{"id":686,"date":"2020-06-17T17:06:00","date_gmt":"2020-06-17T20:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=686"},"modified":"2020-06-17T19:10:27","modified_gmt":"2020-06-17T22:10:27","slug":"tecnologia-e-ideologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/tecnologia-e-ideologia\/","title":{"rendered":"Tecnologia e ideologia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O texto abaixo foi escrito originalmente como parte de um projeto de pesquisa para a sele\u00e7\u00e3o do doutorado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UFPR em 2018. Bati na trave no processo seletivo, mais ainda gosto muito do que produzi e deixo aqui para aprecia\u00e7\u00e3o de quem, como eu, se interessa por esses temas. Outro peda\u00e7o dele pode ser acessado <a href=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/dados-algoritmos-termos-de-uso-e-jardins-murados\/\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"880\" height=\"320\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/ideology.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-689\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/ideology.jpg 880w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/ideology-300x109.jpg 300w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/ideology-768x279.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 880px) 100vw, 880px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A tecnologia, como processo e produto das intera\u00e7\u00f5es sociais em um dado tempo e lugar, manifesta-se material e imaterialmente atrav\u00e9s de seus processos, artefatos e redes de intera\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos e aparatos. Refletindo os valores de seus produtores e meios, ela pode ser compreendida de forma acr\u00edtica \u2014 como mero modo de produ\u00e7\u00e3o de objetos, como suas manifesta\u00e7\u00f5es materiais propriamente ditas, e como um conjunto de t\u00e9cnicas de que disp\u00f5e um povo em um dado contexto.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, \u00e9 preciso tamb\u00e9m compreend\u00ea-la de forma cr\u00edtica, para al\u00e9m de suas ocorr\u00eancias \u00f3bvias. Assim, a tecnologia tamb\u00e9m pode ser entendida como um constructo social complexo, que constitui e \u00e9 constitu\u00edda pela sociedade. Desse modo, \u00e9 poss\u00edvel compreender a tecnologia como uma rede que envolve sistemas, artefatos e pessoas, e que tem imbricada em si mesma n\u00e3o apenas as ideologias de seus produtores e interatores, mas sendo ela pr\u00f3pria uma ferramenta de constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica (VIEIRA PINTO, 2005. p. 219-225).<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a tecnologia como ferramenta ideol\u00f3gica, \u00e9 preciso compreender o significado desse adjetivo. Pode-se entender \u201cideologia\u201d como um processo material geral de produ\u00e7\u00e3o de ideias direcionadas \u00e0 a\u00e7\u00e3o que refletem, promovem e legitimam certas \u201cvis\u00f5es de mundo\u201d relativas a conflitos de poder social. Esse processo envolve a promo\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as e ideias ilus\u00f3rias que, ainda que n\u00e3o necessariamente sejam falsas, podem se valer de dissimula\u00e7\u00e3o e distor\u00e7\u00e3o de fatos reais para se mostrarem plaus\u00edveis (EAGLETON, 1999).<\/p>\n\n\n\n<p>A ideologia, por si s\u00f3, n\u00e3o serve tanto como mecanismo de controle social, mas como consolidadora de poderes atrav\u00e9s das disputas no campo do significado. O consentimento dos dominados se d\u00e1 mais pelas suas condi\u00e7\u00f5es materiais de exist\u00eancia do que por um convencimento genu\u00edno deles de que as ideias a eles expostas s\u00e3o leg\u00edtimas. Mas \u00e9 atrav\u00e9s da disputa ideol\u00f3gica pelos significados que se encobrem os sistemas materiais de opress\u00e3o: \u201cDomina\u00e7\u00e3o deve incluir o controle sobre o significado se as rela\u00e7\u00f5es de governo forem disseminadas enquanto interesses de todos. \u00c9 o significado que pode estar comprometido com a domina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a verdade\u201d (THOMPSON, 2001. p. 31. Tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos ideol\u00f3gicos de legitima\u00e7\u00e3o de poder envolvem tamb\u00e9m o descolamento das ideias e valores propagados por eles de seus contextos hist\u00f3ricos, levando \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o dessas ideias e \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o dos dominados com o poder dos dominantes, e convertendo, assim, o controverso em \u00f3bvio:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O estudo da ideologia \u00e9, entre outras coisas, um exame