{"id":70,"date":"2015-03-18T23:00:29","date_gmt":"2015-03-19T02:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=70"},"modified":"2015-03-18T23:12:49","modified_gmt":"2015-03-19T02:12:49","slug":"5-situacoes-constrangedoras-que-ainda-nao-descobri-como-superar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/5-situacoes-constrangedoras-que-ainda-nao-descobri-como-superar\/","title":{"rendered":"5 situa\u00e7\u00f5es constrangedoras que ainda n\u00e3o descobri como superar"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou uma pessoa muito conhecida por saber lidar com situa\u00e7\u00f5es sociais e, ainda menos, por saber lidar com os constrangimentos que essa minha falta de habilidade provoca. Antes de ser uma provocadora que n\u00e3o tem papas na l\u00edngua em almo\u00e7os de fam\u00edlia, ou a estudante curiosa que n\u00e3o tem medo de exp\u00f4r uma d\u00favida ou um ponto de vista, eu sou a prima esquisita a quem todos olham torto e a nerdona tosca que todo mundo manda mentalmente \u2014 e, por vezes, nem t\u00e3o mentalmente assim \u2014 que se cale na sala de aula.<\/p>\n<p>Apesar de j\u00e1 ter identificado toda essa minha falta de tato em simplesmente habitar o mundo e saber pontuar especificamente onde e como cometo os erros que costumo cometer, ainda n\u00e3o entendi como funciona o que chamo de &#8220;contrato social&#8221;. Desde as situa\u00e7\u00f5es menos comuns e, portanto, mais pass\u00edveis de gerar embara\u00e7o a mim e aos demais presentes \u2014 como por exemplo a melhor forma (ou, pelo menos, a forma com menos possibilidade de erros) de se prestar condol\u00eancias, como j\u00e1 demonstrado em um texto anterior \u2014, at\u00e9 as mais corriqueiras, como o n\u00famero de beijos e em que bochechas deposit\u00e1-las de acordo com o h\u00e1bito do meu estado de resid\u00eancia na Federa\u00e7\u00e3o, tudo me causa uma esp\u00e9cie de fobia. N\u00e3o que eu tenha mesmo qualquer fobia do tipo: antes disso, sinto falta de conv\u00edvio social devido aos meu anos de isolamento justamente por essa incapacidade, e n\u00e3o saber o que fazer na presen\u00e7a de outros seres humanos me d\u00e1 bastante ang\u00fastia e ansiedade.<\/p>\n<p>Vou enumerar a seguir aquelas situa\u00e7\u00f5es que me deixam em uma verdadeira saia justa, e que por mais que j\u00e1 tenha vivido tal situa\u00e7\u00e3o um milhar de vezes, ainda me sinto completamente perdida.<\/p>\n<h3>1. Cumprimentar desconhecidos<\/h3>\n<p>Quando me mudei para Curitiba, a capital nacional do mal humor, comemorei com bastante entusiasmo o fato de n\u00e3o precisar olhar para a cara de ningu\u00e9m nem dar bom dia no elevador. O problema, por\u00e9m, \u00e9 que tal qual a noiva fantasma na beira da estrada, isso \u00e9 uma lenda: o curitibano m\u00e9dio \u00e9 sim bastante mal educado, mas exige educa\u00e7\u00e3o. E faz uso justamente da falta (ou at\u00e9 mesmo da presen\u00e7a) dessas falsas gentilezas para ser ainda mais mal educado em troca. Essa disson\u00e2ncia cognitiva di\u00e1ria \u00e9 quase um esporte local.<\/p>\n<h3>2. &#8220;Tudo bem, e voc\u00ea?&#8221;<\/h3>\n<p>J\u00e1 dizia um ditado que vi em algum lugar e n\u00e3o me recordo da autoria: o chato \u00e9 aquela pessoa a quem voc\u00ea pergunta se est\u00e1 tudo bem e ela responde. Ainda que eu saiba que a constru\u00e7\u00e3o frasal &#8220;oi, tudo bem?&#8221; seja apenas uma forma educada de se iniciar uma conversa, nunca sei o que devo responder em seguida. Se as pessoas n\u00e3o t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de saber ou contar como v\u00e3o indo, por que se d\u00e3o ao trabalho de perguntar? N\u00e3o foram poucas as vezes em que algu\u00e9m me fez essa pergunta e eu respondi sincera, ainda que vagamente. O que tem acontecido nos \u00faltimos tempos quando me fazem essa pergunta \u00e9 eu simplesmente ignorar tudo e partir para o assunto principal, deixando para meu interlocutor saborear uma deliciosa torta de clim\u00e3o.<\/p>\n<h3>3. Cobrar uma promessa boba de paqueras<\/h3>\n<p>A\u00ed aquele seu amigo prometeu te enviar um artigo interessant\u00edssimo a respeito do qual voc\u00eas estavam conversando em uma situa\u00e7\u00e3o de flerte. Voc\u00ea n\u00e3o sabe se foi flerte, se foi por educa\u00e7\u00e3o, se foi uma forma de tentar te impressionar ou falta de assunto. O fato \u00e9 que voc\u00ea de fato se interessou por aquele assunto, mas foi deixada no v\u00e1cuo. Voc\u00ea tentou cobrar essa pequena promessa boba nesta e em outras situa\u00e7\u00f5es com outras pessoas fora de situa\u00e7\u00f5es de flerte, mas ainda n\u00e3o foi capaz de detectar um padr\u00e3o confi\u00e1vel para saber se esse tipo de coisa s\u00f3 acontece com voc\u00ea, ou se s\u00f3 acontece em situa\u00e7\u00f5es envolvendo algum tipo de tens\u00e3o sexual, ou o que quer que seja.<\/p>\n<h3>4. Telefonemas fora do contexto de trabalho<\/h3>\n<p>Se tem uma habilidade social que trabalhar em um lugar onde se depende constantemente do telefone para comunica\u00e7\u00e3o me proporcionou, essa habilidade foi a de falar ao telefone. Ainda que o item dois da presente lista ainda me aflija diariamente, virei praticamente a secret\u00e1ria do meu setor. Mas quando se trata de falar ao telefone com amigos e familiares, a coisa desanda. Apreciar uma conversa telef\u00f4nica descompromissada \u00e9 algo de que sou simplesmente incapaz, e as pessoas do outro lado da linha parecem simplesmente n\u00e3o saber a hora de parar.<\/p>\n<h3>5. Contato f\u00edsico com desconhecidos<\/h3>\n<p>Simplesmente n\u00e3o entendo a din\u00e2mica deste tipo de intera\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo em que n\u00e3o gosto da proximidade f\u00edsica de estranhos, n\u00e3o gosto de ser a chata inconveniente e paran\u00f3ica. Antes de ser feminista e ter algum tipo de consci\u00eancia das v\u00e1rias formas que podem ser usadas em preju\u00edzo das pessoas que, como eu, portam sistema reprodutor feminino, j\u00e1 me coloquei em situa\u00e7\u00f5es deveras complicadas por n\u00e3o saber estabelecer limites, mas agora simplesmente parto do princ\u00edpio de que n\u00e3o sou obrigada. Me mudar para Curitiba foi realmente uma conquista nesse sentido. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sou uma pessoa muito conhecida por saber lidar com situa\u00e7\u00f5es sociais e, ainda menos, por saber lidar com os constrangimentos que essa minha falta de habilidade provoca. 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