Gamer

Envolvendo uma série de questionamentos que talvez levem aos orgasmos os chatos que acham que a culpa pela violência está nos jogos eletrônicos, Gamer me parece uma mistura de Matrix com pitadas de Show de Truman mais aquele filme do Van Dame em que botam condenados na arena pra lutar até a morte e que agora não me recordo o nome. Num contexto mais futurista, a introdução com uma reinterpretação de Sweet Dreams do Eurythmics feita pelo Marilyn Manson promete violência e porradaria em altas proporções. A promessa é de fato cumprida, mas…

O filme se perde um pouco no que diz respeito ao fluxo do enredo. A introdução, mostrando a reação popular e o dilema ético, parece se arrastar além do necessário. O “miolo”, porém, parece corrido demais e, quando nos damos conta, o protagonista Kable já está enfrentando o chefão e salvando a princesa.

O grande forte de Gamer são suas cenas de batalha. Apesar de eu achar que a câmera treme exageradamente, as cenas são épicas, e se espera que a qualquer momento Gerard Butler grite “This is SPARTA!” antes do pau comer. Explosões, estilhaços, corpos e sangue pra tudo que é lado tentam retratar como seria um jogo de tiro na vida real.

No entanto, o ótimo cenário de guerra é a toda hora interrompido por seqüências e personagens dispensáveis ou mal aproveitados, como é o caso Ludacris, que interpreta uma espécie de Morpheus que tem um papel chave na fuga de Kable mas de quem os roteiristas se livram desajeitadamente. Ou ainda John Leguizamo, que ultimamente só parece nos filmes pra morrer. Estes cortes servem bem para aliviar a tensão na tela, mas por parecerem inúteis acabam por irritar um pouco.

Quem se importa minimamente com tecnologia acaba por se ater a alguns detalhes que passam desapercebidos do grande público. Como, por exemplo, são captadas as imagens do jogo? Câmeras escondidas que, milagrosamente, não ficam cobertas pelo sangue e fuligem que cobre os prisioneiros da cabeça aos pés? O jogador só pode jogar nos horários pré-determinados das batalhas? Os NPCs (Non-Player Characters) são pessoas comuns ou igualmente condenados? E como diabos aquele piá consegue se orientar naquela interface xexelenta daquele híbrido de Project Natal com Holodeck?

É claro que algumas vezes os filmes nos exigem um certo exercício de imaginação, mas ignorar como a coisa toda funciona é muito mais fácil em Quero ser John Malkovich do que em Gamer, que se pretende como um filme de ficção científica. Mais ou menos como em Swordfish, em que aquela papagaiada do Hugh Jackman criando um vírus em 3D – uma das coisas mais “for dummies” já vista no cinema por esta que voz escreve – tira toda a credibilidade do filme. Esse é o problema (ou não) da ficção científica: ela tem que se mostrar minimamente crível, nem que seja num universo paralelo, ou numa galáxia muito, muito distante.

Deus é onipresente

Leandro: Para que perder tempo com alguém que acha que umas palavras (oração) podem fazer um cisto atravessar a parede do útero? Prefiro gastar meu tempo com tricô. Tanta coisa interessante acontecendo no mundo da tecelagem, né? Todo dia sai uma variação do ponto cruz.

Fabiane: Ou de macramê. Aliás, já viu bordado russo? Imagino que os tapetes dos czares devam ser feitos assim.

Leandro: Belas peças de arte, diga-se. Excelente quantidade de pontos por cm², tapetes realmente consistentes.

Fabiane: ¬¬ Fui procurar imagens de bordado russo. Olha o que eu encontrei:

Lamentável!

Leandro: Huauhauhauauhauhauahuahuhauha!

Fabiane: Jesus me persegue. Esses dias recebi um email dizendo que ele estava me seguindo no Twitter. Nem segui de volta, não era divertido como OCriador, pai dele.

Leandro: Não tem para onde fugir! Esse, sim, é um fanfarrão de marca maior: criar o universo e tudo que há nele só para ficar que nem uma criança pentelha com uma lupa em cima de um formigueiro. :P

Fabiane: Lembrei de uma cena de “O Restaurante no Fim do Universo“.

Leandro: qual?
qual?
qual?qual?
qual?qual?qual?
qual?qual?qual?qual?qual?
qual?qual?qual?qual?qual?qual?qual?qual?

Fabiane:

A luz do sol atravessava as folhas e lançava um brilho sarapintado sobre as coisas que pareciam pêras. As coisas que pareciam framboesas e morangos eram mais rechonchudas e carnudas que quaisquer outros que Arthur já vira, mesmo em comerciais de sorvete.

— Por que a gente não come e deixa para pensar depois? — disse.

— Talvez seja isso que eles querem que a gente faça.

— Está bem, encare desta maneira…

— Começou bem — disse Ford.

— Estão aí para a gente comer. Não importa se são boas ou ruins, se eles estão querendo nos dar comida ou nos envenenar. Se forem venenosas e a gente não comer, eles simplesmente vão nos atacar de algum outro jeito. Se a gente não comer, a gente sai perdendo de qualquer forma.

— Gostei do seu jeito de pensar — disse Ford —, agora coma uma.

Hesitante, Arthur apanhou uma das coisas que pareciam pêras.

— Foi o que eu sempre achei sobre o Jardim do Éden — disse Ford.

— O quê?

— O Jardim do Éden. A árvore. A maçã. Essa parte, lembra?

— Lembro, claro que eu lembro.

— Esse Deus põe uma macieira no meio de um jardim e diz “vocês façam o que vocês quiserem, ah, mas não comam a maçã”. Surpresa surpresa, eles comem e ele pula de trás de uma moita gritando “Peguei vocês!”. Não teria feito muita diferença se eles não tivessem comido.

— Por que não?

— Porque se você está lidando com alguém que tem o tipo da mentalidade de quem deixa um chapéu na calçada com um tijolo embaixo para os outros chutarem pode ter certeza que ele não vai desistir. No fim ele te pega.

Leandro: Ah, você mandou. Estava tão entretido em mandar “quais” seguindo Fibonacci (nerds!!).

Fabiane: Merda. É inevitável, deus está em toda parte, esse maldito. Você colando “qual?” seguindo a… DIVINA PROPORÇÃO! Raios!

Leandro: Pense por outro lado: Fibonacci surgiu com sua famosa seqüência para resolver um problema sobre reprodução de coelhos. Assim, tudo surgiu por causa de sexo. Rock ‘n’ roll!

Post publicado originalmente em 1 de Maio de 2009 às 00:24

Reboot

Há algum tempo, eu prometi uma mudança radical neste blog. Estava cansada de reproduzir conteúdo em vez de criar coisa nova, afinal este era o propósito deste blog quando foi criado, mais de seis anos atrás. Fiquei mais de seis meses só ameaçando, e nada.

Hoje Faz uns dias, deu a louca e eu deletei meu blog: base de dados, comentários, imagens, tema, tudo. Claro que fiz backup antes caso ocorra um eventual arrependimento, e também para manter a história intacta e as gafes longe do público – mas que podem tranqüilamente ser conferidas no cache do Google. Algum ou outro texto antigo que não seja descaradamente datado e que consiga passar pelo meu novíssimo e rigoroso critério de seleção talvez possa vir a ser republicado.

Não prometo nada, pois todas as promessas que fiz neste blog ou não foram cumpridas ou foram apenas parcialmente. Mas uma coisa é certa: minha paranóia em produzir apenas conteúdo original, de cada vírgula até a ilustração do post, está valendo.

É bom começar do zero, sem nenhum legado. :)