{"id":511,"date":"2018-12-10T17:44:09","date_gmt":"2018-12-10T19:44:09","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=511"},"modified":"2018-12-10T18:59:12","modified_gmt":"2018-12-10T20:59:12","slug":"fichamento-a-passion-for-friends-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/fichamento-a-passion-for-friends-2\/","title":{"rendered":"Fichamento: A Passion for Friends #2"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Origens da amizade feminina: no princ\u00edpio havia a mulher<\/h2>\n\n\n\n<p>RAYMOND, Janice.&nbsp;<strong>A Passion for Friends<\/strong>: toward a philosophy of female affection. Melbourne: Spinifex Press, 2001.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>O primeiro cap\u00edtulo do livro come\u00e7a com uma retomada da vis\u00e3o geral masculina a respeito das rela\u00e7\u00f5es entre mulheres. Ou melhor, come\u00e7a com justamente a nega\u00e7\u00e3o de uma possibilidade desse tipo de rela\u00e7\u00e3o, uma vez que a vers\u00e3o dos estudiosos homens \u00e9 uma vers\u00e3o centrada na h\u00e9tero-realidade. Essa vis\u00e3o enxerga a mulher como um ser que existe para remediar a solitude masculina, conforme o G\u00eanesis, e como um papel de apoio das produ\u00e7\u00f5es culturais masculinas. Assim, a mulher existe uma vez que o homem tenha aceitado o seu papel evolucion\u00e1rio de &#8220;iniciador sexual&#8221; (<em>fucker<\/em>).  \u00c9 na hetero-rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres que a mulher ganha significado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>[\u2026] not only woman but her entire affective existence was called forth by men. Therefore, man has been and always will be her destiny. For women, the original love affair is between a man and a woman. The natural relationship that men have prescribed for women is woman for man.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em seguida, Raymond vai fazer uma retomada das formas como as mulheres constroem rela\u00e7\u00f5es entre si. Ela inicia falando que uma genealogia das amizades das mulheres deve apontar para uma prioridade de mulheres por mulheres. Ela d\u00e1 alguns exemplos a respeito de como essa prioridade acontece \u2014 como, por exemplo, os clubes de mulheres negras do s\u00e9culo XIX, e as mulheres que chegam em altas posi\u00e7\u00f5es em departamentos acad\u00eamicos e preparam sucessoras de seus trabalhos \u2014, e afirma que amizade entre mulheres acontece na liberdade delas poderem exercerem a sua prioridade por outras mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, a autora destrincha alguns significados do termo <em>cultura<\/em> e aponta para uma <strong>cultura de mulheres<\/strong> \u2014 uma cultura que n\u00e3o est\u00e1 fixa em nenhum <em>estado original est\u00e1tico<\/em>. Trata-se de uma cultura das mulheres enquanto <em>cultivadoras da sociedade<\/em>; e aqui <strong>cultura<\/strong> \u00e9 usado no seu significado corrente de &#8220;produ\u00e7\u00e3o material, intelectual e espiritual da vida&#8221;. Nessa parte, ela faz uma nota de rodap\u00e9 interessante:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Women&#8217;s culture has not been valued or extolled as have many ethnic and racial cultural traditions. Recent feminist attempts to do so have often met with the demeaning of what has come to be called &#8220;cultural feminism&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela continua dizendo que uma das formas de se subjulgar um grupo particular de pessoas \u00e9 destruindo as suas tradi\u00e7\u00f5es culturais, o que geralmente envolve viol\u00eancia e a oblitera\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos e das hist\u00f3rias, num processo de longo prazo em que esse apagamento \u00e9 feito progressivamente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>One way in which men have distorted and dismembered woman&#8217;s origins with each other is by institutionalizing a system of primogeniture in which not only is the firstborn son considered recognized and rewarded heir to the kingdom of the father, but the father-son relationship itself is shored up as the model for important relations between men. Patriarchal primogeniture is a strategy for bolstering the traditions of homo-relations in which all sorts of father&#8217;s bequeath to all sorts of sons the keys to their kingdoms. Patriarchal primogeniture renders invisible not only firstborn daughters but the mother-daughter relationship as well. This potentially Gyn\/affective bond is deprived of its power to serve as an archetype for a succession of women&#8217;s affinities with women. Instead, women are taught to disavow their affection for women. Disowned love for women is like disinherited daughters. Only men become the recognized and rewarded beneficiaries of female affection.