Por Chico Rasia
Parece que tudo começou com um post da Fabiane Lima em seu blog, sobre ceticismo e reencarnação. O artigo comentava uma entrevista de Ian Stevenson, se não me engano publicada originalmente em 1972, e deflagrou uma campanha de controvérsia e ataques pessoais à autora (trollagem). Não conheço a Fabiane pessoalmente, sou um dos mais de dois mil seguidores dela no twitter, mas decidi oferecer minhas considerações ao debate.
A discussão se polarizou como uma disputa sobre o caráter científico da reencarnação. Muitos defensores citaram Ian Stevenson como um autor significativo, cujo trabalho se destaca pela aplicação do método científico à investigação de casos de reencarnação, e que as dificuldades da autora em aceitar a teoria da reencarnação eram sintoma de sua “mente fechada”.
Bem, com uma atitude de mente aberta e dentro dos cânones da ciência contemporânea, me propus a analisar um artigo de Ian Stevenson. O artigo é intitulado The phenomenon of claimed memories of previous lives: possible interpretations and importance e foi publicado na revista Medical Hypotheses. Ele pode ser localizado através do site www.sciencedirect.com, e não está disponível para download – mas ele pode ser baixado gratuitamente nas bibliotecas e laboratórios universitários com acesso ao portal de periódicos da Capes. Como artigo publicado em periódico, assinado, ele atende a quase todos os requisitos para ser considerado um trabalho científico, exceto um, como será discutido.
Não estou aqui para defender nenhuma posição religiosa; procurei deixar minha orientação religiosa de lado e analisar o artigo como aquilo que ele é – um artigo científico – com o mesmo rigor e cuidado que eu analisaria um trabalho da minha área. Todos os trechos citados do original o serão em inglês, para evitar que o sentido seja alterado durante a tradução. Tendo em mente essas breves considerações, vamos à análise.
A publicação
Como coisa humana, o mundo científico espelha alguns aspectos de nossa sociedade. As publicações científicas disputam continuamente a atenção dos pesquisadores – boas publicações, com fator de impacto alto, atraem bons artigos científicos, escritos por pesquisadores renomados. Os pesquisadores guardam seus melhores trabalhos para publicação nos melhores periódicos. No Brasil, o sistema Qualis da Capes (qualis.capes.gov.br) ranqueia as publicações nacionais e internacionais, e o Science Direct usa uma medida chamada Impact Factor. A revista Nature, sonho de todo pesquisador, tem fator de impacto 31.434; a Medical Hypotheses tem fator de impacto 1.416 – ou seja, os trabalhos ali publicados não são referenciados com muita frequência.
Dois parágrafos atrás eu escrevi que o artigo atende a quase todos os requisitos para que o trabalho seja considerado científico. O que quero dizer com isso? Bem, o artigo certamente está formatado corretamente: tem um título, está assinado, tem um resumo (abstract), foi redigido no tom correto – com certa impessoalidade –, traz um conjunto de referências bibliográficas; está dividido em introdução, desenvolvimento e discussão, nos moldes de todo artigo científico. Porém, um detalhe na descrição da revista chamou a minha atenção. Do site da editora:
Medical Hypotheses takes a deliberately different approach to review: the editor sees his role as a ‘chooser’, not a ‘changer’, choosing to publish what are judged to be the best papers from those submitted. The Editor sometimes uses external referees to inform his opinion on a paper, but their role is as an information source and the Editor’s choice is final. The papers chosen may contain radical ideas, but may be judged acceptable so long as they are coherent and clearly expressed. The authors’ responsibility for the integrity, precision and accuracy of their work is paramount. (link)
Em outras palavras: a revista onde o artigo foi publicado não submete os trabalhos à revisão pelos pares (peer review); esse processo, não muito diferente do que eu estou fazendo agora, é integral à idéia de ciência contemporânea, e tem dois objetivos primordiais: assegurar a qualidade e a clareza do que está sendo publicado (os revisores, via de regra, mandam comentários para auxiliar o autor na elaboração do artigo), e assegurar que o trabalho tem consistência, checando as teorias do autor contra as posições consensuais da área, o que Thomas Kuhn chamaria de ciência normal. Na minha opinião, ter sido submetido ao crivo da revisão é importante para que um artigo seja considerado científico.
