The girl is back in town

O texto abaixo estava guardado nos drafts deste blog há muito. Não sei o que queria dizer com ele à época em que o escrevi, mas pelas poucas pistas que ele dá, deve ser de algum dia entre o fim de 2009 e o segundo semestre de 2010.

Mulher quando quer revolucionar vai logo mexendo no cabelo, isso é um fato inegável até para mulheres que, como eu, não têm as frescuras que assolam o mulherio mediano. Mesmo que nenhuma revolução de fato aconteça, se ela tem vontade mudar algo em sua vida, o cabelo é a primeira meta. Terminou com o namorado e quer dar a volta por cima? Taca a tesoura no cabelo. Tá afim de trocar de emprego? Tinta nele! Cansou de ser boazinha e quer virar a nova piriguetchi do pedaço? Faz qualquer merda no cabelo.

Geralmente, a vontade de mudar de vida é o principal motivo para uma mudança radical na juba. Se a mulé mudou o cabelo, desconfie. Mesmo que em duas semanas ela volte a ser do mesmo jeitinho que era, nos próximos dias ela vai se sentir poderosa, mudada e acima da carne seca, então cuidado com ela.

Desde a minha adolescência fracassada até os dias atuais, nos quais sou uma “operadora de software gráfico” igualmente fracassada ― não me canso de olhar para minha carteira de trabalho e ver essas nobres palavras escritas ―, eu já mudei meu cabelo umas trocentas mil e quarenta e duas vezes. Mudanças de vida e atitude de fato, algumas poucas, porém definitivas. Ultimamente, continuo querendo mudar, mas picar indefinidamente um cabelo que nem passou do ombro ainda é sacanagem com o coitado. Quero que ele cresça bastante, que nem cabelo de fiel da Congregação Cristã, praí eu ter mais possibilidades de mudança e não acabar careca.


Se você é novo aqui, puxe uma cadeira e fique à vontade. Se você é leitor dazantiga, este blog não é mais um blogazine. Blogazines têm muitos pros (e eu os adoro), mas os contras estavam pesando demais; minha saudade da blogagem moleque, da blogagem de várzea, estava falando mais alto.


P.S.: Só pra esclarecer, o texto acima foi escrito há muito tempo. Eu estava em outra vibe, lutando pra virar mulherzinha, pintando unha, comprando roupinha cor-de-rosa e sapato de salto, completamente desinformada a respeito de coisas como identidade de gênero, queer, orientação sexual, e etecéteras. Inutilmente, como quem me conhece pode atestar.