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Raymond aponta que \u00e9 na amizade entre mulheres que o feminismo encontra a sua vitalidade e radicalidade: um dos principais objetivos do movimento n\u00e3o \u00e9 apenas melhorar as rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, mas unir mulheres. Porque, para al\u00e9m de uma <strong>comunalidade de opress\u00e3o<\/strong>, as mulheres t\u00eam uma ancestralidade comum de sobreviv\u00eancia e for\u00e7a partilhada, e tem servido de \u00e2ncoras umas para as outras ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns exemplos s\u00e3o usados para trazer \u00e0 tona essa uni\u00e3o pela comunalidade de experi\u00eancias entre mulheres em situa\u00e7\u00f5es adversas. Um desses exemplos \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre quatro irm\u00e3s presas em Auschwitz. Outro exemplo \u00e9 do livro <em>A Cor P\u00farpura<\/em>, onde uma irm\u00e3 interv\u00e9m pela outra numa tentativa de abuso por parte do pai de ambas.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora conceitua ent\u00e3o a <strong>mulher original<\/strong>. Segundo ela, n\u00e3o se trata de uma mulher original no sentido hist\u00f3rico, biol\u00f3gico ou ontol\u00f3gico, mas no sentido de que <em>as mulheres criam e constantemente desenvolvem a sua pr\u00f3pria originalidade<\/em>. A mulher original seria o contr\u00e1rio da mulher fabricada pelos homens, domesticada para servir aos seus prop\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>The social construction of reality has been &#8220;caused&#8221; by men who see themselves as bringing female life and love into existence. The power of men to originate all things has been a primary act of patri-genesis that has resulted in man naming himself as the creator of woman&#8217;s affections, which he has then grounded in himself. To do this, men has had to fabricate his own myths of female origins and his own creation stories. [\u2026] man&#8217;s creation of woman was hardly creative. It was disintegrative, that is, it disintegrated woman&#8217;s original Selfhood and women&#8217;s origins with other women.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para tra\u00e7ar essa hist\u00f3ria das amizades femininas, Raymond vai usar o m\u00e9todo de Foucault. O foco desse m\u00e9todo \u00e9 tratar a hist\u00f3ria como uma hist\u00f3ria de <em>descontinuidades<\/em>. Mas ela vai usar esse m\u00e9todo de forma bastante cr\u00edtica. Ela diz que, &#8220;abstratamente&#8221;, a forma de historiografia e meta-hist\u00f3ria desenvolvidas no trabalho de Michel Foucault \u00e9 bastante \u00fatil para as acad\u00eamicas feministas que est\u00e3o em busca de uma constru\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria das mulheres. Isso porque a pr\u00f3pria hist\u00f3ria das mulheres, e mesmo o nosso presente \u00e9 repleto dessas descontinuidades apontadas por ele. O problema \u00e9 que o pr\u00f3prio trabalho do Foucault, principalmente tratando de pornografia e sexualidade, buscava uma &#8220;transgress\u00e3o&#8221; que simplesmente repete toda a hist\u00f3ria de viol\u00eancia e degrada\u00e7\u00e3o que as mulheres sempre conheceram.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>It must be understood that &#8220;the overwhelming, the unspeakable\u2026 thrills, stupefaction, ecstasy, dumbness, pure violence, wordless gestures&#8221; were all accomplished over the degraded, mutilated, and often dead bodies of women who, without doubt, <em>were<\/em> overwhelmed, inarticulate, stupefied and made dumb.<\/p><p><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Here we have fetishism as philosophy, pretending to expand inner human vision in the limits of transgression. Foucault would have us believe that an egg in a toilet is a profound symbol of transgression representing &#8220;our&#8221; inner experience. Never is it asked whose inner vision or whose limits are transgressed. His eye is most certainly not hers.