Fontes de dados
Me chamou a atenção, em primeiro lugar, a quantidade de referências que o autor elencou: 66, no total. Dessas, 16 (um quarto do total) são trabalhos do próprio autor; citar excessivamente trabalhos próprios não é, em geral, considerado uma boa prática, e muitas publicações orientam os autores a não fazer isso, até mesmo como garantia de anonimato durante a revisão pelos pares.
O autor parte então dos casos relatados na literatura – muitos deles compilados pelo próprio autor, como se pode verificar nas referências bibliográficas – para defender sua teoria: que as memórias de vidas passadas explicariam fenômenos não explicáveis pela genética ou psicologia. O artigo é curto, com apenas oito páginas. Não se esperaria que o autor descrevesse minuciosamente cada caso relatado, mas se fossem apresentados fragmentos das citadas entrevistas com familiares certamente seria possível interpretação independente. De fato, o autor apresenta toda sua evidência de segunda mão, e dá a entender que nem mesmo o autor teve acesso em primeira mão a todos os relatos originais:
The principal method of investigation is interviews, often repeated, with firsthand informants for both the child’s side of the case and that of the concerned deceased person, if one has been identified. We emphasize independent verification of the child’s statements. Written documents, such as postmortem reports, are always sought, examined, and copied when feasible (STEVENSON 2000, p. 652).
Dessa maneira, é dificultada a interpretação independente dos fatos relatados; obriga-se o leitor a confiar no relato de Stevenson, e no artigo ele não faz menção à confiabilidade dos relatos. Através do Google, é possível localizar e visualizar fragmentos das publicações originais, como os seguintes:
[Sobre o caso Gladys Deacon, que alegava ser a reencarnação de uma menina chamada Margaret Kempthorne] Later, in the 1970s, I attempted to trace records of Margaret Kempthorne, but, as will be seen, I did not succeed. Gladys Deacon’s mother died when she was 18 years old. The woman with whom Gladys Deacon was travelling in 1928 (who would have been a potential witness of the verification of her statements) died some years before I began my inquiries for the case. The case therefore rest entirely on the statements of Gladys Deacon (STEVENSON 2003, p. 52)
[Sobre o caso Katherine Walls] I include this case with some hesitation. This does not arise from the failure to verify the subject’s statements, because I have published other unverified cases and this book includes several others. Nor does it arise because regrettably I have not met the subjet (…) They mainly derive, however, from the acknowledged skill of the subject in conceiving ‘stories’ that she knew were fantasies and in the telling of which her father encouraged her (STEVENSON 2003, p. 59).
São apenas dois casos escolhidos a esmo, mas demonstram falta de cuidado na verificação dos dados e displicência quanto à publicação de informações não verificadas, e contradizem a afirmação do autor na página 652. No caso Gladys, todas as testemunhas e pessoas com quem ela teve contato, inclusive os comerciantes que a contaram a história de Margaret, já haviam falecido à época da entrevista com Stevenson. Pode-se supor que outros relatos de que o autor se apropriou sofram das mesmas inconsistências; mas vou dar o benefício da dúvida e tomar por verificadas as histórias que o autor usa para ilustrar sua hipótese.
