{"id":456,"date":"2018-11-01T23:36:52","date_gmt":"2018-11-02T01:36:52","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=456"},"modified":"2018-11-01T23:36:52","modified_gmt":"2018-11-02T01:36:52","slug":"notas-sobre-a-dissertacao-de-adelmo-genro-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/notas-sobre-a-dissertacao-de-adelmo-genro-filho\/","title":{"rendered":"Notas sobre a disserta\u00e7\u00e3o de Adelmo Genro Filho"},"content":{"rendered":"<p>Pensando na melhor forma de fichar os materiais que leio, resolvi usar um m\u00e9todo que tenho empregado para escrever sem ser <em>atrapalhada pelo processo de escrever propriamente dito<\/em>, e a respeito do qual um dia vou escrever um tutorial. Consiste basicamente em usar a ferramenta de ditar texto embutida no teclado do Android e depois ir corrigindo, pontuando e fazendo destaques, links e blocos de cita\u00e7\u00f5es com <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Markdown\" target=\"_blank\">markdown<\/a>.<\/p>\n<p>O texto abaixo, dividido em se\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se trata de um fichamento completo da obra de Adelmo Genro Filho, nos moldes do que fiz com a s\u00e9rie &#8220;<a href=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/problemao-de-genero-a-serie\/\">Problem\u00e3o de G\u00eanero<\/a>&#8220;. S\u00e3o apenas pequenas discuss\u00f5es e trechos dos momentos de \u201c<a href=\"https:\/\/repositorio.ufsc.br\/handle\/123456789\/75390\" target=\"_blank\">O Segredo da Pir\u00e2mide: para uma teoria marxista do jornalismo<\/a>\u201d que achei que poderiam ser pertinentes aos meus interesses de pesquisa.<\/p>\n<h2 id=\"Sobre-a-teoria-dos-sistemas-sociais-e-o-jornalismo-como-meio-de-manipula\u00e7\u00e3o\"><a class=\"anchor hidden-xs\" href=\"#Sobre-a-teoria-dos-sistemas-sociais-e-o-jornalismo-como-meio-de-manipula\u00e7\u00e3o\" title=\"Sobre-a-teoria-dos-sistemas-sociais-e-o-jornalismo-como-meio-de-manipula\u00e7\u00e3o\"><span class=\"octicon octicon-link\"><\/span><\/a>A teoria dos sistemas sociais e o jornalismo como meio de manipula\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Ele argumenta contra <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teoria_geral_de_sistemas\" target=\"_blank\">essa teoria<\/a> falando que as rela\u00e7\u00f5es humanas n\u00e3o s\u00e3o como sistemas, porque nos sistemas eletr\u00f4nicos entram os dados, mas n\u00e3o se criam novas informa\u00e7\u00f5es l\u00e1 dentro, h\u00e1 apenas o processo das que l\u00e1 chegam. Ele diz que n\u00e3o afirma que os indiv\u00edduos s\u00e3o produtores de conte\u00fado soberanos, mas que eles n\u00e3o podem ser dissolvidos nem subordinados \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais, por mais integrados que estejam a elas. S\u00e3o os humanos que determinam as finalidades das m\u00e1quinas e n\u00e3o elas mesmas. Nem mesmo sistemas biol\u00f3gicos s\u00e3o \u201ctotalidades conscientes\u201d.<\/p>\n<p>Depois ele vai fazer uma discuss\u00e3o a respeito da natureza hist\u00f3rico-social dessa coisa de \u201chumanos <em>versus<\/em> a natureza propriamente dita\u201d. Segundo ele, na teoria dos sistemas seres humanos s\u00e3o vistos como os \u00fanicos sujeitos agentes do universo, homogeneizando todos os seres humanos em rela\u00e7\u00e3o ao todo do universo.<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 75: \u201cTrata-se do fen\u00f4meno humano que, dotado de consci\u00eancia, elevou-se acima do mundo f\u00edsico, da objetividade em geral, n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 capaz de pensar esse mundo, mas igualmente de produzi-lo como realidade apropriada, como realidade humana e humanizada.