{"id":724,"date":"2021-08-26T18:09:20","date_gmt":"2021-08-26T21:09:20","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=724"},"modified":"2021-08-29T20:23:06","modified_gmt":"2021-08-29T23:23:06","slug":"a-construcao-da-verdade-em-video","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/a-construcao-da-verdade-em-video\/","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o da verdade em v\u00eddeo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O texto abaixo foi escrito como parte da avalia\u00e7\u00e3o da disciplina \u201c<a href=\"http:\/\/nedad.ufpr.br\/portal\/desi-7067\/\">Design e Epistemologia<\/a><meta charset=\"utf-8\">\u201d, dada em conjunto pelos programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Design da ESDI\/UERJ e UFPR. Na revis\u00e3o por pares, um dos professores elogiou e recomendou publica\u00e7\u00e3o; o outro, achou <meta charset=\"utf-8\">\u201csuperficial a ponto de ser irritante\u201d. Tendendo a concordar com o professor mais rigoroso, portanto, s\u00f3 me resta public\u00e1-lo no ve\u00edculo mais apropriado \u2014 minha pr\u00f3pria plataforma.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O cinema em particular e o audiovisual em geral s\u00e3o \u2014 como algumas outras \u00e1reas do fazer profissional, como o design, a publicidade, o jornalismo&#8230; \u2014 frutos do que se convencionou chamar Modernidade, ao mesmo tempo em que produzem leituras sobre ela [1]. Atrav\u00e9s da sua linguagem, constru\u00edda sobre limita\u00e7\u00f5es e possibilidades cient\u00edficas da t\u00e9cnica que a produz, o v\u00eddeo possibilitou a cria\u00e7\u00e3o de modos de ver pr\u00f3prios desse modelo de sociedade. Esse artigo busca refletir e discutir formas de constru\u00e7\u00e3o da realidade e da verdade atrav\u00e9s da linguagem do v\u00eddeo, considerando as presentes possibilidades dessa linguagem trazidas pelas suas formas de capta\u00e7\u00e3o, pela alta resolu\u00e7\u00e3o das imagens e pela intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e de entretenimento, as possibilidades construtivas dessa linguagem audiovisual, j\u00e1 consolidada em seus anos de hist\u00f3ria, s\u00e3o usadas de maneira deliberada de modo a construir determinadas narrativas e possibilidades de leituras dessas obras. Mas uma das ideias que emergem da possibilidade de se reproduzir tecnicamente imagens da realidade \u00e9 a de que o v\u00eddeo proporciona um meio fidedigno de representar essa realidade. Essa n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma ideia adotada de forma geral dentro da variada comunidade dedicada a esse tipo de produ\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 especialmente comum no que diz respeito ao jornalismo e ao v\u00eddeo documental.<\/p>\n\n\n\n<p>Como toda linguagem, a linguagem audiovisual \u00e9 ela tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de caixa de ferramentas para determinado tipo de constru\u00e7\u00e3o <em>artificiosa<\/em>, seja essa constru\u00e7\u00e3o uma tentativa de retrato da realidade ou uma cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. A produ\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00f5es ou de <em>reportagens<\/em> [2] com o v\u00eddeo se utiliza essencialmente das mesmas ferramentas e s\u00e3o constitu\u00eddas de blocos construtivos de mesma natureza.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">isen\u00e7\u00e3o, ilus\u00e3o &amp; fic\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A partir da breve discuss\u00e3o anterior, \u00e9 poss\u00edvel entender que mesmo a produ\u00e7\u00e3o audiovisual mais pretensamente desinteressada ou neutra\/isenta \u2014 como se posicionam alguns dos \u201cprodutores de realidade\u201d do jornalismo \u2014 n\u00e3o escapa de ser constru\u00edda com as mesmas ferramentas e possibilidades usadas na fic\u00e7\u00e3o. Sendo assim, constru\u00eddas da mesma subst\u00e2ncia, a verdade e a fic\u00e7\u00e3o podem, pelas suas pr\u00f3prias possibilidades t\u00e9cnicas e narrativas, se entrela\u00e7arem ou, at\u00e9 mesmo, sequer se distinguirem. A verdade no v\u00eddeo surge desse seu lugar na vida social (FOUCAULT, 2002) \u2014 como meio informativo e, ao mesmo tempo, l\u00fadico.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma anedota a respeito de uma das primeiras proje\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas da hist\u00f3ria, realizada pelos irm\u00e3os Lumi\u00e9re em Paris em 1896 (GRUNDHAUSER, 2016). Conta-se que, ao enxergar diante de si um trem a vapor se aproximando em alta velocidade, o p\u00fablico do cinema assustou-se, e algumas pessoas fugiram desesperadas com medo do iminente atropelamento. A colis\u00e3o imposs\u00edvel certamente n\u00e3o aconteceu, mas a sua possibilidade s\u00f3 p\u00f4de existir para aquela audi\u00eancia \u2014 ou para os ouvintes da anedota \u2014 pelas ilus\u00f5es que essas proje\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas causam. Desde os in\u00edcios do v\u00eddeo, portanto, a discuss\u00e3o a respeito do ilusionismo poss\u00edvel atrav\u00e9s das suas imagens existe.