem o poder tão grande de mudar completamente o estado de espírito de alguém?

De acordo com o dicionário do Babylon, insulto ou ofensa:

…é uma forma de violência verbal, em que geralmente o agressor se utiliza de palavras – verdadeiras ou não, com exageros ou não – que visam humilhar de alguma forma ou atingir um ponto-fraco da vítima. O insulto pode ser seguido de violência física ou pode vir carregado de palavras de baixo calão.

Eu entendo que palavras, principalmente quando ditas por pessoas com as quais a gente se importa, podem ferir mais que um soco na cara, uma rasteira, uma voadora. Mas e quando quem as profere é alguém que mal se conhece, geralmente atrás de um teclado – que é onde muito covarde por aí arranja coragem -, um Zé Ruela? Eu me pergunto porque é que tanta gente se sente mal por causa disso, sobe nas tamancas e joga os cachorros em cima do Zé.

Muitas vezes eu mesmo saí do sério (e hoje ainda isso acontece algumas vezes) com anônimos (ou não) por causa de bobagens assim, até que me dei conta da nula diferença que esses seres faziam na minha vida. Que autoridade têm essas pessoas pra julgar se sou mesmo tão ruim, burra, feia, ou qualquer outra coisa que pensem sobre mim? Se eu chamasse essas pessoas para uma conversa cara a cara elas teriam a mesma audácia e repetiriam letra por letra tudo o que dizem batendo a cabeça no teclado? Por que aceito tão facilmente essas críticas vazias, meus padrões estão tão baixos assim?

Tem mais: essas pessoas acham sinceramente que despejar meia dúzia de palavras em cima de mim fará com que imediatamente eu largue tudo o que tenho para fazer e me tranque no banheiro em lágrimas? Palavras são só palavras, e pouquíssimas delas têm realmente algum poder sobre a vida de alguém. Uma ordem de prisão tem poder, um xingamento mal escrito por um anônimo, não.

Uma dica à você que está lendo este texto nesse momento e não vai muito com a cara de alguém: quer realmente fazer alguma diferença e mostrar o quanto você não se importa com a pessoa em questão? Vai lá, fala na cara dela e, se possível, tome alguma atitude que vá além de encher timelines de xingamentos. Seqüestra seu objeto de ódio, mata a família dele, bota fogo na casa dele… Enfim, faça qualquer coisa que tenha algum efeito prático na vida de seu nêmesis. Assim ele saberá que você de fato o odeia e sentirá os efeitos desse ódio.

“Você não entendeu, eu estava sendo irônica!”

Quatro horas da madrugada de 05 de fevereiro e lá estava eu twittando. Me vesti, fui tomar água na cozinha, molhei a cozinha inteira e, quando voltei, twittei o seguinte:

Uma gracinha boba de uma garota insone. Nem cinco minutos se passaram, apareceu gente pra corrigir, porque afinal líquidos se medem em litros e não em quilos, sua besta! Quem liga se 1 litro de água equivale a 1 quilograma, né mesmo, minha gente?

Fiquei puta, afinal era um tweet para ser apenas ignorado, principalmente em se tratando do horário, mas que provocou uma ligeira discussão na madrugada. Tenho pra mim que quem corrige coisas como essa é o mesmo tipo de chato que implica com typos bestas e corrige o já clássico “corrão” – enfim, gente que subestima a inteligência alheia, como se o erro proposital já não fosse óbvio o suficiente.

No meio da briga, enquanto eu discorria sobre a chatice de pessoas que corrigem essas besteiras e que se acham tão inteligentes por causa disso, meu oponente solta essa: “Eu estava sendo irônico”.

Novamente, para que a ênfase necessária seja empregada de forma efetiva na frase: Eu estava sendo irônico. EU. ESTAVA. SENDO. IRÔNICO.

Ele estava sendo irônico, gente! Né? Pronto, meu argumento era inválido, afinal de contas eu fui burra demais para não perceber que ele estava sendo irônico! Como assim? Estava tão na cara! Se você estava sendo irônico, parabéns, já provou a superioridade de sua inteligência em relação à minha. Se ele tivesse dito que estava sendo sarcástico, daria no mesmo, porque afinal é tudamemamerda. Eu sou mesmo uma idiota, malzaê.

A pessoa desmontou seu argumento? É só responder que estava sendo irônico/sarcástico. Ela é que não entendeu seu ponto, não compreendeu a genialidade de seu humor, não viu o quanto a sua idéia é superior à dela? Ser irônico/sarcástico equivale a dizer “ai como vosse eh burro naum meresse fala comingo nem intendi q eu falo”. In your face, bitch!