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>As oposi\u00e7\u00f5es entre as vis\u00f5es que ele discute s\u00e3o de \u201ctotalidade sist\u00eamica <em>vs<\/em> totalidade concreta\u201d, e \u201cinforma\u00e7\u00e3o <em>vs<\/em> pr\u00e1xis\u201d. Conforme o autor, a ideia de autoconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser substitu\u00edda pela de sistema, nem a ideia de pr\u00e1xis pode ser substitu\u00edda pela ideia de informa\u00e7\u00e3o, por que a informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica fica situada entre o prov\u00e1vel e o qualitativamente importante (singular), e isso emerge da pr\u00e1xis.<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 80: \u201cA natureza da informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica est\u00e1 intimamente ligada aos dois aspectos: 1) a indetermina\u00e7\u00e3o real dos processos sociais e naturais; 2) a qualidade e o grau das possibilidades concretas de escolhas que se colocam para os homens diante das alternativas nascidas da indetermina\u00e7\u00e3o do processo objetivo que eles v\u00e3o constituindo.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O singular n\u00e3o \u00e9 necessariamente manipul\u00e1vel, mas pode ser arrancado de suas rela\u00e7\u00f5es reais particulares e universais.<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 87: \u201cO dom\u00ednio da linguagem, o controle da escrita, o monop\u00f3lio da t\u00e9cnica de orat\u00f3ria e outras tantas prerrogativas das classes dominantes sempre foram igualmente instrumento de persuas\u00e3o, controle e opress\u00e3o. A quest\u00e3o essencial \u00e9 o dom\u00ednio <strong>pol\u00edtico<\/strong> dos meios de comunica\u00e7\u00e3o pelas organiza\u00e7\u00f5es das massas revolucion\u00e1rias, como condi\u00e7\u00e3o para que a <strong>qualidade<\/strong> das informa\u00e7\u00f5es produzidas pelos centros emissores, em termos pol\u00edticos, ideol\u00f3gicos e culturais sejam coincidentes com determinadas metas hist\u00f3ricas definidas coletivamente. N\u00e3o se trata, neste caso, de objetivos espec\u00edficos, t\u00e1ticos ou mesmo estrat\u00e9gicos \u2014 que podem constituir aspectos do problema \u2014, mas de objetivos hist\u00f3ricos, definidos em termos de possibilidades concretas e valores revolucion\u00e1rios e humanistas.Tais metas, colocadas nos termos da <strong>pr\u00e1xis<\/strong>, aparecem como finalidades que se constituem internamente ao processo hist\u00f3rico pela atividade pol\u00edtica das classes revolucion\u00e1rias e dos indiv\u00edduos que assumem suas lutas e perspectivas.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>L\u00e1 pela p\u00e1gina 248 ele retoma a quest\u00e3o dos sistemas sociais de uma forma mais branda:<\/p>\n<blockquote>\n<p>[P. 248]: \u201cA sociedade humana, como j\u00e1 foi sublinhado antes, n\u00e3o \u00e9 um <strong>sistema<\/strong> que busca somente a sua reprodu\u00e7\u00e3o e o equil\u00edbrio, mas um fazer hist\u00f3rico prioritariamente pr\u00e1tico que se abre a cada instante, em novas possibilidades aos sujeitos, embora ela apresente em seu processo de reprodu\u00e7\u00e3o, sem qualquer d\u00favida, determinados momentos e aspectos nitidamente sist\u00eamicos.