Casos médicos “inexplicáveis”
O abstract resume muito bem a teoria que Stevenson apresenta no artigo. A ver:
Several disorders or abnormalities observed in medicine and psychology are not explicable (or not fully explicable) by genetics and environmental influences, either alone or together. These include phobias and philias observed in early infancy, unusual play in childhood, homosexuality, gender identity disorder, a child’s idea of having parents other than its own, differences in temperament manifested soon after birth, unusual birthmarks and their correspondence with wounds on a deceased person, unusual birth defects, and differences (physical and behavioral) between monozygotic twins. The hypothesis of previous lives can contribute to the further understanding of these phenomena (STEVENSON 2000, p. 652)
O autor oferece então explicações para cada um desses assuntos através da hipótese das vidas passadas. Stevenson afirma que 36% dos sujeitos que se lembravam de vidas passadas apresentavam algum tipo de fobia na infância, e que as fobias estariam relacionada à maneira da morte na vida passada:
The phobias nearly always accorded with the mode of death in the claimed previous life. For example, a child who claimed to remember a life that ended in drowning would have a phobia of being immersed in water; one who said it remembered a life with death from a gunshot wound would have a phobia of guns (STEVENSON 2000, p. 653).
Ou não se poderia analisar isso no sentido contrário, e entender que as fantasias ou sonhos das crianças são a expressão de suas fobias? Post hoc ergo propter hoc é uma argumentação traiçoeira. Reduzida ao absurdo, essa explicação nos levaria a dizer que uma criança com medo do escuro seria a reencarnação de outrem que morreu de escuridão? Adiante, um trecho sobre malformações congênitas:
Most of the birth defects do not correspond to any recognized ‘pattern of human malformation’; instead, they correspond to sword cuts, shotgun wounds, or other modes of death (STEVENSON 2000, p. 656).
O autor não expõe imagens dessas malformações, certamente por restrição de espaço. Mas as analogias baseadas em semelhança visual são, também, traiçoeiras. Nós estamos acostumados a reconhecer padrões na natureza, nossos cérebros evoluíram para isso. Se nos predispomos a enxergar padrões, essas associações ficam ainda mais frequentes. Ainda sobre os defeitos congênitos:
For example, one child, born with unilateral brachydactyly of the right hand, said that he remembered the life of a child in another village who had cut off the fingers of his right hand when he accidentally put them between the blades of a fodder-chopping machine (STEVENSON 2000, p. 656).
Sobre esse caso específico, o autor não diz se essa “criança da outra vila que decepou o próprios dedos na máquina” existiu ou não. É um exemplo gráfico, certamente chama a atenção, mas não há, no artigo, informações que suportem a alegação do autor.
Eu poderia continuar desfilando as explicações para o comportamento, rejeição dos pais, marcas de nascença, mas acho desnecessário. Todos os relatos que o autor apresenta são baseados em evidência anedótica e, como visto, não há maior cuidado na coleta de dados e na elaboração das entrevistas, e as relações causais que Stevenson oferece são pouco mais que acidentais.
Uma revolução científica
O artigo de Stevenson é muito bem escrito, e eu recomendo a leitura. O autor expõe seus pontos de vista de maneira clara, tentando demonstrar as relações de causa-e-efeito como mandam os preceitos da ciência contemporânea, o que é louvável; e o texto não é assolado pela confusão e o obscurantismo que tantas vezes afetam os textos “esotéricos”. O assunto é controverso, certamente empolgante, e não é supresa nenhuma que as teorias de reencarnação encontrem resistência na comunidade científica.
Entretanto, o corpo de evidência que o autor apresenta é muito fraco (a displicência na coleta dos dados e a impossibilidade de verificação independente são preocupantes), as relações que ele procura demonstrar são muito tácitas, podendo, sem exceção, ser explicadas pela psicanálise, pela embriologia, pela cultura, pelo imaginário, ou serem meras coincidências.
É claro que existem revoluções científicas de vez em quando, e é claro que, geralmente, novas teorias têm muito trabalho para serem aceitas. Não é suficiente dizer que a ciência oficial é fechada e não aceita as teorias novas; para que as teorias de Stevenson possam “entrar no clube” do pensamento científico, elas precisam passar pelo processo de discussão, angariando defensores e seguidores até que se torne a nova ciência normal, como muito bem nos ensina Kuhn (2007). Mas, ao mesmo tempo em que são necessárias evidências que suportem a nova teoria, ela deve também explicar os fatos que a teoria anterior (oficial, normal, mainstream…) não consegue. Ao meu entender, os problemas apresentados por Stevenson sequer são problemas de pesquisa.
