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	<title>Bloco de Notas</title>
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		<title>Body dysmorphic disorder</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Dec 2012 00:35:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nome bonito pra &#8220;você é horrorosa e a gente precisa achar um jeito de você aprender a conviver com isso sem querer se matar pra continuar sendo útil pra sociedade mesmo que sua vida seja uma merda por causa disso&#8221;.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Nome bonito pra &#8220;você é horrorosa e a gente precisa achar um jeito de você aprender a conviver com isso sem querer se matar pra continuar sendo útil pra sociedade mesmo que sua vida seja uma merda por causa disso&#8221;.</p>
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		<title>Sobre o barraco na página do Feminismo em Rede</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Sep 2012 16:29:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nota: Onde aparece a sigla &#8220;FnR&#8221;, leia-se &#8220;Feminismo na Rede&#8221;. Esse barraco específico começou porque umas gurias com comportamento bi e que se identificavam como lésbicas se sentiram desrespeitadas com a definição de &#8220;lésbica&#8221; do FnR. Achei mei exagero, mas &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=359">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nota: Onde aparece a sigla &#8220;FnR&#8221;, leia-se &#8220;Feminismo na Rede&#8221;.</em></p>
<p>Esse barraco específico começou porque umas gurias com comportamento bi e que se identificavam como lésbicas se sentiram desrespeitadas com a definição de &#8220;lésbica&#8221; do FnR. Achei mei exagero, mas vá lá, quem sabe da ofensa é o ofendido.</p>
<p>Eu até concordo com o FnR que, se a mulé gosta de mulé e de vez enquanto de homi, ela é bi. Mas se a mulé PEDE pra ser identificada assim, você chama ela assim e não assado. Não é isso que a gente faz com trans? Então. Mema coisa. Mas não, o FnR insistiu que essas mulheres que se identificam como lésbicas mas &#8220;na verdade são bis&#8221; estariam invisibilizando as bis. E o pessoal caiu matando, óbvio. Aí depois se entenderam, e depois se mataram DE NOVO. Tipo, oi? </p>
<p>Mas ó, eu já ouvi que euzinha aqui sei nada da minha própria sexualidade e que nem sou bissexual de verdade porque não segui o manual lá que deve ter pra você ser bissexual de verdade, como por exemplo ter um relacionamento sério com outra menina e não só ficar no oba-oba &#8211; ainda que vontade de ter uma menina pra chamar de minha nunca tenha faltado e meu pecado tenha sido ter me relacionado &#8220;seriamente&#8221; somente com homens (apenas um, a propósito). E olha, foi uma lésbica famosinha que me disse isso. Foi chato, de verdade. Não precisava.</p>
<p>E sei lá, as gurias claramente não sabem ouvir críticas nem separar o que é crítica válida mesmo de trollagem. Beleza, normal. Eu me solidarizei no início, mas depois, sabe? Não colou. Não depois de doze anos nessa selva chamada interwebz. É chato ouvir crítica, mas é a consequência natural da visibilidade cada vez maior que (acredito) era a idéia delas pro coletivo. Acontece. Chora em posição fetal e, quando tiver de cabeça fria, depois, volta pra responder o tópico se for o caso. Mas não roda a baiana assim, saca? Não foi legal.</p>
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		<title>Protected:</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Aug 2012 15:19:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[There is no excerpt because this is a protected post.]]></description>
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		<title>Work in progress</title>