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 id=\"Sobre-Adorno-e-a-ind\u00fastria-cultural\"><a class=\"anchor hidden-xs\" href=\"#Sobre-Adorno-e-a-ind\u00fastria-cultural\" title=\"Sobre-Adorno-e-a-ind\u00fastria-cultural\"><span class=\"octicon octicon-link\"><\/span><\/a>Adorno e a ind\u00fastria cultural<\/h2>\n<p>Ele come\u00e7a esse subitem dizendo que Adorno foi um dos primeiros te\u00f3ricos a falar da comunica\u00e7\u00e3o de massa e as suas rela\u00e7\u00f5es com o mercado. A\u00ed ele vai discutir as ideias do Adorno em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s do Hegel, a ideia de totalidade, sistematiza\u00e7\u00e3o e fenomenologia no sentido hegeliano etc, em oposi\u00e7\u00e3o (ou na vis\u00e3o) do Adorno. Ele diz que o Adorno \u00e9:<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 94: \u201cAlgu\u00e9m que v\u00ea o mundo como um agregado de fen\u00f4menos perdendo-se na sua unidade l\u00f3gica origin\u00e1ria, isto \u00e9, como fragmenta\u00e7\u00e3o que se reconhece como tal, porque lembra da <strong>totalidade<\/strong> que poderia ter sido e que deve ser buscada como uma s\u00edntese final, embora jamais seja efetivamente realiz\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A unidade do esp\u00edrito com o mundo, no sentido hegeliano, ou seja, a totaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 vista por Adorno como necess\u00e1ria e imposs\u00edvel. O Genro Filho vai dizer que essa ideia, \u201cradical e irredut\u00edvel\u201d segundo ele, de uma totalidade que nunca existiu e se torna uma esp\u00e9cie de \u201cideal\u201d (saudosismo?) \u00e9 o que leva Adorno achar que o jornalismo \u00e9 puramente manipula\u00e7\u00e3o e puramente a forma mercantil que ele assume no capitalismo. E depois ele vai dar um esculacho na escola de Frankfurt:<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 95: \u201cAdorno, Horkheimer e a maioria dos te\u00f3ricos da Escola de Frankfurt jamais assumiram qualquer compromisso consistente \u2014 mesmo te\u00f3rico \u2014 com a pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria concreta.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E mais adiante:<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 95: \u201cUm pensamento n\u00e3o pode ser medido pela \u201c\u00eanfase\u201d que atribui ao aspecto pr\u00e1tico ou te\u00f3rico das ideias que produz. Uma concep\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser julgada como tal, isto \u00e9, pela verdade te\u00f3rica que apresenta ou n\u00e3o. \u00c9 a sua rela\u00e7\u00e3o com a <strong>pr\u00e1xis<\/strong>, enquanto o pensamento capaz de apanhar e direcionar a realidade, o que vai determinar a sua grandeza. A teoria, em resumo, deve ser julgada enquanto teoria. Neste exato sentido \u2014 n\u00e3o por uma quest\u00e3o de \u00eanfase \u2014 \u00e9 que se manifestam as limita\u00e7\u00f5es de Adorno. Sem esquecer a import\u00e2ncia de seus estudos sobre arte, sublinhada pela maioria dos especialistas, \u00e9 preciso apontar que a \u201cdial\u00e9tica negativa\u201d apresenta dois problemas te\u00f3ricos. Em primeiro lugar, por [P. 96] ser uma \u201contologia negativa\u201d, na qual o <strong>ser<\/strong> aparece com o momento do <strong>n\u00e3o ser<\/strong>, ao inv\u00e9s de realizar-se o oposto. Em segundo lugar, porque essa postura negativa cont\u00e9m algo de apocal\u00edptico, \u00e0 medida que percebe apenas o aspecto divergente entre o movimento da raz\u00e3o, de um lado, e da realidade subjetiva de outro. N\u00e3o reconhece a constitui\u00e7\u00e3o progressiva, no curso da pr\u00f3pria objetiva\u00e7\u00e3o, de uma possibilidade superior da raz\u00e3o. A cr\u00edtica, por mais ampla e profunda que seja, n\u00e3o se cont\u00e9m o momento concretamente afirmativo, torna-se diletante e n\u00e3o revolucion\u00e1ria. O negativo s\u00f3 destr\u00f3i efetivamente quando ele pr\u00f3prio se afirma como positividade. Por isso, uma dial\u00e9tica puramente negativa, por n\u00e3o privilegiar ontologicamente o momento afirmativo, n\u00e3o consegue ser uma <strong>nega\u00e7\u00e3o concreta<\/strong>: torna-se uma atitude intelectual de recusa abstrata, assumida por um observador individual e privilegiado. Eis o limite te\u00f3rico e pol\u00edtico da \u201cdial\u00e9tica negativa\u201d de Adorno.