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a autora segue para an\u00e1lise das disciplinas que buscam entender a psique humana e que ajudaram a construir a ideia da heterossexualidade feminina. Obviamente, ela vai come\u00e7ar questionando as ideias de Freud e do complexo de \u00c9dipo, contrapondo-as com as de outras autoras feministas. Ela come\u00e7a usando a interpreta\u00e7\u00e3o de Dorothy Dinnerstein, de que dar-se conta de que \u00e9 f\u00eamea \u00e9 estar destinada a &#8220;competir com outras mulheres pelos recursos er\u00f3ticos dos homens&#8221;, ao mesmo tempo que nega a m\u00e3e\/mulher, seu primeiro amor. Raymond afirma que essa autora coloca a \u00eanfase na aus\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es entre as mulheres e n\u00e3o na presen\u00e7a dessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois ela vai analisar a interpreta\u00e7\u00e3o da Nancy Chodorow, que v\u00ea as mulheres em uma esp\u00e9cie de tri\u00e2ngulo amoroso entre o amor original da m\u00e3e e a guerra constante entre mulheres pela aten\u00e7\u00e3o dos homens. Ao mesmo tempo, os homens n\u00e3o est\u00e3o f\u00edsica ou emocionalmente dispon\u00edveis para as mulheres como suas m\u00e3es estariam \u2014 ou como as mulheres est\u00e3o para os homens. Uma coisa interessante que ela vai apontar no trabalho da Chodorow \u00e9 a ideia de que o aparente romantismo das mulheres em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es com homens est\u00e1 fundado racionalmente em uma ideia muito clara de sua depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Raymond vai questionar no trabalho da Chodorow principalmente o pressuposto de que as mulheres s\u00e3o inatamente heterossexuais. Primeiro porque essa assun\u00e7\u00e3o \u00e9 contradita pelo pr\u00f3prio trabalho da autora: se a heterossexualidade \u00e9 t\u00e3o natural assim, por que \u00e9 preciso tantos mecanismos de refor\u00e7o, tanta restri\u00e7\u00e3o e tanta regra para manter as mulheres na linha?<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ent\u00e3o fecha essa parte apontando que tanto o trabalho da Chodorow quanto o da Dinnerstein apresentam como solu\u00e7\u00e3o uma participa\u00e7\u00e3o maior dos homens na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Para Raymond, isso \u00e9 colocar nas mulheres a responsabilidade de transformar os homens em m\u00e3es \u2014 &#8220;<em>women must mother men to be mothers, for if women do not do so, who will?<\/em>&#8221; Ela ironiza que a proposta dessas duas autoras \u00e9 a mesma de filmes de com\u00e9dia rom\u00e2ntica da \u00e9poca, que mostravam homens como pais presentes, humanizados, cuidadores, o contr\u00e1rio das m\u00e3es, frias ou ausentes, que sa\u00edram de casa em busca de seus &#8220;verdadeiros eus&#8221;. Ela diz que nenhuma dessas autoras mostra de onde esse homem salvador vai vir.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo tema que ela aborda s\u00e3o as justificativas biol\u00f3gicas para a rela\u00e7\u00e3o <em>inevit\u00e1vel<\/em> entre homens e mulheres. Raymond afirma que um dos principais argumentos nesse sentido \u00e9 o de que o p\u00eanis &#8220;encaixa&#8221; na vagina. Ela demonstra com alguns exemplos que o que geralmente \u00e9 tido como uma rela\u00e7\u00e3o natural geralmente vem acompanhada de dor e trauma, e que a insatisfa\u00e7\u00e3o sexual das mulheres em rela\u00e7\u00f5es h\u00e9tero \u00e9 um dado bastante bem documentado e conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro argumento que justifica essa rela\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel \u00e9 o da reprodu\u00e7\u00e3o, uma vez que o sexo heterossexual pode produzir novos seres humanos. Ela argumenta que mesmo as formas artificiais de se produzir seres humanos funcionam socialmente dentro da l\u00f3gica do casamento e das rela\u00e7\u00f5es heterossexuais. Essa naturaliza\u00e7\u00e3o tem mais haver com a manuten\u00e7\u00e3o de uma norma e modelo de relacionamento do que uma preocupa\u00e7\u00e3o real com reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed ela vai para as formas coercitivas de produ\u00e7\u00e3o das hetero-rela\u00e7\u00f5es. A autora vai listar as proibi\u00e7\u00f5es ao aborto, a maternidade compuls\u00f3ria, a clitoridectomia e a ooforectomia como tentativas de controle da sexualidade feminina que atestam que essa posi\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 for\u00e7osamente promovida. A naturaliza\u00e7\u00e3o do estupro como um extravasamento natural da sexualidade masculina \u2014 que n\u00e3o existiria caso as mulheres se submetessem, nessa vis\u00e3o \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m usada como argumento para legitimar a exist\u00eancia e a legaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>What is important for our analysis of Gyn\/affection is that it takes an enormous amount of coercive activity to create the so-called natural woman who is ever ready to satisfy in the natural man. In fact, what the natural man constantly requires is the &#8220;unnatural woman,&#8221; the woman who is man-made. To become man-made natural women, that is, unnatural women, women have to break with their originality and their origins with their original Selves and other women. This rupture, symbolized in the act of heterosexual intercourse and in all the disjunctions of hetero-relations, tears the young woman out of an original and potentially future world of women and throws her into the world of men.