{"id":484,"date":"2018-12-05T16:54:30","date_gmt":"2018-12-05T18:54:30","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=484"},"modified":"2018-12-05T23:55:58","modified_gmt":"2018-12-06T01:55:58","slug":"fichamento-a-passion-for-friends-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/fichamento-a-passion-for-friends-1\/","title":{"rendered":"Fichamento: A Passion for Friends #1"},"content":{"rendered":"\n<p>Em tempos de campanhas deliberadas em prol da desinforma\u00e7\u00e3o, tem me dado cada vez mais vontade criar, escrever e produzir. Sinto em outras pessoas a mesma necessidade e vontade reprimida. A tirada da poeira deste blog surgiu dessa \u00e2nsia. <\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos estudar e nos armar para a guerra suja da informa\u00e7\u00e3o que se faz contra a teoria e o conhecimento produzido por mulheres. Mergulhar nessa teoria, sintetizar seus desenvolvimentos e <em>facilitar a sua passagem adiante<\/em> \u00e9 uma das formas de se produzir, difundir e perpetuar esse conhecimento. Acredito que n\u00e3o existe livro melhor para continuar a s\u00e9rie de fichamentos em que este blog se meteu que esse. Boa leitura!<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/raymond.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-486\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/raymond.jpg 640w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/raymond-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption>Janice Raymond \u00e9 professora da Universidade de Massachussets, pesquisadora e ativista feminista. Discute em seu trabalho temas como \u00e9tica m\u00e9dica, viol\u00eancia contra mulher, feminismo l\u00e9sbico e prostitui\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>RAYMOND, Janice. <strong>A Passion for Friends<\/strong>: toward a philosophy of female affection. Melbourne: Spinifex Press, 2001.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><em>A Passion for Friends<\/em>, de Janice Raymond, come\u00e7a com um curto pref\u00e1cio e uma longa introdu\u00e7\u00e3o onde a autora vai descrever a obra e apresentar suas premissas. No pref\u00e1cio, ela narra o sil\u00eancio dos escritos feministas sobre amizades entre mulheres quando come\u00e7ou a escrev\u00ea-lo em 1980. E que apesar de &#8220;o pessoal ser pol\u00edtico&#8221;, o pessoal era muitas vezes deixado de lado quando se tratava de rela\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas entre mulheres. Ela aponta tamb\u00e9m que, naquela \u00e9poca<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>One of the divisions was between radical feminists and socialist feminists. By and large, it was socialist feminists who got to define the divisions, since it was they who ended up in institutionalized and secure positions in universities.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim, ela conta, as feministas socialistas \u2014 que mais tarde se tornaram p\u00f3s-modernas \u2014 se importavam mais em catalogar os &#8220;tipos de feminismo&#8221; do que com um verdadeiro debate de ideias. Nessa tipologiza\u00e7\u00e3o, o feminismo radical \u00e9 classificado como &#8220;essencialista&#8221;, &#8220;ontol\u00f3gico&#8221; e teoricamente fraco. Isso porque ele n\u00e3o se apoia em paradigmas anteriores e tradi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas masculinas que os autorizem como tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. O feminismo radical (e aqui ela cita Catharine MacKinnon) \u00e9 um &#8220;feminismo n\u00e3o-modificado&#8221;, &#8220;n\u00e3o qualificado por modificadores pr\u00e9-existentes&#8221;. Da mesma forma, ela pretende no livro tratar da amizade &#8220;n\u00e3o-modificada&#8221; entre mulheres, independente dos homens, onde as mulheres se colocam no centro de suas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o, Raymond come\u00e7a tratando da percep\u00e7\u00e3o geral de que as mulheres, ainda que na companhia de si mesmas mas sem a tutela de um homem, s\u00e3o vistas como estando sozinhas. E mesmo quando passam suas vidas inteiras sem essa tutela, s\u00e3o vistas como menos felizes sem a presen\u00e7a masculina.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;[\u2026] even when women are engaged in the richest of pursuits, they are impoverished if men are not involved. This sentence would never be written about men&#8217;s groups that historically were engaged in political intellectual and social activities in which no women were involved.