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A\u00ed ele vai entrar no conceito de \u201cind\u00fastria cultural\u201d, de Adorno e Horkheimer. Ele come\u00e7a diferenciando o conceito de \u201ccultura de massa\u201d porque \u201cind\u00fastria cultural\u201d d\u00e1 a ideia de que nenhuma participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 feita pelas massas na produ\u00e7\u00e3o dessa cultura. \u00c9 uma forma de cultura que deixou de ser \u201ctamb\u00e9m mercadoria\u201d para se tornar essencialmente mercadoria.<\/p>\n<p>Ele continua dizendo que a t\u00e9cnica envolvida n\u00e3o tem a ver com a qualidade tecnol\u00f3gica ou com o uso dessa tecnologia a servi\u00e7o da obra de arte produzida pela ind\u00fastria cultural, mas que serve para apresentar o simulacro como se fosse a obra de arte em seu lugar (aura?). A tecnologia repete o padr\u00e3o cultural transformando o cl\u00e1ssico em kitsch.<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 98: \u201cA TV certamente n\u00e3o faz das pessoas aquilo que quer, mas acentua e aprofunda aquilo que as pessoas j\u00e1 s\u00e3o. As imagens da TV oferecem o brilho que falta ao cotidiano cinzento da aliena\u00e7\u00e3o, sem exigir esfor\u00e7o da aten\u00e7\u00e3o ou do pensamento, como uma propriedade que \u00e9 usufru\u00edda de modo desatento, na forma de apar\u00eancias que se projetam. A linguagem das imagens dispensa a media\u00e7\u00e3o conceitual, \u00e9 mais primitiva que as palavras. Por isso, ela favorece \u2014 tendo em vista a maneira como se insere a TV no capitalismo \u2014 o irracionalismo e a ilus\u00e3o sobre o mundo. A voz que fala atrav\u00e9s dela \u00e9 o discurso da imediaticidade, do mundo presente como algo natural e eterno, como uma esp\u00e9cie de voz do \u201cesp\u00edrito objetivo\u201d.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Um dos pontos meio estranhos dessa cr\u00edtica do Genro Filho \u00e9 que ele fala em \u201ccultura de massa\u201d e \u201cind\u00fastria cultural\u201d, mas n\u00e3o diferencia \u201ccultura de massa\u201d de \u201ccultura popular\u201d.<\/p>\n<h2 id=\"Luk\u00e1cs-arte-e-tecnologia\"><a class=\"anchor hidden-xs\" href=\"#Luk\u00e1cs-arte-e-tecnologia\" title=\"Luk\u00e1cs-arte-e-tecnologia\"><span class=\"octicon octicon-link\"><\/span><\/a>Luk\u00e1cs, arte e tecnologia<\/h2>\n<p>Genro Filho vai comentar a teoria do Luk\u00e1cs no livro \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o a uma est\u00e9tica marxista\u201d falando que tanto a arte quanto o pensamento cient\u00edfico refletem a mesma realidade objetiva, essa sendo a ideia principal do texto. A ideia dele \u00e9 discutir as limita\u00e7\u00f5es desse pensamento e n\u00e3o aceita esse pressuposto de que a arte reflete a mesma realidade da ci\u00eancia e est\u00e1 sujeita \u00e0s mesmas categorias, ainda que organizadas de outro modo.