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"328\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/LArrive\u0301e_dun_train_en_gare_de_La_Ciotat.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-726\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/LArrive\u0301e_dun_train_en_gare_de_La_Ciotat.jpeg 500w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/LArrive\u0301e_dun_train_en_gare_de_La_Ciotat-300x197.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Figura 1: \u201c<a href=\"https:\/\/www.cinemuse.org\/reviews-posts\/the-arrival-of-a-train-1897\">The Arrival of a Train<\/a>\u201d (1897).<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como discurso, o v\u00eddeo produz tamb\u00e9m efeitos no mundo, dado que \u00e9 ele mesmo um modo de olhar, um modo <em>literal<\/em> de se elaborar vis\u00f5es de mundo \u2014 Flusser fala em \u201cbiombos\u201d (1985. P. 7). \u00c9 antiga j\u00e1 a discuss\u00e3o do v\u00eddeo como meio de agita\u00e7\u00e3o e propaganda, como forma de estabelecer certos tipos de representa\u00e7\u00f5es e leituras sobre certos tipos de personagens, lugares, indiv\u00edduos e coletivos de pessoas pela organiza\u00e7\u00e3o dos modos de falar (EISENSTEIN, 1990). Por\u00e9m, as possibilidades t\u00e9cnicas e cient\u00edficas que se colocam atualmente e se somam ao seu conjunto de ferramentas exigem a continuidade dessas discuss\u00f5es, pertinente precisamente pelas <em>possibilidades de reprodu\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria da realidade<\/em> que o v\u00eddeo possui.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas possibilidades n\u00e3o capacitam a t\u00e9cnica a fazer uma c\u00f3pia exata da realidade \u2014 a coincid\u00eancia do mapa com a realidade que busca representar \u00e9 tida como a perfei\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica em um pequeno conto de Jorge Luis Borges [3] \u2014, mas cria uma aproxima\u00e7\u00e3o com ela que \u00e9 <em>real o suficiente<\/em>. Essa possibilidade \u00e9 circunscrita por recortes, edi\u00e7\u00f5es e enquadramentos, criando fic\u00e7\u00f5es mesmo quando a inten\u00e7\u00e3o dos emissores \u00e9 em dire\u00e7\u00e3o a uma tentativa de <em>re-produ\u00e7\u00e3o<\/em> da realidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">as possibilidades de verdade do v\u00eddeo<\/h2>\n\n\n\n<p>Sendo de natureza fict\u00edcia, as verdades produzidas pelo v\u00eddeo, como modos de falar, permitem uma inteligibilidade comum e atuam na constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 daqueles que constituem a sua audi\u00eancia, mas tamb\u00e9m daqueles que o produzem, que o circulam, ou at\u00e9 mesmo que se mant\u00e9m alheios, sendo indiretamente afetados por eles. Ainda que as suas tentativas documentais sejam tamb\u00e9m fict\u00edcias, fabricadas, entre as possibilidades do v\u00eddeo est\u00e1 o contato para al\u00e9m das fronteiras de tempo e espa\u00e7o \u2014 aprofundadas ainda mais pela dissemina\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 internet. \u00c9, portanto, falsa a oposi\u00e7\u00e3o entre uma verdade que \u00e9 constru\u00edda pela linguagem e uma verdade independente da linguagem, que emerge da natureza e n\u00e3o \u00e9 influenciada pelas a\u00e7\u00f5es humanas (FOUCAULT, 2007); toda verdade necessita da linguagem para ser articulada, para se fazer construir e se fazer entender.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das formas de produ\u00e7\u00e3o da realidade muito difundidas atualmente \u00e9 o uso massivo de c\u00e2meras de seguran\u00e7a, principalmente nos ambientes urbanos p\u00fablicos. Deslocadas de sua utiliza\u00e7\u00e3o comum no cinema e na TV, as c\u00e2meras de seguran\u00e7a t\u00eam como objetivo o monitoramento da realidade que se observa atrav\u00e9s de suas lentes. Sua forma de capta\u00e7\u00e3o, que resulta em uma sequ\u00eancia linear direta de imagens, sugere que n\u00e3o existe ali uma constru\u00e7\u00e3o narrativa intencional, apenas o monitoramento das atividades em um dado local de forma impessoal e isenta. \u00c9 essa percep\u00e7\u00e3o de retrato da realidade das imagens por elas captadas que as legitima como provas documentais em processos criminais e as estabelece como ferramentas discursivas de poder.