Nome bonito pra “você é horrorosa e a gente precisa achar um jeito de você aprender a conviver com isso sem querer se matar pra continuar sendo útil pra sociedade mesmo que sua vida seja uma merda por causa disso”.
Sobre o barraco na página do Feminismo em Rede
Nota: Onde aparece a sigla “FnR”, leia-se “Feminismo na Rede”.
Esse barraco específico começou porque umas gurias com comportamento bi e que se identificavam como lésbicas se sentiram desrespeitadas com a definição de “lésbica” do FnR. Achei mei exagero, mas vá lá, quem sabe da ofensa é o ofendido.
Eu até concordo com o FnR que, se a mulé gosta de mulé e de vez enquanto de homi, ela é bi. Mas se a mulé PEDE pra ser identificada assim, você chama ela assim e não assado. Não é isso que a gente faz com trans? Então. Mema coisa. Mas não, o FnR insistiu que essas mulheres que se identificam como lésbicas mas “na verdade são bis” estariam invisibilizando as bis. E o pessoal caiu matando, óbvio. Aí depois se entenderam, e depois se mataram DE NOVO. Tipo, oi?
Mas ó, eu já ouvi que euzinha aqui sei nada da minha própria sexualidade e que nem sou bissexual de verdade porque não segui o manual lá que deve ter pra você ser bissexual de verdade, como por exemplo ter um relacionamento sério com outra menina e não só ficar no oba-oba – ainda que vontade de ter uma menina pra chamar de minha nunca tenha faltado e meu pecado tenha sido ter me relacionado “seriamente” somente com homens (apenas um, a propósito). E olha, foi uma lésbica famosinha que me disse isso. Foi chato, de verdade. Não precisava.
E sei lá, as gurias claramente não sabem ouvir críticas nem separar o que é crítica válida mesmo de trollagem. Beleza, normal. Eu me solidarizei no início, mas depois, sabe? Não colou. Não depois de doze anos nessa selva chamada interwebz. É chato ouvir crítica, mas é a consequência natural da visibilidade cada vez maior que (acredito) era a idéia delas pro coletivo. Acontece. Chora em posição fetal e, quando tiver de cabeça fria, depois, volta pra responder o tópico se for o caso. Mas não roda a baiana assim, saca? Não foi legal.
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Work in progress
Um gemido. Suave, sofrido, quase inaudível, seguindo de um suspiro de alívio, igualmente silencioso. A porta quase bateu, mas aparei-a com o braço, e por pouco não prensei a mão no batente. Um movimento brusco, porém silencioso, como meus passos dali em diante.
A borracha do solado dos meus tênis praticamente não fazia barulho no chão ladrilhado do banheiro. Em um ou dois passos, entrei na única cabine vazia que restava e tentei permanecer oculta, e antes de fechar a porta, notei os sapatos vermelhos por baixo do vão. Sapatos de salto não muito alto, de bico redondo, delicados como um sapatinho de boneca. Mesmo de salto, ela se equilibrava na ponta dos dedos, com os calcanhares voltados para fora, e os músculos retesados e aparentes devido ao esforço.
Baixei o trinco, mas ele e a visão que acabara de ter me traíram, e não foi possível manter silêncio. Travei como uma estátua. Como se nada tivesse acontecido, os gemidos e suspiros continuaram, perceptíveis apenas porque o recinto estava no mais completo silêncio.
Mulheres e banheiros, uma relação que jamais vou entender. Vão em bandos, levam horas, conversam mais do que qualquer outra coisa, e atravancam o caminho das pobres diabas que estão ali puramente em função de suas necessidades fisiológicas, que travam o canal da uretra e mal conseguem mijar por causa do evento social. Felizmente, minha aversão por banheiros femininos públicos não é só minha, e não estou sozinha nesse mundo.
E agora isso. Ali, o desconforto era diferente. Eu estava embaraçada por ela. O som, ainda que baixíssimo, denunciava minha colega, mas ela não parecia perceber ou até mesmo se importar. Agora era tarde, e se eu estava ali, deveria fazer o que tinha ido fazer e ir embora da forma mais incógnita e rápida possível.
A urina demorou pouco a sair, e logo eu estava novamente abotoando as calças e lavando as mãos, quando a porta da outra cabine se abriu e eu pude afinal desvendar a identidade de minha vizinha de vaso sanitário.
Spammer
Uma das chapas concorrendo à eleição pra reitoria da UTFPR me mandou um email que na verdade é encaminhado a todos os estudantes da universidade. Spam, óbvio. Não é a primeira que faz isso, e não é a primeira vez a fazer isso. Aí, notei que o remetente era um email da própria chapa candidata, e não de um disparador de emails comum, e resolvi responder com um curto e grosso “não voto em spammer”. Recebi a seguinte resposta:
Lamento, Fabiane…
Dadas as regras do jogo, impostas pela reitoria, esta é a unica forma de tentarmos chegar até você (nossa assessoria de comunicação)…
Desculpe-me pela incomodação.
Cordiais Saudações
Ao que eu respondi:
Tem folheto, tem cartaz na universidade inteira, tem gente gritando com megafone. E essa é a única forma de chegar até nós. Ok…
Continuo não votando em spammer.