Limões, mulas e vestidos

O Raphael Corrêa (aka @Raph4) escreveu em seu blog um texto sobre a Geyse Arruda, a garota do vestido. Nele, ele não fala nada que não seja consenso ― que Geyse nem é tão bonita assim, que ela é burrinha, pobre, etc ―, mas fazendo uma espécie de manifesto do tipo “Por que estão idolatrando esta guria?”, ele acaba por esquecer do xis da questão.

E lá fui eu, no campo dos comentários, meter o bedelho na conversa. Porque campo de comentário de blog serve pra isso mesmo, apesar de muita gente por aí achar que é sinônimo de privada. Pelo Twitter vejo que, no momento em que escrevo isso, o Raphael foi pra aula e ainda não liberou meu comentário. Segue abaixo:

Acho que você escorregou um pouco e fugiu do assunto.

Acompanhe: Não importa muito se ela é uma isenta, burra, se não entende o mínimo de moda (porque, vamo combiná, aquele vestido é brega pra caralho), ou nem tão bonita assim. Essa é a imensa maioria do país, e eu concordo absolutamente com a última linha do último parágrafo do texto, só não zarpei dessa budega ainda por falta de dinheiro. Mas também tem que considerar relações de causa e efeito entre a tosquice do país e a qualidade da educação/cultura/etc. Nós, classe média, temos sim muito preconceito contra os burros e pobres, mas quando é hora de falar sério (e você se propôs a isso nesse texto), é hora de falar sério.

Enfim, o assunto não é esse – e foi justamente o enfoque que você deu, e na verdade nem emitiu opinião sobre o acontecido em si. O cerne do caso Geyse é justamente o motivo da humilhação pública. Pensa comigo: ela ser burra, ter nome feio, e não ser lá grande coisa em termos estéticos justificaria a atrocidade medieval cometida contra ela no pátio da universidade, por mais que ela tenha “provocado”? O fato de terem endeusado uma moça que não é grande coisa torna o caso dela menos horrível? E se ela fosse uma Megan Fox com doutorado em Mecânica Quântica, trabalhasse no CERN e aquele fosse o pátio da USP ou da UNICAMP, a balbúrdia seria “mais justa”?

É preciso ter cuidado ao simplificar um assunto sério porque não foi com a cara da guria (e este é MUITO sério, afinal retrata como anda a elite da elite brasileira – e se você tem curso superior, por pior que seja a instituição em que você estuda, FAZ SIM parte dessa nata). Eu acho ótimo toda essa super-exposição, leva as pessoas a pensarem que, apesar da democracia e dos direitos civis conquistados nos séculos posteriores, ainda vivemos numa sociedade preconceituosa, machista, patriarcal e muito longe de ser meritocrática – olhaí, tô parecendo o Alex Castro falando.

Eu sei que o assunto já está gasto, mas… e você, nobre leitor, o que pensa disso?

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