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"816\" height=\"463\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/stealing-kisses-coca-cola.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-727\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/stealing-kisses-coca-cola.png 816w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/stealing-kisses-coca-cola-300x170.png 300w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/stealing-kisses-coca-cola-768x436.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 816px) 100vw, 816px\" \/><figcaption>Figura 2: Frame de \u201c<a href=\"https:\/\/adage.com\/videos\/cocacola-security-camera\/232\">Security Cameras<\/a>\u201d, comercial da Coca-Cola que faz uso de imagens reais e reconstru\u00eddas de c\u00e2meras de seguran\u00e7a, com inten\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A c\u00e2mera de seguran\u00e7a produz imagens com qualidade relativamente inferior \u00e0 de outros equipamentos de mesma fun\u00e7\u00e3o. Ela funciona como uma tentativa de ampliar o alcance da vigil\u00e2ncia realizada por olhos humanos, sem no entanto permitir ao observado identificar seu observador. Como o pan\u00f3ptico prisional idealizado por Bentham e comentado por Foucault (1987), as c\u00e2meras de seguran\u00e7a criam n\u00e3o s\u00f3 a armadilha da visibilidade, mas tamb\u00e9m modos de compreender e experienciar a realidade por aqueles que se valem de suas imagens: ao mesmo tempo em que elas auxiliam na constru\u00e7\u00e3o de uma \u201csensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a\u201d atrav\u00e9s da tentativa de inibi\u00e7\u00e3o da atividade criminosa (CARDOSO, 2013), elas tamb\u00e9m permitem a domestica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablico e privado e de seus ocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As caracter\u00edsticas imag\u00e9ticas pr\u00f3prias das produ\u00e7\u00f5es realizadas atrav\u00e9s de c\u00e2meras de seguran\u00e7a \u2014 com suas resolu\u00e7\u00f5es mais modestas, cheias de ru\u00eddos e, muitas vezes, sem a informa\u00e7\u00e3o de cor \u2014 possibilitam que se aflore a partir delas uma linguagem reconhec\u00edvel, reprodut\u00edvel e ressignific\u00e1vel. O emprego de imagens similares \u00e0s produzidas pelas c\u00e2meras de seguran\u00e7a no campo da fic\u00e7\u00e3o \u2014 simulando as suas defici\u00eancias t\u00e9cnicas e as suas caracter\u00edsticas est\u00e9ticas mais evidentes [4] \u2014 estabelecem, por exemplo, um modo de narrar que se apropria dessas caracter\u00edsticas e busca, tamb\u00e9m no espa\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, efeitos de significa\u00e7\u00e3o similares ao que as imagens \u201caut\u00eanticas\u201d produzidas por estes aparatos transmitem. O reconhecimento dessas imagens enquanto linguagem depende, portanto, dos seus modos de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00eddeo documental, por sua vez, \u00e9 um g\u00eanero do audiovisual que se coloca como cr\u00f4nica n\u00e3o-ficcional. Ainda que alguns autores o identifiquem como um tipo de interpreta\u00e7\u00e3o subjetiva da realidade, por vezes se afirma em seguida que esse g\u00eanero \u201ctem por caracter\u00edstica sustentar-se em acontecimentos reais\u201d, tratando \u201cefetivamente daquilo que ocorreu\u201d, \u201ce n\u00e3o daquilo que poderia ter acontecido\u201d (PUCCINI, 2009. P. 24). \u00c9 na possibilidade reprodutiva imag\u00e9tica propiciada pela t\u00e9cnica que a \u201crealidade\u201d \u2014 ou seja, a \u201cverdade\u201d \u2014 do document\u00e1rio \u00e9 constru\u00edda: a no\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio como um recorte ou enquadramento pr\u00f3prio do diretor \u00e9 \u00e0s vezes bastante expl\u00edcita na literatura da \u00e1rea do Cinema e da Comunica\u00e7\u00e3o (NICHOLS, 2012), mas n\u00e3o resolve o paradoxo das afirma\u00e7\u00f5es de credibilidade daqueles que capturam imagens com esse prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se pensar que document\u00e1rios naturalistas, por exemplo, se aproximem de um discurso cient\u00edfico: eles advogam um determinado acesso privilegiado a natureza \u2014 inacess\u00edvel \u00e0s pessoas comuns \u2014 quando buscam, atrav\u00e9s do uso de altas resolu\u00e7\u00f5es, captar a realidade de forma fidedigna em suas cores, sons, contextos, texturas, lugares e composi\u00e7\u00f5es. Muitas dessas expedi\u00e7\u00f5es para captar imagens na \u201cnatureza selvagem\u201d se valem da consultoria ou da parceria com cientistas. \u00c9 o caso de alguns dos document\u00e1rios produzidos pela Natural History Unit, divis\u00e3o do canal de televis\u00e3o brit\u00e2nico BBC.