O fato é que a maioria das pessoas que usa essa expressão para tentar inverter sua situação em meio a uma discussão online geralmente nem sabe do que se trata, muito menos diferencia entre ironia e sarcasmo. Se você também não sabe, mas por sincera ignorância, vá lá na Wikipedia rapidinho sanar sua dúvida, eu espero.

Pra finalizar, toda a novelinha aí do texto foi só pra facilitar a sua vida nos flamebaits em que participa, nobre colega freqüentador das interwebs. Sim, porque eu que sou designer e sei mexer nas complicadas ferramentas de edição de imagem preparei para você uma seleção de figurinhas para colar nas suas discussões online e imediatamente vencê-las. Clique nos thumbnails para ampliar as imagens:


Sugestões de mais image macros salvadoras de discussões na internet? Use o formulário dos comentários aí embaixo.

Meu mapa astral

O senhor Anderssauro está a postar em seu Twitter algumas pérolas obtidas através de uma guria com quem está de papo no MSN e que, provavelmente pela sua cara de profeta apócrifo (é ou não é?), pediu a ele que fizesse seu mapa astral. Mandei a ele um link de um fazedor automático de mapas astrais que vi na interwebs, e resolvi fazer meu próprio mapa astral, nesse site aqui, ó.

Uma das coisas interessantes sobre a astrologia é que ela usa descrições tão amplas e generalistas que se encaixam em qualquer perfil. Porém, no meu mapa astral, isso não deu muito certo. Pra começar, na descrição do meu signo (Câncer), ele diz que:

Os nativos deste signos são extremamente tímidos, instáveis, e de difícil acesso; sendo muito sensíveis escondem seus sentimentos, e se fecham em seus casulos quando se sentem ameaçados.

Instável uma vez por mês pode até ser, mas… tímida? De difícil acesso? Escondem seus sentimentos? OK, esse é só o começo, vamos continuar.

A Lua, que rege o signo, é a própria essência da figura materna, e mesmo se os nativos forem do sexo masculino, eles serão seguramente pais excelentes, isto é, extremamente maternais e ligados à família. [...] Procuram sempre um certo conforto e aconchego no lar, muitas vezes com moveis antigos, muitas fotos familiares e lembranças da infância para se sentirem seguros…

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Quem me conhece ou conhece meu blog há mais tempo sabe que eu não quero ter filhos, odeio crianças e acho que são uma total perda de tempo, uma vez que é preciso abrir mão da própria vida em prol dos filhos. Ligada à família? Quero que eles fiquem bem longe e não se intrometam, isso sim.

Minha infância/adolescência foi uma bosta, odeio antigüidade e só me sinto confortável em casa quando todo mundo sai, como acontece no presente momento.

Muitas vezes o seu karma está ligado à figura materna e à descendência feminina da família, e dificilmente se livram da mãe!

NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

[...] gostam muito de música [...]

Who doesn’t?

Sendo extremamente fechados e tímidos, podem ser suscetíveis ao meio ambiente e por isso detestam as novidades. Se sua sensibilidade for exagerada, podem parecer até lunáticos, caprichosos, e até um pouco efeminados.

Alguém dá um soco no imbecil que escreveu isso, pelo amor de deus? E eu sou mais macho que muito homem.

São maravilhosamente sensuais, românticos e delicados, dando muita atenção ao ambiente romântico de que ele necessita para expressar seus sentimentos.

Rá, meu namorado sabe o quanto eu sou delicada! E claro, claro, romântica, pétalas de rosa sobre a cama, alguma coisa do Kenny G tocando no som… E faço sexo de luz apagada, também. Sabe como é, pra poder expressar meus sentimentos sem me sentir constrangida. ¬¬

[...] ele aprecía lençóis macios e iluminação bem planejada.

Who doesn’t? [2]

Mais adiante, depois de descrever o signo mais boiola, patético e imbecil de todo o Zodíaco, o mapa começa a falar do meu ascendente, no caso, Libra. Segundo uma explicação do próprio site, ascendente é o signo que se encontra na linha do horizonte no momento exato do nascimento da pessoa. Ou se encontraria, uma vez que passados milhares de anos desde a invenção da astrologia, a órbita celeste já não é mais a mesma.

A sua necessidade de expressar o afeto o torna um ser sociável e amável com todos [...] O temperamento sanguíneo (próprio dos signos de Ar) [...]

