Meus preconceitos musicais

Todo mundo tem seus preconceitos musicais, eu também tenho os meus. Por conta desses meus preconceitos, eu desprezo uma pá de tipos de gente. Mas não me envergonho deles, ao contrário, boto aí pra todo mundo ver.

Desprezo pessoas que gostam de determinada banda/cantor, mas não assumem por medo do “preconceito” que possam sofrer por conta disso. Desprezo pessoas que não ouvem determinado tipo de música porque acham que vai influenciar em sua orientação sexual. Desprezo pessoas que não ouvem determinadas bandas com medo de prejudicar sua “coerência musical”.

Desprezo profundamente quem dá mais importância a classificar estilos de bandas do que às bandas em si. É impossível classificar em apenas um estilo bandas como U2 (rock, eletro, pós-punk?) ou Depeche Mode (synthpop, rock, new wave, euro?). Por mais que essas bandas tenham mudado ao longo dos anos, carregam influências. Não são puritanas e “fiéis” aos seus estilos de origem, e seriam extremamente monótonas se fossem. Classificar é divertido, e até útil e prático. Serve pra organizar os discos na prateleira, no player, cruzar referências, descobrir origens. O problema é quando os rótulos viram barreiras.

Desprezo pessoas que acham que os músicos têm de fazer música do jeito que elas querem. Eles têm é de fazer música do jeito que quiserem! Desprezo pessoas que acham que brasileiro, por ser brasileiro, tem a obrigação de gostar de música nacional. Desprezo pessoas que não gostam de determinados estilos musicais by default simplesmente por serem determinados estilos.

Desprezo profundamente quem se baseia em popularidade e não em sonoridade para classificar e ouvir música. Indie e Pop, por exemplo. Música indie é só é indie mesmo se for uma banda conhecida por meia dúzia de pessoas em algum país distante do Leste Europeu. Se a banda indie cai no gosto popular, é porque se venderam para as gravadoras, caiu a qualidade, não são mais os mesmos, o primeiro álbum gravado na garagem de casa numa fita K7 é que era bom.

Desprezo pessoas que acham que você tem que “entender” alguma coisa de música pra gostar de música. Você não trabalha nem sua vida depende de determinada coisa? Então você não tem obrigação de saber sobre ela. Desprezo pessoas que não sabem diferenciar seqüências musicais comuns de plágio, e não entendem que referências e ídolos todo mundo tem. Desprezo pessoas que acham que você, por ser jovem, não tem o direito de gostar de música que não é “do seu tempo” porque não entende o contexto. Desprezo pessoas que se vêem na obrigação de gostar de determinada coisa porque tem alguma importância histórica ou porque é “cool”.

Desprezo pessoas que dizem “Eu vivi época tal, você não sabe do que está falando”, quando na época tal essa pessoal era pivete ainda. Mas também desprezo pessoas que mesmo tendo vivido plenamente época tal, dizem “Eu vivi época tal, você não sabe do que está falando”. Desprezo quem diz “no meu tempo é que faziam música boa de verdade”. Aliás, desprezo qualquer um que diga “no meu tempo” a sério, torcendo o nariz pro hoje. No teu tempo é que era bom? Então se mata, ué! Velhos…

Desprezo pessoas que acham que você tem que ter algum “motivo” pra ouvir alguma coisa. Qual o problema de quem só ouve música pra dançar? Deixa eles, uai. Não incomodando ninguém, pode ouvir até Tecnobrega. Se fulano só quer dançar-dançar-dançar-pneus-de-carro-cantão, foda-se. Ouvir música não tem que ser um sacrifício, algo que se faz pelo bem de todos e felicidade geral da nação, com comprometimento e consciência.

Tem que ouvir o que se gosta. Torcem o nariz porque você gosta de sertanejo, funk carioca, tecnobrega ou música indu? Manda tomar no cu. Olhaí a sonoridade musical, rimou!

Te olham torto porque você não aprecia as letras de música em profundidade nem está preocupado em refletir sobre elas e seus significados ocultos? Manda tomar no cu.

Dizem que Fulana só quer se aparecer e que quem gosta das músicas dela não tem nada na cabeça, mas você gosta dela e por isso te enchem o saco? Manda tomar no cu.

Implicam com você porque você não curte uma banda consagrada que mudou a história do rock e que todo mundo gosta e acha que todo o resto da humanidade também tem que gostar, porque se não gostar não “entende” de música? Manda tomar no cu.

Você acha que TODO MUNDO gosta do tipo de música que você gosta e tem que ouvir o que você está ouvindo? Então agora eu é que te mando tomar no cu. Não desprezo quem gosta de forró, axé, emo e outros lixos. Mas desprezo quem gosta desses estilos e OUVE ALTO NO SOM DO CARRO! Maluco pode gostar de QUALQUER COISA desde que não me encha o saco.

Aí, me perguntam: “Por que tanto ódio no seu coraçãozinho?”. Eu respondo que não é ódio, é desprezo, e com ele vem a indiferença. E a indiferença é justamente mandar tomar no cu, ligar o foda-se e cagar solenemente, afinal passei da idade de ter que justificar minhas opiniões.