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa entrada no mundo dos homens geralmente se d\u00e1 a partir da adolesc\u00eancia. Nessa idade, as mulheres geralmente saem dos seus conv\u00edvios com professoras, amigas e m\u00e3es, e toda a sua afei\u00e7\u00e3o e vida social voltada a mulheres acaba. Mas ainda que existam tantos obst\u00e1culos, \u00e9 \u00e0s vezes no &#8220;mundo natural&#8221; que as mulheres v\u00e3o buscar a sua independ\u00eancia e transcend\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa busca por uma <em>mulher selvagem<\/em> \u00e9 muitas vezes confundida com promiscuidade sexual, uma vez que, para os homens, qualquer mulher livre e independente \u00e9 uma &#8220;mulher f\u00e1cil&#8221; (&#8220;<em>loose woman<\/em>&#8220;, no original). A atra\u00e7\u00e3o dos homens pela virgindade das mulheres \u00e9 justamente porque se trata de uma mulher fresca, a ser domada, rec\u00e9m-sa\u00edda do mundo das mulheres. A mulher que envelhece sem ser tomada por um homem permanece tempo demais no mundo das mulheres e \u00e9, portanto, rejeitada no mundo dos homens. Uma mulher que vive independente dos homens e cujo contato com eles \u00e9 apenas incidental, mas tem no centro do seu conv\u00edvio as mulheres, \u00e9 uma perspectiva assustadora para os homens.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Any woman-identified and autonomous woman, but especially one who has lived a long life time and the world&#8217;s of woman is perceived as not only spoiled for men but as spoiling other women for men. Gyn\/affection is contagious.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O item seguinte desse cap\u00edtulo busca fazer uma genealogia dessa &#8220;mulher f\u00e1cil&#8221;. A mulher f\u00e1cil \u00e9 aquela que n\u00e3o est\u00e1 atrelada a ningu\u00e9m. O problema de estar &#8220;livre&#8221; em um contexto de domina\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 que a mulher est\u00e1 livre das prote\u00e7\u00f5es patriarcais e tamb\u00e9m da reputa\u00e7\u00e3o que ele confere. O simples fato de n\u00e3o estar atrelada a nenhum homem faz com que as mulheres sejam rotulados como prostitutas.<\/p>\n\n\n\n<p>Raymond faze ent\u00e3o uma genealogia do termo <strong>hetaira<\/strong>, que no grego originalmente significava &#8220;companheira&#8221;. Com o tempo, esse termo passou a designar a <em>companhia sexual do homem<\/em>, ou ainda, <em>prostituta<\/em>. O caminho que esse termo percorreu de um significado ao outro \u00e9 um exemplo de como a domina\u00e7\u00e3o masculina define as mulheres igualmente em termos da presen\u00e7a de uma heterossexualidade il\u00edcita ou da aus\u00eancia da heterossexualidade aprovada. Todas elas s\u00e3o tidas como prostitutas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 da\u00ed, inclusive, que vem o h\u00e1bito de agrupar l\u00e9sbicas e prostitutas em uma mesma categoria, e de transformar em &#8220;atos sexuais&#8221; sujos as afei\u00e7\u00f5es trocadas entre mulheres. O que algumas ditas autoridades em sexualidade afirmam \u2014 Havelock Ellis, Frank Caprio e Harold Greenwald \u2014, em resumo, \u00e9 que a prostitui\u00e7\u00e3o, tida como o mais prom\u00edscuo dos atos heterossexuais, \u00e9 uma pseudoheterossexualidade e uma fuga do lesbianismo!<\/p>\n\n\n\n<p>A autora termina esse cap\u00edtulo falando da invas\u00e3o masculina aos espa\u00e7os sagrados das sacerdotisas virgens, transformadas em prostitutas rituais. O mesmo processo que transformou a l\u00e9sbica e a companheira em prostitutas foi o mesmo que transformou e heterosexualizou as sacerdotisas em prostitutas. O cap\u00edtulo seguinte vai analisar a vers\u00e3o cristianizada da virgem sagrada e &#8220;mulher livre\/f\u00e1cil&#8221;: a freira.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>These woman were required to be virgins, their virginity being sacrificed as a ritual offering. If we see virginity in a more woman-defined sense of female integrity \u2014 as a woman who is unto her Self, independent from men \u2014 we can also understand how men would perceive such integrity as necessary to contain and control. Thus the sacred virgin becomes the sacred prostitute who later becomes the secular prostitute.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origens da amizade feminina: no princ\u00edpio havia a mulher RAYMOND, Janice.&nbsp;A Passion for Friends: toward a philosophy of female affection. Melbourne: Spinifex Press, 2001. O primeiro cap\u00edtulo do livro come\u00e7a com uma retomada da vis\u00e3o geral masculina a respeito das rela\u00e7\u00f5es entre mulheres. 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