{"id":695,"date":"2020-06-17T09:04:29","date_gmt":"2020-06-17T12:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=695"},"modified":"2020-06-17T14:15:30","modified_gmt":"2020-06-17T17:15:30","slug":"resenha-world-war-z","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/resenha-world-war-z\/","title":{"rendered":"Resenha: World War Z (2006)"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando iniciou a pandemia, resolvi ler o <em>World War Z<\/em> do Max Brooks. N\u00e3o \u00e9 o tipo de literatura que costumo ler \u2014 n\u00e3o que eu tenha lido muita literatura nos \u00faltimos anos, e ainda houve um momento na \u00faltima d\u00e9cada que eu n\u00e3o conseguia ouvir a palavra \u201czumbi\u201d sem revirar o zoinho \u2014, mas justamente isso, somados a  elogios de amigos e o fato de o autor ser filho <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0000316\/\">daquele outro Brooks<\/a> me motivaram. Ali\u00e1s, o fato de estarmos em uma pandemia sem precedentes de propor\u00e7\u00f5es globais e <a href=\"https:\/\/www.vox.com\/culture\/2020\/3\/16\/21181504\/world-war-z-max-brooks-coronavirus-pandemic-interview\">esta entrevista do autor<\/a> tamb\u00e9m influenciaram a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz-666x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-697\" width=\"238\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz-666x1024.jpg 666w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz-195x300.jpg 195w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz-768x1180.jpg 768w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz-999x1536.jpg 999w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz-1333x2048.jpg 1333w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/wwz.jpg 1561w\" sizes=\"auto, (max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A ideia geral do livro \u00e9 bastante interessante, resumida no subt\u00edtulo: consiste em uma hist\u00f3ria oral da guerra zumbi, uma colet\u00e2nea de entrevistas com depoimentos dos mais variados agentes que tiveram algum papel na conten\u00e7\u00e3o <em>daquela<\/em> pandemia. \u00c9 uma extens\u00e3o de um livro anterior, uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do <em>Zombie Survival Guide<\/em> que o autor publicou em 2003. Apesar da proposta e do formato interessante, tive trabalho pra terminar a leitura, e a culpa nem foi dos zumbis. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois que o plot inicial (bom, por sinal) se exaure, tudo fica muito chato \u2014 a pandemia come\u00e7a na China, que treta com Taiwan e a porra toda explode em pa\u00edses subdesenvolvidos atrav\u00e9s de tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os; qualquer semelhan\u00e7a com a realidade \u00e9 mera coincid\u00eancia. Toda a narrativa parece existir em fun\u00e7\u00e3o de exibir os conhecimentos b\u00e9licos e geopol\u00edticos do autor \u2014 ve\u00edculos de terra e ar, rifles, bases, armas e equipamentos em geral, a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de sei o que l\u00e1 etc. A premissa dos conflitos pol\u00edticos e at\u00e9 a <em>cr\u00edtica social foda<\/em> acaba se perdendo no meio dessa nerdarage tediosa.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema principal, imho: n\u00e3o existe voz, todos os personagens soam iguais. Complicado de resolver, dado que o livro consiste dessas centenas de depoimentos e \u00e9 realmente dif\u00edcil individualizar personagens desse jeito [*]. Depois do primeiro par\u00e1grafo de cada depoimento, que existe ali mais pra contextualiz\u00e1-lo, tudo parece muito mais do mesmo, independente de o fato narrado ter se passado na China ou em uma base militar na Sib\u00e9ria. O uso de termos espec\u00edficos de algum idioma n\u00e3o salva o texto dessa voz mono, o que me fez adotar a estrat\u00e9gia da \u201cleitura din\u00e2mica\u201d (<em>hehe!<\/em>) para me for\u00e7ar a terminar o neg\u00f3cio; chegar ao fim foi quest\u00e3o de honra mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Brooks \u00e9 mais um daqueles autores que conseguem criar um mundo bem interessante, mas na hora de povo\u00e1-lo com personagens a coisa n\u00e3o anda. Talvez a <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0816711\/\">vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica<\/a> (2013) seja melhorzinha nesse sentido de constru\u00e7\u00e3o de personagens: Hollywood tem ferramentas razoavelmente competentes para esse tipo de adapta\u00e7\u00e3o, vamos ver se tenho saco pra ver no que deu.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>[*] Um livro do escritor chileno Roberto Bola\u00f1o conseguiu essa proeza, de certa forma, em um formato semelhante e sem deixar o texto ma\u00e7ante: a s\u00e1tira <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Literatura-Nazi-En-America\/dp\/8433977709\">La Literatura Nazi en America<\/a><\/em> usa o formato de \u201cenciclop\u00e9dia\u201d para contar a vida de uma s\u00e9rie de personagens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando iniciou a pandemia, resolvi ler o World War Z do Max Brooks. N\u00e3o \u00e9 o tipo de literatura que costumo ler \u2014 n\u00e3o que eu tenha lido muita literatura nos \u00faltimos anos, e ainda houve um momento na \u00faltima d\u00e9cada que eu n\u00e3o conseguia ouvir a palavra \u201czumbi\u201d sem revirar o zoinho \u2014, mas &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/resenha-world-war-z\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Resenha: World War Z (2006)&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[7,196,195,194],"class_list":["post-695","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-resenhas","tag-literatura","tag-pandemia","tag-world-war-z","tag-zumbis","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=695"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":699,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/695\/revisions\/699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}