<\/p><p><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;The perception here is that women together with their work follow no &#8220;trail&#8221; or &#8220;logic&#8221; of their own. No matter how brilliant or creative a woman&#8217;s work is, it can &#8220;only be accessed in relation to&#8221; brilliant men. Or, quite simply, from the point of view of hetero-relational vision, women&#8217;s work, like woman herself, is perceived as derivative.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Raymond continua dizendo que as mulheres sempre foram amigas, mas que as evid\u00eancias dessa tradi\u00e7\u00e3o de amizade foram &#8220;desmembradas&#8221; (termo da Mary Daly). Isso acontece na tentativa de desmembrar a identifica\u00e7\u00e3o das mulheres entre si mesmas (seu <em>Self<\/em>), para torn\u00e1-las incapazes de identificar as for\u00e7as dentro de si e nas mulheres ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A central premise of my book is that burried deep in the past, present and future of female existence is an original and primary attraction of women for women. It is manifested by many different women in many different ways. Women who have manifested and do manifest this affection for woman initially care about their Selves and thus cherish the friendship of others like their Selves.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela argumenta que \u00e9 atrav\u00e9s da amizade entre mulheres que as mulheres podem se reinventar dentro de um mundo em que os padr\u00f5es de como uma mulher deve ser foram todos criados por homens. Nessa parte ela cita uma outra frase da Simone de Beauvoir que adoram tirar do contexto: &#8220;se as mulheres n\u00e3o existissem os homens as teriam inventado&#8221;. A frase continua dizendo que <em>as mulheres existem longe\/fora da inventividade dos homens<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>Ela reconhece que nem todas as mulheres conseguem ter ou manter amizades, e que se trata de uma dificuldade comum e reconhecida dentro do movimento feminista. Foi um dos motivos para ela ter escrito o livro, inclusive, e para se livrar do luto dessas amizades perdidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Raymond ent\u00e3o conceitua <strong>gyn\/affection<\/strong> (<em>gino-afei\u00e7\u00e3o<\/em>?) e <strong>hetero-rela\u00e7\u00f5es<\/strong>. <em>Gyn\/affection<\/em> seria a atra\u00e7\u00e3o, influ\u00eancia e movimento entre mulheres, enquanto que as <em>hetero-rela\u00e7\u00f5es<\/em> seriam uma s\u00e9rie de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas, sociais e afetivas entre homens e mulheres que acabam criando o que ela chama de &#8220;h\u00e9tero-realidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Women who affect women stimulate response and action; bring about a change in like; stir and arouse emotions, ideas and activities that defy dichotomies between the personal and political aspects of affection. Thus Gyn\/affection means personal and political movement of women toward each other. As &#8220;the personal is political,&#8221; so too &#8220;the political is personal&#8221;.<\/p><p><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;While it is true that certain kinds of political activity are and have to be possible between persons who are not friends, both politics and friendship are restored to a deep meaning when they are brought together \u2014 that is, when political activity proceedes from a shared affection, vision, and spirit and when friendship has more expansive political effect.<br><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;[\u2026] friendship is a social trust. It is an understanding that is continually renewed, revitalized, and entered into not only by two or more political beings who claim social and political status for their Selves and others like their Selves.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O longo trecho a seguir est\u00e1 traduzido para o portugu\u00eas porque o publiquei em minha p\u00e1gina pessoal do Facebook.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A mulher feita pelo homem tem como prioridade as rela\u00e7\u00f5es h\u00e9tero. A literatura, a hist\u00f3ria, a filosofia e a ci\u00eancia do patriarcado t\u00eam refor\u00e7ado essa rela\u00e7\u00e3o supostamente m\u00edstica e primordial da mulher pelo homem. Como expresso no G\u00eanesis, e da\u00ed por diante perpetuado pelo patriarcado, o imperativo h\u00e9tero-relacional \u00e9 unilateral. &#8220;O seu desejo ser\u00e1 para o seu marido, e ele dominar\u00e1 sobre ti&#8221; (G\u00eanesis 3:16-17).