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		<pubDate>Sun, 20 May 2012 04:02:28 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um gemido. Suave, sofrido, quase inaudível, seguindo de um suspiro de alívio, igualmente silencioso. A porta quase bateu, mas aparei-a com o braço, e por pouco não prensei a mão no batente. Um movimento brusco, porém silencioso, como meus passos &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=353">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um gemido. Suave, sofrido, quase inaudível, seguindo de um suspiro de alívio, igualmente silencioso. A porta quase bateu, mas aparei-a com o braço, e por pouco não prensei a mão no batente. Um movimento brusco, porém silencioso, como meus passos dali em diante.</p>
<p>A borracha do solado dos meus tênis praticamente não fazia barulho no chão ladrilhado do banheiro. Em um ou dois passos, entrei na única cabine vazia que restava e tentei permanecer oculta, e antes de fechar a porta, notei os sapatos vermelhos por baixo do vão. Sapatos de salto não muito alto, de bico redondo, delicados como um sapatinho de boneca. Mesmo de salto, ela se equilibrava na ponta dos dedos, com os calcanhares voltados para fora, e os músculos retesados e aparentes devido ao esforço. </p>
<p>Baixei o trinco, mas ele e a visão que acabara de ter me traíram, e não foi possível manter silêncio. Travei como uma estátua. Como se nada tivesse acontecido, os gemidos e suspiros continuaram, perceptíveis apenas porque o recinto estava no mais completo silêncio.</p>
<p>Mulheres e banheiros, uma relação que jamais vou entender. Vão em bandos, levam horas, conversam mais do que qualquer outra coisa, e atravancam o caminho das pobres diabas que estão ali puramente em função de suas necessidades fisiológicas, que travam o canal da uretra e mal conseguem mijar por causa do evento social. Felizmente, minha aversão por banheiros femininos públicos não é só minha, e não estou sozinha nesse mundo.</p>
<p>E agora isso. Ali, o desconforto era diferente. Eu estava embaraçada por ela. O som, ainda que baixíssimo, denunciava minha colega, mas ela não parecia perceber ou até mesmo se importar. Agora era tarde, e se eu estava ali, deveria fazer o que tinha ido fazer e ir embora da forma mais incógnita e rápida possível. </p>
<p>A urina demorou pouco a sair, e logo eu estava novamente abotoando as calças e lavando as mãos, quando a porta da outra cabine se abriu e eu pude afinal desvendar a identidade de minha vizinha de vaso sanitário.</p>
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		<title>Spammer</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 17:34:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Uma das chapas concorrendo à eleição pra reitoria da UTFPR me mandou um email que na verdade é encaminhado a todos os estudantes da universidade. Spam, óbvio. Não é a primeira que faz isso, e não é a primeira vez &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=347">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das chapas concorrendo à eleição pra reitoria da UTFPR me mandou um email que na verdade é encaminhado a todos os estudantes da universidade. Spam, óbvio. Não é a primeira que faz isso, e não é a primeira vez a fazer isso. Aí, notei que o remetente era um email da própria chapa candidata, e não de um disparador de emails comum, e resolvi responder com um curto e grosso &#8220;não voto em spammer&#8221;. Recebi a seguinte resposta:</p>
<blockquote><p>Lamento, Fabiane&#8230;</p>
<p>Dadas as regras do jogo, impostas pela reitoria, esta é a unica forma de tentarmos chegar até você (nossa assessoria de comunicação)&#8230;</p>
<p>Desculpe-me pela incomodação.</p>
<p>Cordiais Saudações</p></blockquote>
<p>Ao que eu respondi:</p>
<blockquote><p>Tem folheto, tem cartaz na universidade inteira, tem gente gritando com megafone. E essa é a única forma de chegar até nós. Ok&#8230;</p>
<p>Continuo não votando em spammer.</p></blockquote>