das formas pelas quais as pessoas podem chegar a investir em sua pr\u00f3pria infelicidade. A condi\u00e7\u00e3o de ser oprimido tem algumas pequenas compensa\u00e7\u00f5es, e \u00e9 por isso que \u00e0s vezes estamos dispostos a toler\u00e1-la. O opressor mais eficiente \u00e9 aquele que persuade seus subalternos a amar, desejar e identificar-se com seu poder; e qualquer pr\u00e1tica de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica envolve portanto a mais dif\u00edcil de todas as formas de libera\u00e7\u00e3o, libertar-nos de n\u00f3s mesmos. (EAGLETON, 1999. p. 13)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Enquanto batalhas travadas no campo do significado, as disputas ideol\u00f3gicas operam diretamente na vida cotidiana, atrav\u00e9s de experi\u00eancias e em cen\u00e1rios familiares ao p\u00fablico ao qual esses enunciados se destinam. Essas estrat\u00e9gias t\u00eam como inten\u00e7\u00e3o o direcionamento da a\u00e7\u00e3o coletiva e da opini\u00e3o p\u00fablica e, como finalidade, o estabelecimento da hegemonia em um dado contexto social. Observar essas disputas deve, portanto, partir de um ponto de reconhecimento da exist\u00eancia desses conflitos, o que implica que essa observ\u00e2ncia n\u00e3o se d\u00e1 de forma neutra. Para uma an\u00e1lise desse tipo, portanto, \u00e9 necess\u00e1rio estipular par\u00e2metros relativos \u00e0 forma como esses discursos s\u00e3o codificados e entender as formas, linguagens, e filtros pelos quais a informa\u00e7\u00e3o passa, do processo de sua configura\u00e7\u00e3o at\u00e9 que seja decodificada dentro dos limites das defini\u00e7\u00f5es dominantes na tentativa de cumprir os prop\u00f3sitos de seus enunciadores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A quest\u00e3o da \u201cestrutura dos discursos em domin\u00e2ncia\u201d \u00e9 um ponto crucial. As diferentes \u00e1reas da vida social parecem ser dispostas dentro de dom\u00ednios discursivos hierarquicamente organizados atrav\u00e9s de sentidos <em>dominantes<\/em> ou <em>preferenciais<\/em>. Acontecimentos novos, pol\u00eamicos ou problem\u00e1ticos que rompem nossas expectativas ou v\u00e3o contra os \u201cconstrutos do senso comum\u201d, o conhecimento \u201cdado como certo\u201d das estruturas sociais, devem ser atribu\u00eddos ou alocados aos seus respectivos dom\u00ednios discursivos, antes que \u201cfa\u00e7am sentido\u201d. A maneira mais comum de \u201cmape\u00e1-los\u201d \u00e9 atribuir o novo a algum dom\u00ednio dos \u201cmapas existentes da realidade social problem\u00e1tica\u201d. Dizemos <em>dominante<\/em> e n\u00e3o \u201cdeterminado\u201d, porque \u00e9 sempre poss\u00edvel ordenar, classificar, atribuir e decodificar um acontecimento dentro de mais de um \u201cmapeamento\u201d (HALL, 2003. p. 374).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ainda que a forma distribu\u00edda e descentralizada de cria\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conte\u00fado pr\u00f3pria da internet tenha colaborado para a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cm\u00edstica\u201d em que suas redes pudessem servir como uma possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, tornando ultrapassadas algumas das an\u00e1lises a respeito da cultura e das m\u00eddias de massa, essa previs\u00e3o n\u00e3o se concluiu. Ao contr\u00e1rio: as grandes plataformas de usu\u00e1rios, quando n\u00e3o disputam a hegemonia dos <em>mass media<\/em> em moldes semelhantes, t\u00eam sido usadas por eles como mais um canal de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a difus\u00e3o da infraestrutura de internet tenha permitido aos usu\u00e1rios da rede a cria\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias plataformas, manter um sistema desses no ar exige um investimento m\u00ednimo e algum conhecimento t\u00e9cnico, o que acaba encorajando o uso das plataformas privadas. Assim, as mec\u00e2nicas de cria\u00e7\u00e3o de consenso, propaga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e hegemonia, conforme descritas e teorizadas por estudiosos desses temas, ainda se mostram ferramentas de an\u00e1lise \u00fateis no sentido de identificar a a\u00e7\u00e3o desses discursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um conceito \u00fatil para esse tipo de an\u00e1lise \u00e9 o de <em>ind\u00fastria cultural<\/em>, cunhado por Adorno e Horkheimer (1985). Entendido como a expans\u00e3o do capitalismo sobre a cultura, o conceito ressalta o papel das grandes corpora\u00e7\u00f5es na industrializa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios \u2014 sen\u00e3o todos \u2014 aspectos da vida cotidiana. Uma vez que transforma toda a dimens\u00e3o da atividade humana, da arte at\u00e9 as rela\u00e7\u00f5es, em