Peraê, peraê! Meu filho, você não tinha dito lá atrás que meu signo era do tipo que tinha dificuldade em expressar sentimentos, que se fechava num casulo, e não sei mais o quê? E até onde eu sei, temperamento sangüíneo é aquele no qual a pessoa não tem papas na língua e fala o que lhe vem à cabeça; tu não tinha dito que isso era o exato oposto dos cancerianos? Se isso afeta o temperamento das pessoas sob o signo de Câncer, enão essa descrição abrange… TODO MUNDO!

Depois de falar do ascendente e das influências que ele tem sobre meu signo, o próximo passo é falar sobre o astro tal na casa tal, que faz alguma diferença em alguma coisa e rege minhas relações emocionais. Aqui, Lua em Aquário.

Você é um ser sociável, amável, adora os amigos e é muito popular.

Ô! Se juntar todo mundo que eu tenho no Orkut e no Facebook, dá uma pá de gente. Tudo bem que eu não vejo a fuça de ninguém há muito tempo, nunca vi pessoalmente alguns de meus melhores amigos, e saio de casa uma vez por ano, mas quem se importa? E também sou muito popular, basta ver meu número de seguidores no Twitter: Jesus só tinha 12, eu tenho 1791 e crescendo. Muito sociável eu, né?

[...] e tem aptidão para lidar com eletroeletrônica.

Claro, por isso eu fiz Design, e não um curso que preste na área de eletroeletrônica.

Para a mulher [...] pode indicar dificuldades para ter filhos e predisposição aos abortos espontâneos.

Ótimo, se a camisinha furar ou eu esquecer a pílula, é só contar com Lua em Aquário que vai dar tudo certo.

Se a Lua estiver ‘aflita’, você se tornará bastante excêntrica, rebelde, tendo opiniões sempre ‘do contra’, e se envolvendo em atos que reivindicam ações sociais, como aquelas ligadas a sindicatos, ONGs, e partidos de extrema esquerda.

O que é uma lua aflita? Não sei, mas ela deve estar sempre aflita então. Tirando a parte de sindicatos, ONGs e partidos de extrema esquerda, claro, porque isso é coisa de estudante da Federal.

As mudanças bruscas no humor também são uma das características do mau aspecto desta Lua, assim como as inúmeras mudanças de casa, de ocupação e até de país.

Tu não consegue ser coerente uma única vez, meu filho? Mimimi, cancerianos não gostam de mudanças, gostam de se fechar no seu mundinho, criar seu casulo, botar foto de família e recordações na casa e bla bla bla, mas basta a lua sair do lugar pra tudo ser completamente diferente?

Eu sei que astrologia já é uma imbecilidade em si mesma, e não é preciso muito para ridicularizá-la. Milhares de pessoas já fizeram isso antes, mas a capacidade que as pessoas têm de acreditar em porcarias desse tipo me deixa besta.

Para saber mais sobre astrologia (de um ponto de vista racional e inteligente): Pensamentos sobre Astrologia, do Cafetron.

Carta de Excomunhão

Curitiba, 19 de dezembro de 2009.

“A maioria das pessoas preferiria morrer a pensar; de fato, muitas o fazem.”
- Bertrand Russell -

Por meio desta carta gostaria de pedir o meu completo e absoluto afastamento das atividades da Igreja Batista no Bairro Novo Mundo. Peço também a exclusão de meu nome do rol de membros da mesma, e a minha excomunhão desta comunidade religiosa.

Os motivos que levaram-me a tomar esta decisão foram a completa descrença na doutrina e nos ensinamentos pregados por esta ou qualquer outra seita e/ou denominação cristã, e a compreensão de que conduzir minha vida nos preceitos da entidade sobrenatural outrora considerada senhor de minha vida prejudicava-me mais do que fazia-me bem. Uma vez que a fé não exige provas, e provas eram o que eu necessitava para crer na existência de um ser supremo, não fazia sentido permanecer na igreja somente para deixar felizes parentes, amigos e completos desconhecidos, em detrimento de minha própria felicidade.

Peço a compreensão dos antes irmãos em Cristo para com a minha decisão. Tenho a certeza de que, caso eu esteja errada e o Deus de sua crença seja mesmo real, Ele compreender-me-á e preferirá que eu tenha uma descrença honesta a uma falsa fé. Peço também que os irmãos examinem seus próprios corações e espíritos com a mente aberta e reflitam a respeito de suas crenças.

Além de sua compreensão, também gostaria que evitassem perder seu tempo (e o meu) tentando recuperar esta ovelha desgarrada, como alguns de vocês já tentaram. Caso desejem ter uma conversa franca a respeito, sem proselitismo de qualquer forma, estarei de braços abertos e à disposição para recebê-los.