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		<title>Tweets de ontem</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 17:11:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gente, que coisa mais contraditória. Really: http://catolicasonline.org.br/ Se você é cristão, cê tem que ser cristão, porra. Ah, sou cristão mas sou a favor do aborto/faço sexo fora do casamento/uso pílula. PLMDDS! &#8220;Ah, eu sou cristão mas não faço nada &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=345">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Gente, que coisa mais contraditória. Really: <a href="http://catolicasonline.org.br/">http://catolicasonline.org.br/</a></p>
<p>Se você é cristão, cê tem que ser cristão, porra. Ah, sou cristão mas sou a favor do aborto/faço sexo fora do casamento/uso pílula. PLMDDS!</p>
<p>&#8220;Ah, eu sou cristão mas não faço nada do que um cristão deveria fazer&#8221; => ENTÃO DESCE DO MURO, CARAIO!</p>
<p>&#8220;Mas o cerne do cristianismo é o amor&#8221; <= Não, fio, cristianismo é intolerância cega. Amor é algo muito insignificante no cristianismo.</p>
<p>&#8220;Sou cristão mas sou a favor dos direitos da mulher&#8221; <= Sinto muito, mas você tá na religião errada, amigolino.</p>
<p>Aliás, tudo o q cristianismo ensina a respeito de amor os humanos já sabem naturalmente. Ou vcs acham que Jesus veio e, plim!, surgiu amor?</p>
<p>&#8220;Seven lies multiplied by seven, multiplied by seven again&#8221; &#8211; Depeche Mode sobre o cristianismo.</p>
<p>Se não tivesse Eliseu, YHWH e Paulo, eu diria que o cara mais filho da puta da bíblia é Jesus. Esse hippie não tinha nada de bonzinho, não.</p>
<p>Se bem que se levar em conta que Jeová e Jesus são a mesma pessoa, empata.</p>
<p>Aliás, amor no cristianismo é sinônimo de &#8220;faça oq digo sem questionar senão acabo contigo&#8221;. Amor tipo Lindemberg, né?</p>
<p>Primeiro que, pra ser cristão e ser racional e bonzinho, cê tem que ignorar TODO o cristianismo. Não tem como ser os dois.</p>
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		<title>&#8220;Escreve como menina&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2012 20:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Comentário que fiz no blog Feminerds, maravilha que descobri no dia 8 de março, a respeito do texto &#8220;Me perguntaram por que penso que literatura feminina é tratada como inferior&#8221;: Sou blogueira de tecnologia, e escrevo para o Meio Bit. &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=342">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Comentário que fiz no blog <a href="http://feminerds.blogspot.com/2011/12/me-perguntaram-por-que-penso-que.html?showComment=1331671573090#c5345786405733793051">Feminerds</a>, maravilha que descobri no dia 8 de março, a respeito do texto &#8220;Me perguntaram por que penso que literatura feminina é tratada como inferior&#8221;:</p>
<blockquote><p>Sou blogueira de tecnologia, e escrevo para o Meio Bit. Sou uma das duas únicas mulheres que escrevem pra lá, apesar de ultimamente estar meio ausente do site. </p>
<p>Não sei se tenho algum estilo específico, mas sei que, apesar de meu sexo, eu me esforço sinceramente o máximo possível para não ser julgada por ele, ou por causa dele, ainda mais numa área tão dominada pelos homens como a tecnologia. Tento ser neutra em todas as situações, e isso se reflete na minha escrita. Porque se ser menina é ser delicada, romântica, etc, eu sou justamente o contrário disso tudo. Sou é HOMEM, tá pensando o quê?</p>
<p>Um dia, um rapaz comentou que eu &#8220;escrevo como menina&#8221;. Não sei se foi um elogio ou uma crítica, mas tenho a mais absoluta certeza de que um texto meu poderia ser confundido tranqüilamente com o texto de qualquer outro colaborador do site, se os nomes não fossem divulgados no rodapé, juntamente com os avatares. Eu tomei como uma crítica (ruim), e perguntei ao rapaz o quê exatamente na minha escrita queria dizer que foi &#8220;escrito por uma menina&#8221;, e poderia facilmente ser classificado como tal. O rapaz não soube dizer.</p>
