{"id":74,"date":"2015-03-19T23:38:37","date_gmt":"2015-03-20T02:38:37","guid":{"rendered":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/?p=74"},"modified":"2015-03-19T23:44:19","modified_gmt":"2015-03-20T02:44:19","slug":"um-tunel-no-fim-da-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fabianelima.com\/blog\/um-tunel-no-fim-da-luz\/","title":{"rendered":"Um tunel no final da luz"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei exatamente como funciona esse neg\u00f3cio de inferno astral, mas apesar de ter nascido em julho acredito firmemente que estou vivendo o meu neste exato momento. E tamb\u00e9m desde que nasci. Por algum motivo que me escapa, me parece ser imposs\u00edvel ter um segundo de paz sem que a menor faisquinha de nada se transforme em um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es e mate asfixiada todas as formas de vida num raio de 100km, cujo marco zero sou eu. Parece que todo mundo nasceu com um manual que leu direitinho e aprendeu mais ou menos como lidar com esse neg\u00f3cio chamado &#8220;Vida&#8221;. O manual que viria comigo foi comido pelo cachorro, a professora n\u00e3o acreditou quando contei o ocorrido e ainda me botou de castigo.<\/p>\n<p>Falando em escola, lembro de uma cena quando, na quarta s\u00e9rie, um colega pisou e amassou propositadamente um trabalho meu, feito orgulhosamente em alma\u00e7o* e com silhuetas de papel laminado fazendo as vezes de lua e estrelas decorando a capa. Ele o puxou das minhas m\u00e3os, jogou-o no ch\u00e3o e esfregou os t\u00eanis sujos nele. Eu nunca entendi o que aconteceu. Eu nunca sequer tinha conversado com aquele menino, afinal tinha acabado de mudar para aquela escola**. A professora chegou a ver parte do ocorrido e n\u00e3o o puniu. Mas foi esse o dia em que eu tive certeza de que minha vida escolar seria um inferno.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"420\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PXatLOWjr-k\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Agora, escrevendo isso exausta depois de um dia daqueles em que teria sido melhor n\u00e3o ter levantado da cama, percebo que a vida at\u00e9 aqui seguiu mais ou menos nesse mesmo ritmo, e a todo momento um molequinho metaf\u00f3rico toma das minhas m\u00e3os qualquer coisa que seja que eu tenha me empenhado para fazer e arrasta ela no ch\u00e3o com os p\u00e9s. No fim das contas, eu acabo vendo que meu esfor\u00e7o foi em v\u00e3o e s\u00f3 tenho vontade jogar tudo no lixo e nunca mais levantar da cama, porque parece n\u00e3o adiantar. N\u00e3o vejo progresso, n\u00e3o vejo avan\u00e7o, n\u00e3o vejo aumento de conhecimento. Em vez disso s\u00f3 consigo enxergar o qu\u00e3o atrasada em tudo estou, a ponto de acreditar que posso realmente ser portadora de algum tipo de d\u00e9ficit de aprendizagem.<\/p>\n<p>Queria largar tudo, viajar, sumir, tentar entender porque sou assim e porque as mais variadas formas de azar se abatem sobre mim desde que fui posta no mundo, e porque tenho tanto azar at\u00e9 quando tenho sorte. Mas acho que vou morrer sem matar essa charada.<\/p>\n<hr\/>\n<p><small>*As gera\u00e7\u00f5es mais novas j\u00e1 n\u00e3o sabem o que \u00e9 papel alma\u00e7o ent\u00e3o conv\u00e9m explicar. Tratam-se de folhas pautadas dobrada ao meio, que podiam ser encaixadas e grampeadas em cadernos, que os estudantes usavam para fazer trabalhos escritos \u00e0 m\u00e3o. Era assim que se fazia trabalho de escola nos anos 90, antes da inven\u00e7\u00e3o dos computadores.<\/p>\n<p>**Anos mais tarde esse mesmo garoto iria me humilhar publicamente em frequ\u00eancia di\u00e1ria enquanto eu fazia de conta que n\u00e3o me importava, e at\u00e9 lhe passava cola para ver se era deixada em paz. N\u00e3o funcionou.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei exatamente como funciona esse neg\u00f3cio de inferno astral, mas apesar de ter nascido em julho acredito firmemente que estou vivendo o meu neste exato momento. E tamb\u00e9m desde que nasci. 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