Fabiane Alves de Lima

Meus preconceitos musicais

Todo mundo tem seus preconceitos musicais, eu também tenho os meus. Por conta desses meus preconceitos, eu desprezo uma pá de tipos de gente. Mas não me envergonho deles, ao contrário, boto aí pra todo mundo ver.

Desprezo pessoas que gostam de determinada banda/cantor, mas não assumem por medo do “preconceito” que possam sofrer por conta disso. Desprezo pessoas que não ouvem determinado tipo de música porque acham que vai influenciar em sua orientação sexual. Desprezo pessoas que não ouvem determinadas bandas com medo de prejudicar sua “coerência musical”.

Desprezo profundamente quem dá mais importância a classificar estilos de bandas do que às bandas em si. É impossível classificar em apenas um estilo bandas como U2 (rock, eletro, pós-punk?) ou Depeche Mode (synthpop, rock, new wave, euro?). Por mais que essas bandas tenham mudado ao longo dos anos, carregam influências. Não são puritanas e “fiéis” aos seus estilos de origem, e seriam extremamente monótonas se fossem. Classificar é divertido, e até útil e prático. Serve pra organizar os discos na prateleira, no player, cruzar referências, descobrir origens. O problema é quando os rótulos viram barreiras.

Desprezo pessoas que acham que os músicos têm de fazer música do jeito que elas querem. Eles têm é de fazer música do jeito que quiserem! Desprezo pessoas que acham que brasileiro, por ser brasileiro, tem a obrigação de gostar de música nacional. Desprezo pessoas que não gostam de determinados estilos musicais by default simplesmente por serem determinados estilos.

Desprezo profundamente quem se baseia em popularidade e não em sonoridade para classificar e ouvir música. Indie e Pop, por exemplo. Música indie é só é indie mesmo se for uma banda conhecida por meia dúzia de pessoas em algum país distante do Leste Europeu. Se a banda indie cai no gosto popular, é porque se venderam para as gravadoras, caiu a qualidade, não são mais os mesmos, o primeiro álbum gravado na garagem de casa numa fita K7 é que era bom.

Desprezo pessoas que acham que você tem que “entender” alguma coisa de música pra gostar de música. Você não trabalha nem sua vida depende de determinada coisa? Então você não tem obrigação de saber sobre ela. Desprezo pessoas que não sabem diferenciar seqüências musicais comuns de plágio, e não entendem que referências e ídolos todo mundo tem. Desprezo pessoas que acham que você, por ser jovem, não tem o direito de gostar de música que não é “do seu tempo” porque não entende o contexto. Desprezo pessoas que se vêem na obrigação de gostar de determinada coisa porque tem alguma importância histórica ou porque é “cool”.

Desprezo pessoas que dizem “Eu vivi época tal, você não sabe do que está falando”, quando na época tal essa pessoal era pivete ainda. Mas também desprezo pessoas que mesmo tendo vivido plenamente época tal, dizem “Eu vivi época tal, você não sabe do que está falando”. Desprezo quem diz “no meu tempo é que faziam música boa de verdade”. Aliás, desprezo qualquer um que diga “no meu tempo” a sério, torcendo o nariz pro hoje. No teu tempo é que era bom? Então se mata, ué! Velhos…

Desprezo pessoas que acham que você tem que ter algum “motivo” pra ouvir alguma coisa. Qual o problema de quem só ouve música pra dançar? Deixa eles, uai. Não incomodando ninguém, pode ouvir até Tecnobrega. Se fulano só quer dançar-dançar-dançar-pneus-de-carro-cantão, foda-se. Ouvir música não tem que ser um sacrifício, algo que se faz pelo bem de todos e felicidade geral da nação, com comprometimento e consciência.

Tem que ouvir o que se gosta. Torcem o nariz porque você gosta de sertanejo, funk carioca, tecnobrega ou música indu? Manda tomar no cu. Olhaí a sonoridade musical, rimou!

Te olham torto porque você não aprecia as letras de música em profundidade nem está preocupado em refletir sobre elas e seus significados ocultos? Manda tomar no cu.

Dizem que Fulana só quer se aparecer e que quem gosta das músicas dela não tem nada na cabeça, mas você gosta dela e por isso te enchem o saco? Manda tomar no cu.

Implicam com você porque você não curte uma banda consagrada que mudou a história do rock e que todo mundo gosta e acha que todo o resto da humanidade também tem que gostar, porque se não gostar não “entende” de música? Manda tomar no cu.