<\/p><p>Importante entender que as normas da h\u00e9tero-realidade t\u00eam em mente a mulher pelo homem, e n\u00e3o o homem pela mulher. As mulheres t\u00eam se dedicado aos homens de modos bastante diferentes daqueles em que homens existem pelas mulheres. O dito b\u00edblico torna essa diferen\u00e7a bem clara. Ele afirma simplesmente que, dentro da h\u00e9tero-realidade, mulheres existem para os homens <em>ontologicamente<\/em>; ou seja, ela \u00e9 formada por\/para ele e n\u00e3o pode existir sem ele. O destino e desejo dela fabricados pelo homem s\u00e3o consumidos pelo apetite voraz dele. A ess\u00eancia e a exist\u00eancia dela dependem sempre de estar em rela\u00e7\u00e3o a ele. Como posto por Nancy Arnold, as mulheres se tornam o &#8220;essencial n\u00e3o-essencial&#8221;.<\/p><p>No entanto, o homem est\u00e1 <em>acidentalmente<\/em> ligado \u00e0 mulher; isto \u00e9, o desejo e o destino de um homem, quando incluem mulheres, n\u00e3o est\u00e3o circunscritos por rela\u00e7\u00f5es com mulheres. Em vez disso, seu destino \u00e9 o de construtor de mundos na companhia de seus amigos homens. Seu imperativo \u00e9 criar o mundo e sua cultura, ci\u00eancia e tecnologia &#8220;com o suor de seu rosto&#8221;. E o homem faz isso primeiramente em conjunto com outros homens.<\/p><p>O destino do homem \u00e9, portanto, ultimamente <em>homo-relacional<\/em>. A normativa e o real poder das homo-rela\u00e7\u00f5es masculinas \u00e9 disfar\u00e7ado pelo fato de que esse rapport homem-a-homem \u00e9 institucionalizado em cada aspecto de uma aparente cultura h\u00e9tero-relacional. S\u00e3o as mulheres que carregam o fardo de viverem no imperativo h\u00e9tero-relacional. Na verdade, esta \u00e9 uma sociedade homo-relacional constru\u00edda em rela\u00e7\u00f5es, transa\u00e7\u00f5es e la\u00e7os entre homens em todos os n\u00edveis. As rela\u00e7\u00f5es h\u00e9tero servem para prover aos homens sustento e suporte das mulheres que eles n\u00e3o conseguem de outros homens. A h\u00e9tero-realidade \u00e9 o disfarce da homo-realidade.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Raymond argumenta que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de heterossexualidade, mas de toda uma <em>h\u00e9tero-realidade<\/em> constru\u00edda e institucionalizada que acaba formatando as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres e, consequentemente, entre mulheres e mulheres. \u00c9 por causa dessa h\u00e9tero-realidade e da din\u00e2mica dessas h\u00e9tero-rela\u00e7\u00f5es, por exemplo, que uma atividade que antes era inteiramente feminina \u2014 parteiras e tudo o que envolve dar \u00e0 luz \u2014 acabou sendo invadida pelos homens, uma vez que eles devem ter direito ao acesso \u00e0s mulheres em qualquer circunst\u00e2ncia no patriarcado.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora diz que essas hetero-rela\u00e7\u00f5es afetam at\u00e9 mesmo o feminismo. A no\u00e7\u00e3o de que o feminismo deve buscar igualdade aos homens \u2014 em vez de autonomia,  independ\u00eancia, amor e coopera\u00e7\u00e3o entre mulheres \u2014 acaba colocando uma premissa equivocada ao feminismo, definindo as mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens e n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outras mulheres. Uma das cr\u00edticas que ela faz aqui ao feminismo liberal e ao marxista \u00e9 que ambas estas formas do fazer feminista investigam e localizam as mulheres principalmente em rela\u00e7\u00e3o a homens, sua hist\u00f3ria e cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, a autora define seu conceito de &#8220;gyn\/affection&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao Lesbianismo, mostrando pontos de contato e diferencia\u00e7\u00f5es entre ambos os conceitos. Ela retoma as conceitua\u00e7\u00f5es mais amplas de Lesbianismo, como <a href=\"https:\/\/periodicos.ufrn.br\/bagoas\/article\/view\/2309\">a apresentada por Adrienne Rich<\/a>, que o define como um amor entre mulheres livre, independente e florescendo dentro de redes de apoio m\u00fatuo. Raymond vai buscar se distanciar um pouco dessa defini\u00e7\u00e3o por motivos filos\u00f3ficos. Ela esclarece que ser l\u00e9sbica est\u00e1 muito al\u00e9m do contato genital entre mulheres, mas que o Lesbianismo (com L mai\u00fasculo, ela frisa) precisa necessariamente incluir a din\u00e2mica sexual, er\u00f3tica e afetiva. &#8220;Gyn\/affection&#8221;, por outro lado, pode at\u00e9 incluir o Lesbianismo, mas se situa para al\u00e9m da viv\u00eancia especificamente lesbiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da apresenta\u00e7\u00e3o desses conceitos, Raymond esclarece que tipo de trabalho \u00e9 este livro. Trata-se de um trabalho de