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"448\" height=\"287\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/bbc-natural-history-unit.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-729\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/bbc-natural-history-unit.jpeg 448w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/bbc-natural-history-unit-300x192.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><figcaption>Figura 3: Equipe da <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/pressoffice\/pressreleases\/stories\/2011\/07_july\/08\/nhu.shtml\">Natural History Unit da BBC<\/a> nos anos 1950.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Criada em 1957, a NHU alega \u201crevelar a audi\u00eancias ao redor do mundo as maravilhas extraordin\u00e1rias da natureza por meio de narrativas excepcionais, imagens de cair o queixo e ci\u00eancia de ponta\u201d (BBC STUDIOS, s.d.) [5]. A BBC \u00e9 uma rede de <em>broadcasting<\/em> estatal que enuncia certo discurso a respeito da cultura brit\u00e2nica dentro do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio e tamb\u00e9m no exterior. Esses enunciados t\u00eam muito a ver com a valida\u00e7\u00e3o de um projeto moderno que em certa medida foi capitaneado pela Gr\u00e3-Bretanha e a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial: de que as sociedades ocidentais seriam um tipo especial de civiliza\u00e7\u00e3o, que rompeu com o passado atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o de valores universais e pela aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo cient\u00edfico (LATOUR, 1994).<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas formas de captar essas imagens dos document\u00e1rios produzidos pela NHU usam truques que brincam com a percep\u00e7\u00e3o e a cogni\u00e7\u00e3o animal, no intuito de manter cinegrafistas e cientistas afastados dos assuntos retratados e n\u00e3o inibir a aproxima\u00e7\u00e3o dos animais. Por vezes, ao mesmo tempo em que se usam as t\u00e9cnicas cl\u00e1ssicas da fotografia \u2014 como teleobjetivas, c\u00e2mera lenta e lentes especiais \u2014, c\u00e2meras escondidas s\u00e3o inseridas em bonecos mecatr\u00f4nicos animados e controlados a dist\u00e2ncia (BBC, 2017) [6]. Esses aparatos s\u00e3o modos de organizar a realidade de que se valem esses documentaristas, s\u00e3o truques usados para tentar uma aproxima\u00e7\u00e3o da realidade da natureza ao mesmo tempo em que se mant\u00e9m o distanciamento necess\u00e1rio para n\u00e3o se perturbar a natureza observada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 mais um exemplo que demonstra que n\u00e3o existe, na pr\u00e1tica, uma oposi\u00e7\u00e3o real entre verdade e fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 interessante, portanto, compar\u00e1-lo com o anterior, das c\u00e2meras de seguran\u00e7a: tratam-se de dois modos diferentes de se construir a realidade atrav\u00e9s do v\u00eddeo. Discursivamente, a c\u00e2mera de seguran\u00e7a constr\u00f3i sua vers\u00e3o de verdade a partir dos efeitos visuais e dos defeitos inerentes \u00e0 seu modo de produ\u00e7\u00e3o, imbricados nas imagens produzidas. J\u00e1 os document\u00e1rios da BBC se valem justamente do oposto: a Hist\u00f3ria Natural retratada pelo canal se faz a partir de imagens de alt\u00edssima resolu\u00e7\u00e3o e capturadas por lentes poderosas, produzidas com o melhor que a tecnologia fotogr\u00e1fica possui no presente. Mesmo que c\u00e2meras de seguran\u00e7a e document\u00e1rios naturalistas construam vis\u00f5es da realidade atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas de mesma natureza, tratam-se de duas formas diferentes de se construir <em>fidedignidade<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A rede necess\u00e1ria a se mobilizar e efetivamente produzir um document\u00e1rio como esses da divis\u00e3o de Hist\u00f3ria Natural da BBC exige articular cientistas, fot\u00f3grafos, cinegrafistas, editores, comunidades, institui\u00e7\u00f5es, infraestruturas (log\u00edstica, comunica\u00e7\u00e3o etc), e uma s\u00e9rie de pessoas e seres n\u00e3o humanos (naturais e fabricados). Todos esses atores est\u00e3o, conscientes ou n\u00e3o de seus pap\u00e9is, empenhados em uma atividade que se constitui basicamente em <em>tradu\u00e7\u00e3o<\/em> (LATOUR, 2005): eles traduzem a audi\u00eancias do mundo todo \u2014 ou, pelo menos, do mundo alcan\u00e7\u00e1vel pela influ\u00eancia do canal brit\u00e2nico \u2014 vis\u00f5es da natureza sob um dado ponto de vista. Essas vis\u00f5es nem sempre s\u00e3o povoadas por seres humanos, em geral posicionados atr\u00e1s das c\u00e2meras manipulando equipamentos, e distanciados da natureza que retratam.