Você acha que TODO MUNDO gosta do tipo de música que você gosta e tem que ouvir o que você está ouvindo? Então agora eu é que te mando tomar no cu. Não desprezo quem gosta de forró, axé, emo e outros lixos. Mas desprezo quem gosta desses estilos e OUVE ALTO NO SOM DO CARRO! Maluco pode gostar de QUALQUER COISA desde que não me encha o saco.

Aí, me perguntam: “Por que tanto ódio no seu coraçãozinho?”. Eu respondo que não é ódio, é desprezo, e com ele vem a indiferença. E a indiferença é justamente mandar tomar no cu, ligar o foda-se e cagar solenemente, afinal passei da idade de ter que justificar minhas opiniões.

Não gostou? Tome no cu.

Deus é onipresente

Leandro: Para que perder tempo com alguém que acha que umas palavras (oração) podem fazer um cisto atravessar a parede do útero? Prefiro gastar meu tempo com tricô. Tanta coisa interessante acontecendo no mundo da tecelagem, né? Todo dia sai uma variação do ponto cruz.

Fabiane: Ou de macramê. Aliás, já viu bordado russo? Imagino que os tapetes dos czares devam ser feitos assim.

Leandro: Belas peças de arte, diga-se. Excelente quantidade de pontos por cm², tapetes realmente consistentes.

Fabiane: ¬¬ Fui procurar imagens de bordado russo. Olha o que eu encontrei:

Lamentável!

Leandro: Huauhauhauauhauhauahuahuhauha!

Fabiane: Jesus me persegue. Esses dias recebi um email dizendo que ele estava me seguindo no Twitter. Nem segui de volta, não era divertido como OCriador, pai dele.

Leandro: Não tem para onde fugir! Esse, sim, é um fanfarrão de marca maior: criar o universo e tudo que há nele só para ficar que nem uma criança pentelha com uma lupa em cima de um formigueiro. :P

Fabiane: Lembrei de uma cena de “O Restaurante no Fim do Universo“.

Leandro: qual?
qual?
qual?qual?
qual?qual?qual?
qual?qual?qual?qual?qual?
qual?qual?qual?qual?qual?qual?qual?qual?

Fabiane:

A luz do sol atravessava as folhas e lançava um brilho sarapintado sobre as coisas que pareciam pêras. As coisas que pareciam framboesas e morangos eram mais rechonchudas e carnudas que quaisquer outros que Arthur já vira, mesmo em comerciais de sorvete.

— Por que a gente não come e deixa para pensar depois? — disse.

— Talvez seja isso que eles querem que a gente faça.

— Está bem, encare desta maneira…

— Começou bem — disse Ford.

— Estão aí para a gente comer. Não importa se são boas ou ruins, se eles estão querendo nos dar comida ou nos envenenar. Se forem venenosas e a gente não comer, eles simplesmente vão nos atacar de algum outro jeito. Se a gente não comer, a gente sai perdendo de qualquer forma.

— Gostei do seu jeito de pensar — disse Ford —, agora coma uma.

Hesitante, Arthur apanhou uma das coisas que pareciam pêras.

— Foi o que eu sempre achei sobre o Jardim do Éden — disse Ford.

— O quê?

— O Jardim do Éden. A árvore. A maçã. Essa parte, lembra?

— Lembro, claro que eu lembro.

— Esse Deus põe uma macieira no meio de um jardim e diz “vocês façam o que vocês quiserem, ah, mas não comam a maçã”. Surpresa surpresa, eles comem e ele pula de trás de uma moita gritando “Peguei vocês!”. Não teria feito muita diferença se eles não tivessem comido.

— Por que não?

— Porque se você está lidando com alguém que tem o tipo da mentalidade de quem deixa um chapéu na calçada com um tijolo embaixo para os outros chutarem pode ter certeza que ele não vai desistir. No fim ele te pega.

Leandro: Ah, você mandou. Estava tão entretido em mandar “quais” seguindo Fibonacci (nerds!!).

Fabiane: Merda. É inevitável, deus está em toda parte, esse maldito. Você colando “qual?” seguindo a… DIVINA PROPORÇÃO! Raios!

Leandro: Pense por outro lado: Fibonacci surgiu com sua famosa seqüência para resolver um problema sobre reprodução de coelhos. Assim, tudo surgiu por causa de sexo. Rock ‘n’ roll!

Post publicado originalmente em 1 de Maio de 2009 às 00:24