filosofia onde n\u00e3o apenas ela faz uma <strong>genealogia<\/strong> das amizades femininas, mas tamb\u00e9m busca <strong>fazer<\/strong> filosofia propriamente dita. Ela tenta se distanciar um pouco de outros trabalhos \u2014 como o da pr\u00f3pria Simone de Beauvoir \u2014 que posicionam as mulheres como o Outro, porque essa alteridade criada pelos homens \u00e9 destrutiva e, ainda que sirva para prop\u00f3sitos feministas, n\u00e3o vai al\u00e9m. Ela argumenta que o feminismo n\u00e3o deve se preocupar somente em tentar desvelar a opress\u00e3o das mulheres, mas tamb\u00e9m pensar os nossos objetivos enquanto grupo e nas for\u00e7as que nos mant\u00e9m sobrevivendo e lutando. Construir o feminismo somente em cima dos efeitos horrendos do &#8220;Estado de Atrocidade&#8221; n\u00e3o permite que as mulheres se identifiquem entre si pelos seus aspectos positivos, mas somente pela dor e sofrimento compartilhado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Women must ask not only what we are fighting against but also what we are fighting for. The destruction of all systems of female opression and the development of female friendship go hand in hand.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Raymond fala do m\u00e9todo filos\u00f3fico que utiliza no desenvolvimento do livro, que \u00e9 a <strong>genealogia<\/strong>. H\u00e1, inclusive, uma nota de rodap\u00e9 onde ela reconhece a import\u00e2ncia de Foucault no desenvolvimento desse m\u00e9todo. Mas ela d\u00e1 uma cutucada nele: sua filosofia \u00e9 toda enraizada em &#8220;uma vis\u00e3o de mundo pornogr\u00e1fica&#8221; e o desprezo pelas mulheres \u00e9 bastante \u00f3bvio em sua obra. <\/p>\n\n\n\n<p>Ela diz que, apesar de os contextos onde as mulheres vivem e viveram atrav\u00e9s dos s\u00e9culos poderem variar bastante, ela busca em sua genealogia as experi\u00eancias comuns das mulheres de viverem em um mundo dominado por homens. Ainda que boa parte das evid\u00eancias das resist\u00eancias das mulheres dentro do mundo h\u00e9tero-relacional tenha sido apagada, \u00e9 nas proibi\u00e7\u00f5es e nas restri\u00e7\u00f5es que se colocam \u00e0s mulheres que se pode descobrir essa resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora encerra esse cap\u00edtulo introdut\u00f3rio retornando novamente ao slogan de <a href=\"http:\/\/www.carolhanisch.org\/CHwritings\/PIP.html\">Carol Hanisch<\/a>, &#8220;o pessoal \u00e9 pol\u00edtico&#8221;. Ela critica a forma como feministas t\u00eam falado sobre ideais e realidades poss\u00edveis de comunidade e irmandade, sem no entanto entrar na quest\u00e3o da amizade entre mulheres \u2014 ainda que muitas tradi\u00e7\u00f5es feministas tenham levantado a necessidade de se construir uma solidariedade entre mulheres. Ela retoma a express\u00e3o &#8220;Estado de Atrocidade&#8221; para apontar que o feminismo deve significar algo al\u00e9m da luta das mulheres em conflito com homens e a supremacia masculina, mas tamb\u00e9m incluir que se trata de mulheres em acordo entre si e entre si mesmas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;It is not enough for feminist to dissect the corpse of patriarchal pathologies. It is not enough for women to depict the state of hetero-reality. Women have not always been for men. We need to know the genealogy of women who did not and who do not exist for men or in pivotal relation to them. And we need to create a vision of Gyn\/affection. What women search for can be as important as what we find.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de campanhas deliberadas em prol da desinforma\u00e7\u00e3o, tem me dado cada vez mais vontade criar, escrever e produzir. Sinto em outras pessoas a mesma necessidade e vontade reprimida. A tirada da poeira deste blog surgiu dessa \u00e2nsia. Precisamos estudar e nos armar para a guerra suja da informa\u00e7\u00e3o que se faz contra a &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/fichamento-a-passion-for-friends-1\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Fichamento: A Passion for Friends #1&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52,2],"tags":[142,141,143,140,144],"class_list":["post-484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cadimia","category-resenhas","tag-amizade","tag-amizade-entre-mulheres","tag-cooperacao","tag-feminismo-radical","tag-lesbianismo","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=484"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":506,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/484\/revisions\/506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}