<\/p>\n\n\n\n<p>Como as c\u00e2meras de seguran\u00e7a e as imagens documentais em alta resolu\u00e7\u00e3o, o <em>deepfake<\/em> pode tamb\u00e9m ser entendido como uma forma de criar imagens que podem ser tomadas por realidade. Mas as imagens produzidas atrav\u00e9s dessa t\u00e9cnica de s\u00edntese computacional s\u00e3o, por princ\u00edpio, ilus\u00f3rias; s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel tomar as imagens de <em>deepfake<\/em> por realidade ao ser deliberadamente enganado por elas. Bastante difundida na cria\u00e7\u00e3o de filtros para v\u00eddeos e fotos em redes sociais que alteram as caracter\u00edsticas do rosto dos seus usu\u00e1rios, essa t\u00e9cnica usa aprendizagem de m\u00e1quina para mapear um rosto e reproduzi-lo sobre outro, gerando resultados em v\u00eddeo. Algumas das primeiras e mais populares aplica\u00e7\u00f5es dessa t\u00e9cnica t\u00eam sido a cria\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos de car\u00e1ter pornogr\u00e1fico, como aconteceu com a atriz norte-americana Kristen Bell; os v\u00eddeos falsos com seu rosto est\u00e3o ainda hoje em circula\u00e7\u00e3o em sites pornogr\u00e1ficos (REDA\u00c7\u00c3O, 2020).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"817\" height=\"232\" src=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/deepfake.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-730\" srcset=\"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/deepfake.png 817w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/deepfake-300x85.png 300w, https:\/\/fabianelima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/deepfake-768x218.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 817px) 100vw, 817px\" \/><figcaption>Figura 4: Frames de um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=H9iB1Jzq8Ac\">v\u00eddeo de s\u00e1tira produzido por Bruno Sartori<\/a> com <em>deepfake<\/em>, usando imagens de Bolsonaro e Lula sobre imagens da novela mexicana <em>A Usurpadora<\/em>.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a do <em>deepfake<\/em> para outras t\u00e9cnicas de manipula\u00e7\u00e3o digital de v\u00eddeo \u00e9 que ele permite simular express\u00f5es faciais de forma muito realista. Usando t\u00e9cnicas de <em>deepfake<\/em> e atores que interpretem razoavelmente bem os gestuais de uma pessoa, \u00e9 poss\u00edvel criar imagens falsas, mas coerentes e convincentes de algu\u00e9m. Mesmo que essa mentira possa ser desmentida mais tarde, a verdade por tr\u00e1s dela pode n\u00e3o ser suficiente para convencer aqueles por ela enganados \u2014 vide a cont\u00ednua propaga\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em> j\u00e1 desmentidas (ESTAD\u00c3O VERIFICA, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Como as primeiras e mais comuns aplica\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica atestam, o <em>deepfake<\/em> tem sido extensivamente usado para a cria\u00e7\u00e3o de pornografia, a ponto de f\u00f3runs de programadores precisarem se posicionar nominalmente como estudantes da t\u00e9cnica que n\u00e3o intentam produzir esse tipo de imagem, como atesta a p\u00e1gina \u201c<em>Deepfakes that are Safe for Work<\/em>\u201d no Reddit (2021). Esse uso levanta quest\u00f5es de consenso, de \u00e9tica, de arruinamento de reputa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m aquelas relativas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual das mulheres e da constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da imagem delas enquanto objetos sexuais. Ele tamb\u00e9m reitera um certo discurso sobre o sexo que \u00e9 estruturado e propagandeado pela pornografia, atuando na pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o sexo propriamente dito.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre essas imagens fict\u00edcias do sexo geradas por manipula\u00e7\u00e3o digital est\u00e1 um caso recente, que vitimou o ent\u00e3o candidato ao governo do estado de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o D\u00f3ria. Em 2018, \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o, um suposto v\u00eddeo \u00edntimo do candidato circulou pela internet e foi por ele imediatamente desmentido. O laudo da an\u00e1lise independente encomendada pela revista Veja n\u00e3o cita <em>deepfake <\/em>(QUINTELLA, 2018), mas esse caso provocou discuss\u00f5es na \u00e9poca sobre o potencial de destrui\u00e7\u00e3o que essas novas possibilidades de manipula\u00e7\u00f5es em v\u00eddeo permitem.