produtos a servi\u00e7o do sistema de produ\u00e7\u00e3o que busca preservar e do qual depende para continuar existindo, a ind\u00fastria cultural teria, portanto, um car\u00e1ter mistificador da realidade e objetificador das rela\u00e7\u00f5es humanas [1]. A legitima\u00e7\u00e3o dessa mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida se d\u00e1 por propaga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica atrav\u00e9s dos pr\u00f3prios produtos que tal ind\u00fastria visa circular, implicando n\u00e3o somente na perda da \u201caura\u201d de autenticidade dos produtos culturais (BENJAMIN, 2018), mas tamb\u00e9m comprometendo a pr\u00f3pria autonomia das pessoas coisificadas nesses processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cManufacturing Consent\u201d, Herman e Chomsky (2008) apresentam um modelo de propaga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica pelas m\u00eddias de massa e imprensa. Os autores destacam que, em ambientes pol\u00edticos onde n\u00e3o existe censura formal dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a atua\u00e7\u00e3o dessa propaganda \u00e9 ainda mais velada e sutil que em contextos onde h\u00e1 clausura. Segundo o modelo, a aquiesc\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o aos interesses de grupos dominantes e em choque direto com os seus pr\u00f3prios se d\u00e1 pela manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o circulante a partir da passagem desta por cinco grandes filtros. O primeiro deles tem rela\u00e7\u00e3o com o fen\u00f4meno da \u201cindustrializa\u00e7\u00e3o da imprensa\u201d, que aconteceu a partir do s\u00e9culo XIX, ganhou for\u00e7a com a televis\u00e3o e atingiu ponto cr\u00edtico com o advento da internet e das companhias de TV a cabo no s\u00e9culo XX. A manuten\u00e7\u00e3o de uma estrutura de m\u00eddia que atinja grandes audi\u00eancias depende de grandes investimentos, o que acaba por comprometer a independ\u00eancia e a isen\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos de m\u00eddia. O segundo filtro, diretamente relacionado com o primeiro, trata da necessidade de financiamento da m\u00eddia atrav\u00e9s da venda de tempo e espa\u00e7o para anunciantes publicit\u00e1rios, que buscam grandes audi\u00eancias com poder de compra e custeiam conte\u00fados conforme a possibilidade de retorno financeiro. O terceiro e quarto filtros dizem respeito \u00e0s disputas pela narrativa das informa\u00e7\u00f5es circulantes propriamente ditas, seja pela cria\u00e7\u00e3o de fontes \u201coficiais\u201d que \u201cfacilitam\u201d o trabalho dos profissionais de m\u00eddia no momento da cobertura dos fatos (terceiro filtro), seja pela coa\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o desses profissionais e ve\u00edculos por seus patrocinadores e opositores caso as hist\u00f3rias publicadas por eles porventura fujam da narrativa preferencial (quarto filtro). O quinto filtro caracteriza a demarca\u00e7\u00e3o de um \u201cinimigo comum\u201d, atrav\u00e9s do ocultamento de informa\u00e7\u00f5es, demoniza\u00e7\u00e3o de discursos de oposi\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de \u201cespantalhos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O modelo proposto por Herman e Chomsky \u00e9 interessante por levar em conta muitos dos fatores-chave necess\u00e1rios para entender os mecanismos s\u00f3cio-pol\u00edticos em que operam as ideologias e pode contribuir bastante para uma discuss\u00e3o que abarque o cen\u00e1rio em rede, mas \u00e9 incompleto dada sua especificidade. Assim, essa compreens\u00e3o te\u00f3rica pode ser complementada com outras vis\u00f5es. Raymond Williams (1979), baseando-se no conceito de hegemonia de Antonio Gramsci, assinala tr\u00eas processos diferentes e complementares no campo das disputas ideol\u00f3gicas: a <em>ideologia dominante<\/em>, a <em>ideologia residual<\/em> e a <em>ideologia emergente<\/em>. O primeiro corresponde aos sistemas de cren\u00e7as vigentes, respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da ordem social tal como ela se encontra e \u00e9 o tipo mais dif\u00edcil de ser desafiado, dada sua pregn\u00e2ncia na vida social. As ideologias residuais correspondem a cren\u00e7as e pr\u00e1ticas derivadas de est\u00e1gios sociais anteriores, que fizeram parte de ideologias anteriormente dominantes e t\u00eam sua sobreviv\u00eancia manifestada principalmente nas mitologias e tradi\u00e7\u00f5es que ainda governam o presente. J\u00e1 as ideologias emergentes dizem respeito aos valores e pr\u00e1ticas que disputam a hegemonia com as ideologias dominantes na inten\u00e7\u00e3o de reorganizar a ordem social.