<p>Em outras ocasiões, me chamam de &#8220;Cardoso de saias&#8221; (em referência a outro colaborador do Meio Bit), não no sentido de que eu escrevo como menina e de modo parecido com o do Cardoso, mas que eu escrevo de modo parecido com o dele, e só tenho um gênero diferente. E aí não sei mais o que pensar&#8230;</p>
<p>Eu só sei de uma coisa: odeio do fundo do coração que dirijam a mim e ao meu trabalho frases do tipo &#8220;é porque você é mulher&#8221;, &#8220;escreve como menina&#8221;, &#8220;seu traço é de menina&#8221;. Não quero ser menina. Porque ser menina é ser jogada pra escanteio. Nesse sentido, e eu vivo repetindo isso, eu sou HOMEM.</p></blockquote>
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		<title>Como saber se você desenha mal</title>
		<link>http://fabianelima.com/notas/?p=330</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2012 17:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Suas linhas são &#8220;peludas&#8221;. Você nunca desenha o que tem a intenção de desenhar. Nunca desenha nada de corpo inteiro. Você desenha olhos muito bem. Mas só olhos. E só um. Você desenha uma coisa muito bem e não vai &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=330">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<ol>
<li>Suas linhas são &#8220;peludas&#8221;.</li>
<li>Você nunca desenha o que tem a intenção de desenhar.</li>
<li>Nunca desenha nada de corpo inteiro.</li>
<li>Você desenha olhos muito bem. Mas só olhos. E só um.</li>
<li>Você desenha uma coisa muito bem e não vai adiante com medo de foder o desenho e não saber fazer de novo.</li>
<li>Não desenha pés, mãos ou orelhas.</li>
<li>Chama sua incapacidade e falta de talento pra coisa de &#8220;meu estilo&#8221;.</li>
<li>A diferença entre você e o Rob Liefeld é que você reconhece que desenha mal.</li>
<li>Só consegue desenhar rostos em um único ângulo.</li>
<li>Seus únicos desenhos da infância à idade adulta são de casinhas com árvore ao lado.</li>
</ol>
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		<title>Sobre o &#8220;politicamente correto&#8221;</title>
		<link>http://fabianelima.com/notas/?p=333</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 17:20:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava lendo o blog da @fatimatardelli e em seu post mais recente, ela destrincha quatro temas que acha pertinente ensinar sua filha a respeito quando ela for maior, mas eu, que sou chata e sempre tenho que discordar de alguma &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=333">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Estava lendo o blog da @fatimatardelli e <a href="http://subjudice.net/2012/01/as-quatro-pragas/">em seu post mais recente</a>, ela destrincha quatro temas que acha pertinente ensinar sua filha a respeito quando ela for maior, mas eu, que sou chata e sempre tenho que discordar de alguma coisa, fui lá comentar. Por causa de uma preferência habilitada no Askmet, meu comentário foi barrado. Segue abaixo:</p>
<blockquote><p>Não sei se o politicamente correto é assim tão ruim. Claro que a deputada processar Luiz Caldas por uma letra escrita nos anos 80 é meio descabido. A época era outra, os costumes e zeitgeist cultural, igualmente outros. Seria passível de punição se hoje, quase 30 anos depois, ele fizesse uma música dessas. Não sei, pra falar a verdade. Mas explico.</p>
<p>Quanto à suposta &#8220;modificação&#8221; das obras de Machado e Lobato, há um porém que ninguém nunca cita: a primeira vez que li &#8220;Os Miseráveis&#8221;, foi uma versão adaptada para crianças que tinha 200 páginas. Versões adaptadas de obras sempre existiram às pencas, mas isso não impede que você vá lá e pegue a versão original e leia, porque a versão original não vai deixar de existir por causa da versão adaptada.</p>