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, alguns estudantes da t\u00e9cnica passaram a utiliz\u00e1-la no desenvolvimento de memes com cr\u00edtica pol\u00edtica: \u00e9 o caso do jornalista Bruno Sartori, que disse em entrevista que seu trabalho humor\u00edstico pode ajudar a desmistificar a tecnologia e identificar seus usos (GLOBOPLAY, 2019). Geralmente o que leva algu\u00e9m a perceber que um v\u00eddeo pode ter sido gerado com <em>deepfake<\/em> s\u00e3o os <em>glitches<\/em> e os \u201cerros de percurso\u201d da t\u00e9cnica (LATOUR, 2016) \u2014 como quando ela n\u00e3o comp\u00f5e direito os rostos e a imagem se desloca um pouco, ou quando as express\u00f5es faciais acabam gerando imagens que s\u00e3o conflitantes para a nossa interpreta\u00e7\u00e3o cognitiva e acabam caindo no chamado Vale da Estranheza (CABALLAR, 2021). \u00c9, ent\u00e3o, nesses desvios que a realidade da media\u00e7\u00e3o do <em>deepfake<\/em> aparece e se evidencia.<\/p>\n\n\n\n<p>As t\u00e9cnicas de rede generativa e intelig\u00eancia artificial que comp\u00f5em a caixa de ferramentas do <em>deepfake<\/em> n\u00e3o s\u00e3o usadas s\u00f3 por curiosos para fazer v\u00eddeos bizarros e arruinar reputa\u00e7\u00f5es, no entanto. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o empregadas em filtros de redes sociais e <em>engines<\/em> de reconhecimento facial, a princ\u00edpio para aplica\u00e7\u00f5es l\u00fadicas e meramente de entretenimento. No entanto, as discuss\u00f5es \u00e9ticas que esse uso suscita n\u00e3o s\u00e3o menos complexas do que no que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de pornografia falsa: pode-se discutir aqui os poss\u00edveis danos \u00e0 sa\u00fade mental dos usu\u00e1rios desses filtros \u2014 como os dist\u00farbios de imagem corporal provocados pelo uso excessivo de redes sociais \u2014 e o uso dessas imagens por governos e sistemas de vigil\u00e2ncia, fazendo uma ponte com o primeiro tema tratado neste subitem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n\n\n\n<p>Existem in\u00fameras formas de se construir verdades e mentiras atrav\u00e9s do audiovisual. Se antes os limites t\u00e9cnicos impediam um realismo representacional nas narrativas de fantasia e for\u00e7ava algumas delas aos dom\u00ednios da anima\u00e7\u00e3o em duas dimens\u00f5es [7], hoje eles n\u00e3o s\u00e3o um entrave t\u00e3o grande da criatividade no que diz respeito a obras de fic\u00e7\u00e3o. Quanto \u00e0s possibilidades de captura do real, aparentemente se trata apenas de uma quest\u00e3o de quantidade de pixels: a mais alta resolu\u00e7\u00e3o de imagem atingida at\u00e9 o momento foi em uma imagem produzida pela empresa chinesa Jingkun Technology, que possui 195 bilh\u00f5es de pixels [8].<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o infinitas as possibilidades de falar de verdade e mentira, de mentir com imagens leg\u00edtimas, de montar a verdade com imagens em movimento. Com a profus\u00e3o do v\u00eddeo na vida comum trazida pela internet, essa linguagem s\u00f3 se expande. Esse artigo tentou articular modestamente tr\u00eas dessas possibilidades, de modo a encontrar entre elas formas de discutir os temas na disciplina de Design e Epistemologia, seus pontos de contato e suas especificidades. A principal conclus\u00e3o referente a esses estudos e leituras \u00e9 a de que usar a linguagem \u00e9 mentir (ou criar) usando uma conven\u00e7\u00e3o compartilhada (NIETZSCHE, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>Os pensadores da \u00e1rea do audiovisual em geral parecem estar conscientes do car\u00e1ter artificioso das t\u00e9cnicas do v\u00eddeo. Desde os seus princ\u00edpios hist\u00f3ricos em shows de ilusionismo, antes mesmo do estabelecimento de uma linguagem reconhec\u00edvel, o cinema e o v\u00eddeo fazem parte desse universo das ilus\u00f5es imag\u00e9ticas: sua linguagem \u00e9 toda no sentido de uma constru\u00e7\u00e3o compositiva com imagens, seja essa uma constru\u00e7\u00e3o interpretativa e subjetiva da verdade ou uma narrativa com tend\u00eancia representativa realista da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem audiovisual, como toda linguagem que permite a constru\u00e7\u00e3o de discursos e enunciados em inv\u00f3lucros coerentes, \u00e9 flex\u00edvel, adapt\u00e1vel e tamb\u00e9m generativa. A verdade e a mentira s\u00e3o constru\u00eddas de forma semelhante pelos instrumentos compositivos do v\u00eddeo pela simples impossibilidade de se estabelecer uma linguagem pr\u00f3pria da verdade em v\u00eddeo: a linguagem da verdade e da isen\u00e7\u00e3o pode sempre ser apropriada como recurso narrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que condiciona certas leituras enviesadas da realidade em v\u00eddeo \u00e9 justamente os modos de representa\u00e7\u00e3o empregados na sua produ\u00e7\u00e3o, a linguagem propriamente dita que realiza essa media\u00e7\u00e3o; mas sem linguagem, a media\u00e7\u00e3o e o entendimento simplesmente n\u00e3o acontecem. O fato de os pr\u00f3prios pensadores do v\u00eddeo n\u00e3o conseguirem \u00e0s vezes se desfazer desse paradoxo entre subjetividade e realidade demonstra que o cerne do problema n\u00e3o \u00e9 a falta de acesso direto \u00e0 realidade e \u00e0 \u201ccoisa em si\u201d, dado que esse acesso \u00e9 sempre intermediado pelo castelo de cartas da linguagem. O filtro da verdade \u00e9 a mente humana, e esse filtro n\u00e3o tem como ser driblado.