Referências
STEVENSON, I. The phenomenon of claimed memories of previous lives: possible interpretations and importance. Medical Hypotheses, n. 54, p. 652-659.
STEVENSON, I. European cases of the reincarnation type. EUA: McFarland, 2003.
KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 9. Ed. São Paulo: Perspectiva, 2007.
Chico Rasia (@chicorasia), é Arquiteto Urbanista, graduado em 2003 pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e mestrando em Tecnologia pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da UTFPR.
Dá gosto ler um artigo tão bem escrito em um blogazine tão bem feito.
Submeter uma pesquisa a apreciação da comunidade de pesquisadores é o que, digamos, “há de mais científico” numa pesquisa com pretensões de ciência. O resto está mais no campo do formalismo acadêmico do que no campo da ciência. Dividir o texto em introdução, desenvolvimento e discussão são normas comuns até mesmo a apresentação de trabalhos de crítica literária e filosofia, o que não chamaríamos de ciência, pelo menos não da mesma maneira que chamamos física e química de ciência.
Gostaria de deixar aqui uma consideração que me veio enquanto lia o artigo (um ótimo artigo, fique registrado antes que eu esqueça):
Há um “vício de pensamento” na crença espírita que impede que a metodologia científica possa dar um veredito final sobre sua veracidade. Na verdade, um pressuposto que impede que reencarnação possa ser encarada como ciência em absoluto.
Da forma que é apresentada, é impossível de se refutar a hipótese da reencarnação, pois, qualquer prova de que “fulano não é a reencarnação de cicrano”, não significa uma refutação da proposição universal: “todos reencarnamos”, mas apenas que “cicrano, então, reencarnou em outra pessoa.” Ou seja, se não podemos estabelecer em quais condições a hipótese de vidas passadas pode ser considerada falsa, se torna impossível fazer uma pesquisa que a prove verdadeira, pois não temos critérios para saber quando falhamos.
E os crentes espíritas parecem não perceber ( e até se sentirem bem confortáveis com isso) que: não há provas nem a favor nem contra a reencarnação simplesmente porque não pode haver prova nenhuma. E TUDO QUE PODE SER ACEITO SEM PROVAS A SEU FAVOR, PODE TAMBÉM SER DESCARTADO SEM PROVAS DO CONTRÁRIO.
Até que se resolva esse problema, digamos, epistemológico da teoria das vidas passadas, ela não passa de uma crença análoga a crença em duendes ou fadas, só que mais ridícula por sua pretensão.
Eu gostaria de saber do que morreu o antepassado daquele garoto que nasceu com 60 dedos nas mãos e 80 nos pés
E o blog tá bonito pra caramba
A tempos atrás entrei em uma discussão, em outro site, sobre estes fenomenos de defeitos de nascimentos serem relacionados a fatos ocorridos em vidas passadas, normalmente marcas na pele que indicariam a forma violenta como a pessoa atual morreu em pretensa vida passada. Chegamos a entrar em contato com membros da equipe do Stevenson (ele estava aposentado e não mais disponível) para maiores detalhes, mas, em resumo, apesar de pessoalmente inclinado a aceitar a hipotese reencarnatória como a explicação mais plausível, o proprio Stevenson nunca afirmou isto categóricamente porque em 2 casos, encontrou gêmeos identicos com as mesmas marcas, o que seria incompatível com sua hipótese.