<p>Agora, pára e pensa: uma criança negra vai na biblioteca da escola, pega um livro do Lobato (dito o &#8220;melhor escritor da literatura infantil brasileira&#8221;) e lê que a Tia Nastácia, apesar de ser amada e querida por todos, é constantemente chamada de &#8220;preta fedida&#8221;, &#8220;macaca&#8221;, e outros apelidos assim não tão carinhosos. O que acontece com a auto-estima dessa criança? Que valores essa criança vai internalizar a respeito de si própria? Eu aprendi, a duras penas, que uma auto-estima estraçalhada literalmente impede a pessoa de viver. Eu nem sei o que é ter alguma auto-estima, e olha que apesar de ser loira branca de olho verde, eu sempre passei apertos por não ser bonita, ou &#8220;fora do padrão&#8221; &#8211; que é um eufemismo pra meninas feias. E uma criança negra que cresce achando que o cabelo dela é feio, que a cor da pele dela não é desejável, e que é natural que os homens prefiram as mulheres brancas loiras de olhos azuis? É claro que isso está certo, oras! É claro que é assim! Ela leu isso, aos dez anos de idade, na obra do melhor escritor infantil de língua portuguesa! Se pá, nem além-mar os portugueses têm um cara tão supimpa na área quanto a gente. E ele deve estar certo.</p>
<p>Lobato é de uma época em que negros nem sabiam ler. Lobato não escreveu para negros. Todo mundo que importa, na obra do Lobato é branquinho de nariz arrebitado. Naquela época, era completamente aceitável chamar negros de &#8220;pretos fedidos&#8221;. Hoje não, nosso zeitgeist é outro. Nosso zeitgeist, ainda que permita que gays apanhem de lâmpada na rua, não permite mais que se fale contra negros sem punição. Ainda bem. Acho completamente aceitável uma adaptação nas obras do Lobato; Mark Twain (que eu também adoro) passou pelo mesmo nos EUA. Crianças pequenas, com personalidade em formação, não precisam saber que, no passado, negros não eram tratados como gente.</p>
<p>Eu acho que o politicamente correto não é ruim quando ele protege a auto-estima das crianças (e de quem for).</p></blockquote>
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		<title>The cat inside</title>
		<link>http://fabianelima.com/notas/?p=323</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 16:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinto mais falta de Ed por suas travessuras que por seus momentos de afeição. (Ele desapareceu há umas 24 horas. Não, mais para 48. Voltamos de Paris na sexta-feira 13, e ele fugira duas horas antes.) Ontem comprei comida de &#8230; <a href="http://fabianelima.com/notas/?p=323">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Sinto mais falta de Ed por suas travessuras que por seus momentos de afeição. (Ele desapareceu há umas 24 horas. Não, mais para 48. Voltamos de Paris na sexta-feira 13, e ele fugira duas horas antes.) Ontem comprei comida de gato. Eu costumava guardar as latas no parapeito da janela acima da pia, e Ed subia até lá e derrubava todas elas na pia. Um barulho terrível que sempre me acordava. O que você fez agora, Ed? Um prato quebrado, um copo derrubado no chão e quebrado&#8230; Então comecei a guardar as latas no armário, onde ele não teria acesso.</p>
<p>Agora, quando tiro a comida de gato da bolsa de compras, olho para o parapeito e penso, &#8220;Bem, agora posso guardar as latas aí&#8221;. E nesse momento sinto a dor lancinante da perda, perda de uma presença amada, por menor que fosse&#8230; o gritinho que ele dava quando eu o pegava para que deixasse de perturbar Ruski&#8230; uma dor lancinante de perda, de ausência, a perda de meu macaquinho branco selvagem (como eu o chamava). Ele sempre entrava em todos os lugares. Eu abria a gaveta dos talheres e ele subia até lá e deslizava para dentro. Onde ele está, agora? Botei as latas de comida para gatos de volta na janela, na esperança de que ele volte e as derrube. E nas últimas duas noites deixei acesas as luzes da varanda.</p>
<p>BURROUGHS, William. <em>O gato por dentro</em>. Tradução de Edmundo Barreiros. L&#038;PM. Porto Alegre, 2006.</p>
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