<\/p>\n<p>O que ele vai dizer \u00e9 que a realidade que tanto a arte quanto a ci\u00eancia refletem n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa \u2014 apesar de n\u00e3o ser uma coisa arbitr\u00e1ria ou subjetiva \u2014, mas que a realidade da arte mant\u00e9m \u201cpontos de pertin\u00eancia\u201d com aquela que \u00e9 objeto da ci\u00eancia, sendo realidades complementares \u2014 mais adiante [P. 176] ele que destaca que o Luk\u00e1cs usa a premissa materialista pra destacar a import\u00e2ncia da realidade objetiva comum. Ele aponta que:<\/p>\n<blockquote>\n<p>P. 174: \u201cA ci\u00eancia <strong>tende<\/strong> para a objetividade, para a revela\u00e7\u00e3o do em si do objeto, esse \u00e9 o movimento que a caracteriza. A arte funde sujeito e objeto no contexto de uma totalidade particular, mas cujo conte\u00fado, embora n\u00e3o seja exaustivo, refere-se sempre \u00e0 totalidade mais ampla da exist\u00eancia hist\u00f3rica e ontol\u00f3gica dos homens e da sociedade. A diferen\u00e7a da arte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia \u00e9 que, ao fundir sujeito e objeto numa reflex\u00e3o \u00fanica, a arte n\u00e3o dissolve a singularidade das figuras nos conceitos e nas categorias. A arte, como indicou o pr\u00f3prio Luk\u00e1cs, supera a imediaticidade emp\u00edrica do singular e a abstra\u00e7\u00e3o generalizante do universal, conservando os subordinados na [P. 175] particularidade est\u00e9tica, quer dizer, no t\u00edpico. Assim, embora cristalize e sua representa\u00e7\u00e3o no particular e n\u00e3o no universal como tendem a fazer as ci\u00eancias e, de maneira evidente, a filosofia, ela se volta para a mesma realidade da filosofia \u2014 uma rela\u00e7\u00e3o de totalidade entre sujeito e objeto \u2014 e n\u00e3o para a realidade objetiva da ci\u00eancia, que \u00e9 s\u00f3 uma parte da totalidade.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A partir da\u00ed, ele vai discutir algumas limita\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da est\u00e9tica de Luk\u00e1cs a respeito da arte como reflexo da realidade e vai dizer que talvez isso seja um dos motivos porque o Luk\u00e1cs n\u00e3o compreendia as vanguardas art\u00edsticas, argumentando que, dentro da teoria dele, seria mais interessante comparar arte com trabalho, e n\u00e3o apenas como uma modalidade de conhecimento. Ele diz que \u00e9 preciso reconhecer o conhecimento como insuficiente em rela\u00e7\u00e3o a arte por causa da <em>pr\u00e1xis<\/em>: uma atividade de m\u00fatua produ\u00e7\u00e3o entre entre sujeito e objeto.<\/p>\n<blockquote>\n<p>[P. 176]: \u201cAs ci\u00eancias naturais <strong>tendem<\/strong> para objetividade, para revela\u00e7\u00e3o [P. 178] da coisa em si. No entanto, jamais poder\u00e3o esgot\u00e1-la. A condi\u00e7\u00e3o para revela\u00e7\u00e3o da objetividade \u00e9 atividade subjetiva, a posi\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica do sujeito e sua tend\u00eancia a uma apropria\u00e7\u00e3o crescente do mundo. Mas a subjetividade aqui, por um lado, \u00e9 um pressuposto necess\u00e1rio (sob o ponto de vista ontol\u00f3gico da <strong>pr\u00e1xis<\/strong>), e, por outro lado, \u00e9 um res\u00edduo decrescente (sob o \u00e2ngulo epistemol\u00f3gico), embora seja ineg\u00e1vel exatamente por ser um pressuposto. As ci\u00eancias sociais ou humanas, por seu turno, constituem uma revela\u00e7\u00e3o da objetividade na qual a subjetividade (ou a ideologia, dito de modo mais espec\u00edfico) que a pressup\u00f5e n\u00e3o se manifesta como um res\u00edduo, mas como uma dimens\u00e3o intr\u00ednseca \u00e0 teoria e que a constitui, como um conte\u00fado necess\u00e1rio e leg\u00edtimo. Aquilo que na objetividade natural aparece como probabilidade, na sociedade realiza-se como liberdade. Por isso, a ades\u00e3o a uma ou outra possibilidade do real