Tambem em outras ocasiões, encontrou dificuldades, como 2 pessoas diferentes afirmarem serem a mesma em outra vida, ambas contando detalhes intrigantes, e pelo menos um caso de reencarnação em que a pessoa da vida anterior ainda estava viva…
Belo texto do brilhante cientista brasileiro, e ateu, Marcelo Gleiser. Abaixo o fundamentalismo ateu !
domingo, 28 de março de 2010
Sobre a crença e a ciência
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Respeito os que creem. A ciência não tem agenda contra a religião
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A pergunta que mais me fazem quando dou palestras, ou mesmo quando me mandam e-mails, é se acredito em Deus. Quando respondo que não acredito, vejo um ar de confusão, às vezes até de medo, no rosto da pessoa: “Mas como o senhor consegue dormir à noite?”.
Não há nada de estranho em perguntar a um cientista sobre suas crenças. Afinal, ao seguirmos a velha rixa entre a ciência e a religião, vemos que, à medida em que a ciência foi progredindo, foi também ameaçando a presença de Deus no mundo. Mesmo o grande Newton via um papel essencial para Deus na natureza: Ele interferia para manter o cosmo em xeque, de modo que os planetas não desenvolvessem instabilidades e acabassem todos amontoados no centro, junto ao Sol. Porém, logo ficou claro que esse Deus era desnecessário, que a natureza podia cuidar de si mesma. O Deus que interferia no mundo transformou-se no Deus criador: após criar o mundo, deixou-o à mercê de suas leis.
Mas, nesse caso, o que seria de Deus? Se essa tendência continuasse, a ciência tornaria Deus desnecessário?
Foi dessa tensão que surgiu a crença de que a agenda da ciência é roubar Deus das pessoas. Um número espantoso de pessoas acha mesmo que esse é o objetivo dos cientistas, acabar com a crença de todo mundo. Os livros de Richard Dawkins e outros cientistas ateus militantes, que acusam os que creem de viverem num estado de delírio permanente, não ajudam em nada a situação. Mas será isso mesmo o que a ciência pretende? Será que esses fundamentalistas ateus falam por todos os cientistas?
De modo algum. Eu conheço muitos cientistas religiosos, que não veem qualquer conflito entre a sua ciência e a sua crença. Para eles, quanto mais entendem o Universo, mais admiram a obra do seu Deus. (São vários.) Mesmo que essa não seja a minha posição, respeito os que creem. A ciência não tem uma agenda contra a religião. Ela se propõe simplesmente a interpretar a natureza, expandindo nosso conhecimento do mundo natural. Sua missão é aliviar o sofrimento humano, aumentando o conforto das pessoas, desenvolvendo técnicas de produção avançadas, ajudando no combate às doenças. O “resto”, a bagagem humana que acompanha e inspira o conhecimento (e que às vezes o atravanca), não vem da ciência como corpo de saber, mas dos homens e das mulheres que se dedicam ao seu estudo.
É óbvio que, como já afirmava Einstein, crer num Deus que interfere nos afazeres humanos é incompatível com a visão da ciência de que a natureza procede de acordo com leis que, bem ou mal, podemos compreender. O problema se torna sério quando a religião se propõe a explicar fenômenos naturais; dizer que o mundo tem menos de 7.000 anos ou que somos descendentes diretos de Adão e Eva, que, por sua vez, foram criados por Deus, é equivalente a viver no século 16 ou antes disso. A insistência em negar os avanços e as descobertas da ciência é, francamente, inaceitável. Por exemplo, um número enorme de pessoas se recusa a aceitar que o homem pousou na Lua. Quando ouço isso, fico horrorizado. Esse feito, como tantos outros, deveria ser celebrado como um dos marcos da civilização, motivo de orgulho para todos nós.
Podemos dizer que existem dois tipos de pessoa: os naturalistas e os sobrenaturalistas. Os sobrenaturalistas veem forças ocultas por trás dos afazeres dos homens, vivendo escravizados por medos apocalípticos e crenças inexplicáveis. Os naturalistas aceitam que nunca teremos todas as respostas.
Mas, em vez de temer o desconhecido, abraçam essa ignorância como um desafio e não uma prisão. É por isso que eu durmo bem à noite.
Parabéns, Chico. Texto muito bom!