Não gostou? Tome no cu.

11 thoughts on “Meus preconceitos musicais

  1. Bem dessas…Eu pego ônibus todo dia de manhã com um cara que deixa os funks tocando alto no radinho de pilha. Vou dar fones de ouvido como presente de natal pra esse infeliz.

  2. Vc tem certeza de que não despreza quem gosta de forró, axé, emo e outros lixos? Aliás, este complemento (outros lixos) contradiz a sua tese de não desprezar os gostos alheios. Acho também que uma pessoa inteligente como vc deveria utilizar-se de uma linguagem menos grosseira. De grosseria neste país, já basta a verborragia do Lula.

    Mas, no geral, estou plenamente de acordo com a mensagem que vc quis passar. Até porque sempre me senti angustiado porque todos adoram The Beatles, Roberto Carlos, Chico Buarque e afins, mas nunca achei a mínima graça neles. Também acho que escutar música é um momento íntimo, que tem muito a ver com seu estado de espírito. Não deve ser um momento de tortura ou de intelectualidade.

    Ah! E defendo detenção e solitária para todos os manés que ouvem som alto em locais públicos. Animais assim não sabem viver em sociedade.

    Bom, é isso. Espero que vc não fique brava comigo, pq gosto muito do seu trabalho!

  3. Vc tem certeza de que não despreza quem gosta de forró, axé, emo e outros lixos? Aliás, este complemento (outros lixos) contradiz a sua tese de não desprezar os gostos alheios.

    Pra mim é lixo, pra quem curte não. Assim como quem não gosta do que eu gosto acha que o meu gosto musical é lixo. Desprezo o tipo de música porque não gosto, mas não condeno quem gosta. Savvy?

    Acho também que uma pessoa inteligente como vc deveria utilizar-se de uma linguagem menos grosseira. De grosseria neste país, já basta a verborragia do Lula.

    Não sei o que o Lula fez ou deixou de fazer, mas por que logo eu deveria ser menos grosseira? Aqui é meu blog, o único lugar onde não tenho chefes, prazos ou temas específicos, por que eu deveria me refrear? Por que eu deveria deixar de mandar todo mundo tomar no cu, se a expressão diz exatamente o que quero dizer no momento?

    sempre me senti angustiado porque todos adoram The Beatles, Roberto Carlos, Chico Buarque e afins, mas nunca achei a mínima graça neles.

    Idem, idem e idem.

    Ah! E defendo detenção e solitária para todos os manés que ouvem som alto em locais públicos. Animais assim não sabem viver em sociedade.

    Absolutamente concordo.

    Espero que vc não fique brava comigo, pq gosto muito do seu trabalho!

    Nem. :)

  4. Eeeee mais uma curitibana sensata.
    Apoio detenção para todo “desgraçado” que quer obrigar os outros a compartilhar de seu mau gosto colocando a nhaca do celular ou mpqquercoisa tocando no ultimo volume principalmente dentro do onibus qdo vc está doida para chegar em casa e descansar ¬¬.

  5. Que porcaria de pessoa você virou! Você é apenas mais uma a engrossar o “lixão” da internet com essas palavras e expressões ridículas. Nem desprezo consigo sentir por uma porcaria de pessoa como você.

    Clap, clap, clap, clap… Aplausos para você!

  6. Meus preconceitos são minha identidade, sem eles seria um idiota eclético (no senntido de não possuir critério de seleção).

    Dizer que se tem que entender de música para poder apreciá-la é um dos argumentos mais me irritam. Principalmente porque sou analfabeto musical, não sei ler partituras, nem tocar algum instrumento. Geralmente, pessoas que apelam para esse argumento, numa tentativa desesperada de defender sua predileção musical, esquecem que, como toda obra estética, ela não se limita a execução técnica, na verdade, ela pretende ir além disso. Não que ache que ter algum conhecimento técnico não possibilite apreciar algo que, de outra forma, sequer prestaríamos atenção, mas, é totalmente compreensivo gostar de algo que não se pode defender tecnicamente ou desgostar de alguma coisa, mesmo sabendo ser tecnicamente bem feita. Obras de arte que possuam valor unica e exclusivamente em caráter técnicos só podem agradar as máquinas. Além dos mais, dificilmente vemos esse tipo de argumento aplicado em outras áreas de produção artística como pintura, ninguém diz que é preciso algum entendimento de técnicas de pintura para poder apreciar um quadro, ou entender de técnicas de manuseio de ponteiro e marreta para apreciar a uma escultura. Gostar de obra de arte, qualquer que seja, envolve mais coisa do que apenas uma apreciação fria e técnica de sua realização.
    Sem falar na empáfia de quem utiliza esse tipo de patifaria argumentativa numa simples troca de idéias sobre gosto musical.

    E, a propósito, um pouco de grosseria feminina é sexy.

  7. Pingback: Blog do Lucho

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