da parte dos sujeitos que o investigam, \u00e9 tanto condi\u00e7\u00e3o para que seja revelado o objeto como um aspecto constitutivo desse objeto. A subjetividade ou a ideologia, portanto, deixam de ser um res\u00edduo decrescente para tornarem-se subjetividade <strong>objetivada<\/strong>, ou se quisermos, objetividade <strong>subjetivada<\/strong>. Mas, de qualquer forma, a dimens\u00e3o teleol\u00f3gica torna-se, al\u00e9m de condi\u00e7\u00e3o fundante do seu, tal como nas ci\u00eancias naturais, parte integrante da elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica das ci\u00eancias sociais.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<h1 id=\"Sobre-o-futuro-do-jornalismo\"><a class=\"anchor hidden-xs\" href=\"#Sobre-o-futuro-do-jornalismo\" title=\"Sobre-o-futuro-do-jornalismo\"><span class=\"octicon octicon-link\"><\/span><\/a>O futuro do jornalismo<\/h1>\n<p>Nesse pequeno trecho, Genro Filho fala um pouco do futuro do jornalismo como forma de conhecimento e apreens\u00e3o da realidade, e suas potencialidades que ultrapassam seu contexto de produ\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p>[P. 199]: \u201c\u2026o jornalismo, algum dia, poder\u00e1 tamb\u00e9m vir a ser radicalmente transformado. Mas o que estamos procurando acentuar \u00e9 que o jornalismo n\u00e3o desaparecer\u00e1 com o fim do capitalismo e que, ao contr\u00e1rio, ele est\u00e1 apenas come\u00e7ando ensinuar suas imensas possibilidades e potencialidades hist\u00f3rico-sociais no processo de autoconstru\u00e7\u00e3o humana. Como forma hist\u00f3rica de percep\u00e7\u00e3o e conhecimento ele est\u00e1 no fim do come\u00e7o, n\u00e3o no come\u00e7o do fim. Noutras palavras, no entardecer do capitalismo, em que estamos adentrando, o jornalismo rec\u00e9m est\u00e1 chegando a sua juventude.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p>[P. 210]: \u201cA maioria dos autores reconhece que a objetividade plena \u00e9 imposs\u00edvel no jornalismo, mas admite isso como uma limita\u00e7\u00e3o, um sinal da impot\u00eancia humana diante da pr\u00f3pria subjetividade, ao inv\u00e9s de perceber essa impossibilidade como um sinal da pot\u00eancia subjetiva do homem diante da objetividade.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p>[P. 254]: &#8220;A realiza\u00e7\u00e3o do comunismo, portanto, n\u00e3o pode ser pensada sem o pleno desenvolvimento dessa forma social de apropria\u00e7\u00e3o da realidade a que chamamos de \u201cjornalismo informativo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensando na melhor forma de fichar os materiais que leio, resolvi usar um m\u00e9todo que tenho empregado para escrever sem ser atrapalhada pelo processo de escrever propriamente dito, e a respeito do qual um dia vou escrever um tutorial. Consiste basicamente em usar a ferramenta de ditar texto embutida no teclado do Android e depois &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/notas-sobre-a-dissertacao-de-adelmo-genro-filho\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Notas sobre a disserta\u00e7\u00e3o de Adelmo Genro Filho&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[130,133,134,94,132,131],"class_list":["post-456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cadimia","tag-adelmo-genro-filho","tag-adorno","tag-horkheimer","tag-jornalismo","tag-lukacs","tag-marxismo","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=456"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":459,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/456\/revisions\/459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}