<\/p>\n\n\n\n<p>Baseando-se em algumas dessas teorias e autores, Nescolarde-Selva et al (2017) prop\u00f5em um modelo matem\u00e1tico que sistematiza essas rela\u00e7\u00f5es a partir de uma compreens\u00e3o relacional dos componentes que constituem uma ideologia e suas vari\u00e1veis, e concebe essas rela\u00e7\u00f5es enquanto um sistema impuro [2]. Seu modelo toma como princ\u00edpios constituintes de uma ideologia o seu sistema de valores e cren\u00e7as, o comportamento e a linguagem usadas pelos seus partid\u00e1rios, as suas perspectivas e recomenda\u00e7\u00f5es de conduta e o aparato organizacional de ativismo que uma ideologia faz uso para atingir seus objetivos. Considera, tamb\u00e9m, como vari\u00e1veis ideol\u00f3gicas os graus em que as cren\u00e7as substanciais que comp\u00f5em as ideologias relacionam-se umas \u00e0s outras, sua relev\u00e2ncia emp\u00edrica em face da realidade, a toler\u00e2ncia da ideologia a ideologias concorrentes e \u00e0s inova\u00e7\u00f5es dentro de seu pr\u00f3prio corpo de cren\u00e7as, o grau de comprometimento dos componentes do ve\u00edculo social em que uma dada ideologia circula, e a percep\u00e7\u00e3o de seus adotantes de que aquele sistema de cren\u00e7as representa uma \u201cverdade eterna\u201d. Esses par\u00e2metros partem de uma compreens\u00e3o dos mecanismos ideol\u00f3gicos que leva em conta as intera\u00e7\u00f5es entre a ideologia dominante em um determinado contexto, os mitos que originam as ideologias em voga e as utopias que direcionam a a\u00e7\u00e3o dos adeptos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Notas<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>[1]<\/strong> Refer\u00eancia ao conceito de \u201cfetiche da mercadoria\u201d utilizado por Marx em O Capital (2011).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>[2]<\/strong> Sistemas impuros s\u00e3o aqueles cujos elementos s\u00e3o objetos e sujeitos, sendo os sujeitos os seres humanos imbricados no sistema, e os objetos as significa\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias das cren\u00e7as perceptuais dos sujeitos e suas rela\u00e7\u00f5es. Se diferem dos sistemas puros\/abstratos por n\u00e3o possu\u00edrem entidades e rela\u00e7\u00f5es puramente matem\u00e1ticas e abstratas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p>ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. <strong>Dial\u00e9tica do Esclarecimento<\/strong>: fragmentos filos\u00f3ficos. Tradu\u00e7\u00e3o de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>BENJAMIN, Walter. <strong>A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade T\u00e9cnica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: LP&amp;M, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>EAGLETON. Terry. <strong>Ideologia, uma introdu\u00e7\u00e3o<\/strong>. Segunda edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Editora UNESP, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>HALL, Stuart. <strong>Da Di\u00e1spora<\/strong>: Identidades e media\u00e7\u00f5es culturais. Org. Liv Sovik. Tradu\u00e7\u00e3o por Adelaide La Guardia Resende et al. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>HERMAN, Edward S.; CHOMSKY, Noam. <strong>Manufacturing Consent<\/strong>: The Political Economy of the Mass Media. Londres: The Bodley Head, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>MARX, Karl. <strong>O Capital<\/strong>. Livro I. Tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Enderle. Segunda edi\u00e7\u00e3o. Cole\u00e7\u00e3o Marx &amp; Engels. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>NESCOLARDE-SELVA, Josu\u00e9 Antonio; US\u00d3-DOM\u00c9NECH, Jos\u00e9-Luis; GASH, Hugh. \u201cWhat Are Ideological Systems?\u201d. <strong>Systems<\/strong>. V. 5. N. 1. 2017. Dispon\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.mdpi.com\/2079-8954\/5\/1\/21\/htm\">aqui<\/a> \u2014 Acesso em 19 de junho de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>THOMPSON, Denise. <a href=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/compreendendo-o-feminismo\/\"><strong>Radical Feminism Today<\/strong><\/a>. Londres: SAGE Publications, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>VIEIRA PINTO, \u00c1lvaro. <strong>O Conceito de Tecnologia<\/strong>. v. 1. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>WILLIAMS, Raymond. <strong>Marxismo e Literatura<\/strong>. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo foi escrito originalmente como parte de um projeto de pesquisa para a sele\u00e7\u00e3o do doutorado em Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UFPR em 2018. Bati na trave no processo seletivo, mais ainda gosto muito do que produzi e deixo aqui para aprecia\u00e7\u00e3o de quem, como eu, se interessa por esses temas. 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