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">notas<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[1]&nbsp;Walter Benjamin discute isso a partir do ponto de vista da escola de pensamento em que se inseria, a Teoria Cr\u00edtica, comentando a possibilidade de reprodu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica como um desenvolvimento moderno em seu ensaio mais famoso (BENJAMIN, 1987), publicado originalmente em 1936.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[2]&nbsp;\u201cReportagem\u201d descreve um g\u00eanero jornal\u00edstico de car\u00e1ter informativo, mas a palavra foi escolhida propositalmente aqui por sua ambiguidade e pela possibilidade de significar uma tentativa de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o com a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[3] Originalmente publicado em uma revista argentina em 1946, \u201cDel Rigor de La Ciencia\u201d pode ser lido em quatro idiomas <a href=\"http:\/\/www.mi.sanu.ac.rs\/~kosta\/O%20strogosti%20u%20nauci.pdf\">neste link<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[4] &nbsp;Al\u00e9m da propaganda da Coca-Cola, um outro exemplo \u00e9 o programa de TV americano de 2010 chamado <em>Look: The Series<\/em>, que simula em suas imagens os defeitos e efeitos da transcodifica\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo com objetivo de criar um efeito dram\u00e1tico narrativo (LOOK, 2010). Uma discuss\u00e3o sobre c\u00e2meras de seguran\u00e7a, bem como a sua articula\u00e7\u00e3o com o texto <em>Vigiar e Punir<\/em> (op. cit.) de Foucault a partir de exemplos como esses, foi desenvolvida em maior extens\u00e3o e profundidade em um artigo ainda n\u00e3o publicado, escrito por mim e outros dois colegas da PUCPR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[5] &nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o livre do original: \u201creveal to audiences around the world the extraordinary wonders of nature through exceptional storytelling, jaw dropping imagery and cutting-edge science.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[6] &nbsp;Alguns desses rob\u00f4s espi\u00f5es t\u00eam como prop\u00f3sito atrair animais em per\u00edodos de acasalamento para registrar seus processos e ritos de reprodu\u00e7\u00e3o \u2014 o que lembra um pouco o mito de Pas\u00edfae e o touro de Creta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[7] &nbsp;Diz-se ser o caso de <em>The Lord of The Rings<\/em>, a anima\u00e7\u00e3o (1978).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">[8] A <a href=\"http:\/\/sh-meet.bigpixel.cn\/\">imagem produzida<\/a> retrata uma vista panor\u00e2mica interativa da cidade de Xangai.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">BBC. \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iv8xaECCMdM\">Making a wildlife documentary using robot spies | Spy in the Wild &#8211; BBC<\/a>\u201d. <strong>YouTube.com<\/strong>. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">BBC STUDIOS. \u201c<a href=\"https:\/\/productions.bbcstudios.com\/our-production-brands\/the-natural-history-unit\">Natural History Unit<\/a>\u201d. <strong>BBC Studios Productions<\/strong>. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">BENJAMIN, Walter. \u201cA obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica\u201d. In: _________. <strong>Magia e T\u00e9cnica, Arte e Pol\u00edtica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">CABALLAR, Rina Diane. \u201c<a href=\"https:\/\/spectrum.ieee.org\/automaton\/robotics\/humanoids\/what-is-the-uncanny-valley\">What Is the Uncanny Valley?<\/a>\u201d <strong>IEEE Spectrum<\/strong>, 2 de novembro de 2019. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">CARDOSO, Bruno. \u201c<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbcsoc\/a\/GxLv9QpQckNRx5vFHYTMvLr\/\">C\u00e2meras legislativas: videovigil\u00e2ncia e leis no Rio de Janeiro<\/a>\u201d. <strong>Revista Brasileira de Ci\u00eancias Sociais<\/strong>. V. 28. N. 81, 2013. P. 49-62. Acesso em 30 de junho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">EISENSTEIN, Sergei. <strong>O Sentido do Filme<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Zahar, 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">ESTAD\u00c3O VERIFICA. \u201c<a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/blogs\/estadao-verifica\/mamadeiras-eroticas-nao-foram-distribuidas-em-creches-pelo-pt\/\">\u2018Mamadeiras er\u00f3ticas\u2019 n\u00e3o foram distribu\u00eddas em creches pelo PT<\/a>\u201d. <strong>Estad\u00e3o Pol\u00edtica<\/strong>, 28 de setembro de 2018. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">FLUSSER, Vil\u00e9m. <strong>Filosofia da caixa preta<\/strong>: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Tradu\u00e7\u00e3o do autor. S\u00e3o Paulo: Editora Hucitec, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">FOUCAULT, Michel. <strong>Vigiar e Punir<\/strong>: nascimento da pris\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">________________. \u201cConfer\u00eancia 1\u201d. <strong>A Verdade e As Formas Jur\u00eddicas<\/strong>. 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: NAU, 2002. P. 7-27.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">________________. <strong>As palavras e as Coisas<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Salma Tannus Muchail. 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">GLOBOPLAY. \u201c<a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/v\/8158867\/\">Bruno Sartori fala sobre a origem do deepfake e comenta algumas rea\u00e7\u00f5es ao seu trabalho<\/a>\u201d. <strong>Conversa com Bial<\/strong>, 11 de dezembro de 2019. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">GRUNDHAUSER, Eric. \u201c<a href=\"https:\/\/www.atlasobscura.com\/articles\/did-a-silent-film-about-a-train-really-cause-audiences-to-stampede\">Did a Silent Film About a Train Really Cause Audiences to Stampede?<\/a>\u201d <strong>Atlas Obscura<\/strong>, 3 de novembro de 2016. Acesso em 30 de junho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">LOOK, The Series. Dire\u00e7\u00e3o de Adam Rifkin. EUA: CapturedTV, 2010. S\u00e9rie de TV, 1 temporada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">THE LORD of The Rings. Dire\u00e7\u00e3o de Ralph Bakshi. EUA: Fantasy Films, 1978. 2h12m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">LATOUR, Bruno. <strong>Jamais Fomos Modernos<\/strong>: ensaio de antropologia sim\u00e9trica. Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Irineu da Costa. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">_______________. <strong>Reassembling the Social<\/strong>: An Introduction to Actor-Network-Theory. Nova York: Oxford Press, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">_______________. <strong>Cogitamus<\/strong>: seis cartas sobre as humanidades cient\u00edficas. Tradu\u00e7\u00e3o de Jamille Pinheiro Dias. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">NICHOLS, Bill. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o ao document\u00e1rio<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Papirus, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">NIETZSCHE, Friedrich. \u201cSobre verdade e mentira no sentido extra-moral (1873)\u201d. In: <strong>Antologia de Textos Filos\u00f3ficos<\/strong>. Curitiba: Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1, 2009. P. 530-541.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">PUCCINI, S\u00e9rgio. <strong>Roteiro de document\u00e1rio<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Papirus, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">REDA\u00c7\u00c3O. \u201c<a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/atriz-kristen-bell-comenta-sobre-uso-de-sua-imagem-em-porno-deepfake-chocada\">Kristen Bell desabafa sobre uso de imagem em porn\u00f4 deepfake: \u2018Chocada\u2019<\/a>\u201d. <strong>Isto \u00c9: <\/strong>Gente. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">REDDIT. \u201c<a href=\"https:\/\/www.reddit.com\/r\/SFWdeepfakes\/\">Deepfakes that are Safe for Work<\/a>\u201d. <strong>Reddit<\/strong>. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">QUINTELLA, S\u00e9rgio. \u201c<a href=\"https:\/\/vejasp.abril.com.br\/blog\/poder-sp\/pericia-aponta-montagem-em-video-intimo-atribuido-a-joao-doria\/\">Per\u00edcia revela laudo sobre v\u00eddeo \u00edntimo atribu\u00eddo a Jo\u00e3o Doria<\/a>\u201d. <strong>Veja S\u00e3o Paulo<\/strong>: Poder SP. Acesso em 2 de julho de 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo foi escrito como parte da avalia\u00e7\u00e3o da disciplina \u201cDesign e Epistemologia\u201d, dada em conjunto pelos programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Design da ESDI\/UERJ e UFPR. Na revis\u00e3o por pares, um dos professores elogiou e recomendou publica\u00e7\u00e3o; o outro, achou \u201csuperficial a ponto de ser irritante\u201d. 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